Donald Trump não pára de nos surpreender, e é pela negativa.
Este outrora candidato imprevisto e tido como fonte de motivos de chacota para tudo quanto era comediante, foi eleito, para surpresa geral, pelo menos dos não-americanos, apesar das suas ideias controversas, propostas ousadas para lá de insensatas e comentários amiúde ora ofensivos ora inconsequentes ora tudo isto junto e de um passado cheio de suspeitas de casos de assédio e de eventual envolvimento na rede de pedofilia de Epstein, entre outras desconfianças mais ou menos não provadas. E o mais preocupante é que não só foi eleito como, apesar de tanta tolice, imprudência e coisas perigosas e insensatas que fez, ainda conseguiu ser reeleito. Isto leva-nos a interrogar-nos quanto ao estado de putrefacção a que chegou a política norte-americana ou a se os Estados Unidos da América não terão, em geral, o presidente que merecem.
Começou com a ideia do «muro», que até já existia, que os Mexicanos é que iriam pagar, segundo ele dizia, e com a saída do país do Acordo de Paris para as alterações climáticas e o meio-ambiente. Com uma alegada tentativa mais ou menos encapotada de se agarrar ao poder por via de um golpe de estado de entremeio, de cuja acusação se livrou, ressurgiu com novo acidente democrático na Casa Branca, ou não tivesse ganho à incapaz adversária democrata Kamala Harris. E como veio assanhado desta vez! Desta já está para tudo menos para nos rirmos dele!
No plano interno, moveu uma perseguição a estrangeiros em geral com a desculpa de combater a imigração ilegal, argumento que usou a toda a hora para servir de manobra de diversão ao descalabro financeiro de uma América que pretendia fazer grande outra vez. Faz censura e perseguição a jornalistas e comediantes e manipulação da informação e da Justiça. No meu tempo, dir-se-ia «fazer ditadura». Bem apregoa ele os valores da liberdade e da justiça e que os Estados Unidos são um país livre, o pináculo civilizacional da Humanidade! Quanta cegueira, arrogância e hipocrisia!
No plano externo, podia ter-se ficado a lamber as feridas das consequências nefastas de um conflito de taxas alfandegárias, a «Guerra das Tarifas», contra o resto do Mundo, em particular contra a China, à qual teve de se vergar. Mas não. Trump ambiciona o Canadá, assedia a Gronelândia, ameaça Panamá, Colômbia e Cuba, invade a Venezuela para sequestrar (ou forjar um sequestro?) o seu Chefe de Estado e colocar no poleiro uma Presidente Interina Fantoche e ainda aliar-se a uma líder da oposição manifestamente admiradora sua. E já que mencionámos Cuba, estrangula-a com o agravar de um bloqueio, quando ainda há escassos anos Barak Obama reatara relações diplomáticas com a ilha e quase mandara o bloqueio para as urtigas. Até com Putin parece estabelecer uma espécie de relação de amor-ódio ou baile competitivo, tendo em conta a maneira como lidam um com o outro, apesar do russo estar anos-luz à frente em inteligência. Há dúvidas? Então e a maneira como tem entalado, usado, humilhado e chantageado Zelensky? De igual forma, tem-se aproveitado da decadência e equivalentes governantes de Inglaterra. Até a NATO, até há escassos anos uma extensão do poderio militar americano tem sido desprezada, assim como a ONU, que Trump ameaça abandonar e para qual já cortou muito do financiamento, em prol de uma organização que ele pretende criar à sua imagem e para ele liderar, claro. Ao invés, estreita os laços com Israel, apesar de andar ora tanto aos beijinhos ora às turras com o seu líder, Benjamin Netanyahu, outra personalidade tão semelhante à sua como à das alclaras só que mais esperta. Ataca o Irão sob o pretexto de querer acabar com o opressor regime dos aiatolas, arrastando um conflito idiota e cujo único objectivo óbvio aos olhos de todos é o controlo do petróleo cujo nome não sei qual a Historiografia lhe dará mas que pode muito bem ser a Guerra do Estreito. Mas alto! A coisa não correu como o esperado. Não só não conseguiu controlar o tráfego naval do Estreito de Ormuz e, logo, 20% da produção do petróleo a nível global, como se estão a aproximar as eleições intercalares. É preciso aparecer aos olhos dos eleitores como vitorioso e pacificador. Toca de apressar-se a fazer um acordo de paz, quer o lacaio judeu queira quer não, e publicitar a aniquilação de um regime que está mais forte agora do que antes da contenda. É que o homem quer ganhar as eleições e ainda o Prémio Nobel que a lambe-botas sua Corina Machado lhe surripiou debaixo dos seus olhos sem que para isso também tivesse merecimento e ainda, quem sabe, invadir Cuba e Gronelândia.
Podia continuar a dissertar avulsamente e sem destino aparente até o Pombocaca ficar cheio de tanto excremento de Trump(a) mas fico-me por aqui. Parece-me que a conduta do empresário enquanto soberano norte-americano se assemelha a uma versão hitleriana atabalhoada, com tantos tratados feitos e outros tantos desfeitos, ameaças e invasões e administração interna à base de propaganda, autoritarismo e estupidez. Sim, estupidez também, tanta aquela que lhe sai da boca para fora como a das suas acções que até levam a que as chefias militares se reúnam e decidam à sua revelia, segundo se diz. Em sentido figurado, ele dá mais tiros certeiros no seu próprio pé os que lhe fazem atentados, que parecem de pontaria muito frouxa, se é que aquilo não é tudo encenado, que com gente assim eu não ponho as minhas mãos no fogo.
Que trouxe a governação de Donald Trump ao Mundo? Aumentos de preços, escassez de bens, medo, guerra, destruição, morte, censura, desinformação e injustiça. Acho que se viesse a receber um cognome, este seria Trump, o «Trompicador». Não é só por causa da aliteração mas porque essencialmente o que ele tem feito é trompicar tudo o que o rodeia, ou seja, tornar-se um estorvo, lixar, causar dano, destruir mesmo as vidas dos outros e de tudo mesmo, de uma forma geral. E por aqui me deixo estar, a aguardar a sua próxima travadinha, que volta e meia e dá-lhe a vasquilha, até porque acredito que ainda muito se há-de escrever sobre esta personagem e não vale a pena alongar-me mais.
Que a caca esteja convosco e Deus salve não só a América mas todo o Mundo, que com gente assim, acho que só um milagre nos pode valer.
P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!
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