domingo, 1 de fevereiro de 2026

Troca de argumentos: Monarquia ou República?

Aproveito a apreciação sobre as eleições presidenciais para falar de um assunto que de tempos a tempos vem à baila e já tenho visto ser debatido em todo o lado. O que é que será melhor? Monarquia ou República? No fundo, a interrogação prende-se com a mera opção entre um rei ou figura equivalente e um presidente ou cargo homólogo, ou seja, quanto ao modelo preferível de chefia de estado, ainda que uma e outra opção acarrete consequências quase inevitáveis para o sistema político e o seu modo de funcionamento, senão para a sociedade em geral. Esta dúvida tem alimentado acesas discussões desde que o debate se iniciou, no século XIX, e com frequência a razão tolda-se com argumentos apaixonados mas vazios de lógica. Por isso, é preciso primeiro ter uma clara definição do que é a Monarquia e do que é a República.

O que é a Monarquia

«Monarquia» vem do grego «monarkhía», que quer dizer «um chefe». Por vezes acontecia de um povo ou estado ser governado por um grupo mais ou menos reduzido ou por uma espécie de conselho. Com grande frequência, isso tornava a administração pouco ou nada eficaz e dava origem a atritos e conflitos que punham em causa a unidade e sobrevivência do todo. Os que eram liderados por um único indivíduo acabavam por ter mais vantagens nesses aspectos. Na maior parte dos casos, mas nem sempre, um monarca exerce funções a título vitalício, ou seja, até morrer, se entretanto não abdicar ou for deposto.

Podem-se classificar as monarquias de duas formas.

1 - Quanto à forma de sucessão, podem ser hereditárias ou electivas. Nas hereditárias, a um monarca sucede um outro da mesma família, normalmente um filho, como uma herança, que é o que acontece, por exemplo, em Espanha. Nas electivas, o novo monarca é, por regra de princípio, eleito, como sucede no Vaticano e foi comum entre os povos germânicos. Amiúde diz-se que os monarcas sucedem-se de forma hereditária, o que nem sempre corresponde à verdade, como acabámos de ver e uma pesquisa mais detalhada confirmará.

2 - Quanto ao tipo de regime, podem ser absolutas ou constitucionais, à falta de melhor palavra. Nas absolutas, o monarca detém todos os poderes, como na Arábia Saudita. Nas constitucionais, estão limitados na sua acção governativa por uma legislação (uma constituição, por exemplo) ou pacto ou convenção de mútua aceitação tácita, sendo por vezes o cargo meramente simbólico ou cerimonial, que é como ocorre em Inglaterra.

A noção moderna de Monarquia é relativamente recente, já do século XIX, e de concepção europeia, segundo a qual é um estado encabeçado por alguém que chegou àquela função por via hereditária e a exercerá a título vitalício. Embora não seja sempre assim, como se viu, é o que existe no imaginário popular.

O que é a República

«República» vem do latim «res publica», que quer dizer «coisa pública». Neste sentido, o sentido clássico, designava-se por «república» o corpo administrativo de um país, região ou povo, ou seja, aquilo a que hoje se chama de «estado». Aliás, todos os estados foram designados por repúblicas, fossem repúblicas de facto ou unidades de chefia monárquica (reinos, principados, impérios,...) e era comum os monarcas designarem os seus domínios como tal. Só nos finais do século XVIII e definitivamente no século XIX é que o termo «república» se consolidou com a conotação que hoje se conhece, que é a de um estado chefiado por alguém que é eleito de entre um universo de eleitores. Supostamente, exerce funções durante um mandato de duração definida. No nosso caso, por exemplo, um mandato dura cinco anos. Nem sempre isso acontece pois é frequente presidentes ou outros equivalentes assumirem os cargos de forma vitalícia.

Por vezes diz-se que nas repúblicas um presidente ou detentor de outro título equivalente é eleito pelo povo. Não necessàriamente. No Império Romano, mesmo durante os períodos em que se estabeleceu um princípio de sucessão hereditário, os imperadores eram eleitos pelo Senado de Roma. No Sacro-Império Romano-Germânico, os imperadores eram escolhidos por e de entre os vários nobres eleitores. O mesmo entre os Visigodos. Em ambos os casos, formalmente monarquias, embora no fundo repúblicas, segundo o conceito moderno. Ainda hoje, em muitas repúblicas, os seus presidentes são eleitos pelos parlamentos nacionais, como acontece em Itália. Na União Soviética e na China, os presidentes eram na primeira e são na segunda saídos do Partido Comunista de cada país.

Existem três tipos de repúblicas no sentido moderno do termo: presidencialista, semi-presidencialista e parlamentar. 

1 - Nas presidencialistas, o presidente tem capacidade de propor leis, e nalguns países mesmo de simplesmente as decretar, e exerce o poder executivo, ou seja, é ele quem verdadeiramente governa. É o caso dos Estados Unidos da América.

2 - Nas semi-presidencialistas, ele assume a chefia do estado mas partilha poderes e competências com o Parlamento e o Governo. 

3 - Nas parlamentares, o poder reside teòricamente no Parlamento e o presidente ou outro que tal tem funções apenas simbólicas e protocolares.

Em teoria, o Estado Português é uma república semi-presidencialista, embora se apresente na prática como parlamentar mas em que quem governa de facto é o Primeiro-Ministro.

O chefe de um estado republicano costuma ser designado de «presidente da República» mas pode ter outras denominações. Na República de Veneza era o «doge» e em Inglaterra, durante a República de Cromwell, era o «lorde-protector», por exemplo.

Difícil distinção entre Monarquia e República

Por vezes, a distinção entre Monarquia e República não é definida. Seguindo o sentido clássico dos termos, temos que quase todas as repúblicas são, na realidade, monarquias, uma vez que são lideradas por um único indivíduo. Nalguns casos, estes exercem o poder até morrerem. A Coreia do Norte então assume-se como república no sentido moderno do termo mas tem uma presidência que segue um modelo monárquico hereditário.

A linha que existe entre monarquia electiva e a república em moldes democráticos é muito ténue e mais ainda nos aspectos práticos da governação entre monarquia constitucional e república parlamentar, posto que em ambos os cargos estão quase isentos de competências e capacidades e há clara separação dos poderes legislativo, executivo e judicial. Que pode fazer o Presidente da Alemanha? E que pode o Imperador do Japão? Ambos o mesmo: nada. Ao invés, que diferença pode existir entre uma monarquia absoluta e uma república presidencialista vitalícia e hereditária?

Com grande frequência, a República é conotada com a Democracia, sendo usada até como sinónimo dela. A história tem-nos demonstrado que as ditaduras tanto ocorrem em monarquias como repúblicas e que existem monarquias tanto ou mais democráticas que a maioria das repúblicas. Neste aspecto, o modelo de chefia do estado não quer dizer nada.

Em suma, no sentido clássico dos termos, Monarquia e República diluem-se. No sentido moderno, apresentam-se como distintas mas em muitos casos uma e outra confundem-se. 

Tendo isto em conta, resta saber qual dos modelos será mais vantajoso.

Vantagens da Monarquia

São apontadas diversas vantagens da Monarquia pelos seus apoiantes, de entre as quais se destacam as seguintes.

1 - Os filhos dos monarcas costumam ser educados no sentido de poderem vir a suceder no trono. Consequentemente, um monarca é normalmente alguém que é preparado a vida toda, desde tenra idade, para vir a exercer as funções da chefia do estado, aprendendo que o poder é um dever de servidão e não de privilégio. Esta preparação prévia faz com que, de uma forma geral, as transições de reinado para reinado se façam sem sobressaltos e permite que o monarca olhe para o cargo dum ponto de vista mais prático e técnico e não tanto eleitoralista.

2 - Uma vez que o monarca não pertence a nenhum partido, ainda que possa ter alguma simpatia ou inclinação política, é teòricamente neutro e imparcial.

3 - Esta neutralidade permite um maior equilíbrio entre os órgãos de soberania, o que faz do monarca o árbitro ou moderador por excelência.

4 - Uma vez que, não havendo nada contra, governa para todo o resto da vida, o que costuma ser mais do que o prazo de duração dos mandatos dos chefes de estado republicanos, um monarca garante um longo período de estabilidade e uniformidade na sua acção, trazendo previsibilidade e acalmia social e política e evitando as rupturas, mudanças bruscas e até mesmo conflitos que acontecem nas eleições para as chefias das repúblicas ou ocorriam nas antigas monarquias electivas. Aliás, o monarca depende desta estabilidade para se manter no cargo, assim como da continuidade do seu país. O líder de uma república, sendo em teoria um chefe a prazo, não.

5 - O monarca é um símbolo de unidade mas também de continuidade e tradição que representa o estado e a sua cultura e identidade, uma vez que é o continuador de uma família e de um povo. Continuador mas também o que dará continuidade, se cumprir bem as suas funções e nenhum sobressalto lhe sobrevir. Neste sentido, e como o monarca é o produto, representante e produtor de uma família, representa também em si a valorização do conceito de família, que, pela sua notoriedade e visibilidade, é-lhe exigida uma conduta própria e constitui por consequência um exemplo virtuoso a seguir.

6 - Uma vez que não requer gastos em escrutínios para a Presidência nem no sustento e protecção, quando requerida, de antigos chefes de estado republicanos e a continuidade indefinida do exercício do cargo não exige a substituição aprazada ou sequer colocação de gente em determinadas funções e, sendo uma figura de natureza familiar, permite a constituição de um património estável vantajoso para a família, a Coroa e até para o próprio país, a manutenção de um monarca acaba por se revelar menos dispendiosa ou até mesmo lucrativa quando comparada com a de um chefe de estado republicano que, por o ser por um período limitado, não tem interesse em valorizar a Presidência, antes e quanto muito  a si próprio, e exige a aquisição de pessoal que de outro modo não seria necessário.

Desvantagens da Monarquia

1 - Na prática, por muito cuidada que seja a preparação, nem sempre os monarcas têm a visão mais desejável do oficio do governo ou para ele são mais aptos. Isso pode causar uma governação errática e instável.

2 - É natural que o avançar da idade garanta todo um somatório de experiência e conhecimento, factores preciosos para o desempenho de qualquer acção governativa, mas também o expectável deteriorar  das capacidades físicas e intelectuais, tornando os últimos tempos do desempenho de um monarca mais deficientes do que seria desejável.

Para estas duas situações, a resolução para os problemas é simples e consiste no emprego de soluções há muito empregues nas monarquias, em particular as ibéricas mas não só. Uma hipótese consiste em, se o monarca desejar e achar necessário, associar alguém ao trono, ou seja, nomear ou convidar alguém para auxiliá-lo no desempenho do cargo, nas mais das vezes um parente próximo, como um irmão ou filho (algo que aconteceu entre os antigos reis suevos), o qual pode eventualmente ser aprovado pelos organismos estatais. Uma alternativa é a de, estando o monarca diminuído nas suas capacidades ou delas privado, como por motivos de doença ou senilidade, nomear ele próprio ou qualquer outro organismo, como o parlamento ou outro, nomear por ele um regente, que é alguém que não é monarca mas exerce funções pela vez dele, dentro dos limites que existirem (o que era comum entre os reis de Portugal). Neste aspecto, estes problemas são fáceis de contornar.

3 - Apesar do monarca ser tendencialmente neutro, por muito que tente ser imparcial, é inevitável que acabe por desenvolver simpatias ideológicas. Este estado de coisas por um período prolongado pode originar insatisfação social e até conflito.

Vantagens da República

1 - Os chefes de estado republicanos são escolhidos pelo eleitorado directa ou indirectamente de entre os diversos candidatos. A eleição legitima a sua subida ao poder, sendo que é uma escolha do povo e não uma sucessão natural imposta pela hereditariedade. Uma vez que, em teoria, todos os cidadãos em república têm os mesmos direitos e deveres e são iguais perante a Lei, é possível a qualquer um ascender a qualquer função do estado e até a ser eleito para a sua liderança.

2 - Os mandatos de um chefe de estado republicano são, em geral, limitados. Tal facto permite que haja uma alternância de gente no cargo e eventuais alterações políticas que sejam necessárias. Consequentemente, evita a perpetuação de alguém no poder.

Desvantagens da República

1 - Em teoria, qualquer um pode ser eleito chefe de um estado republicano. Na prática, o poder tende a estar associado a cada instante a uma de duas forças políticas que se alternam, pelo que a escolha acaba por ser muito limitada. É normal, acontece e é a regra em todo o lado. Uma candidatura independente, por muito valorosa e apta que seja, tem uma probabilidade muito remota de ser bem sucedida, uma vez que não tem o apoio de aparelhos tão influentes, cheios de recursos e poderosos como os partidos. Note-se que na Primeira e na Segunda Repúblicas de Portugal, os únicos presidentes com origem não-partidária foram os que lideraram golpes de estado. Na Terceira República, o único presidente independente eleito, Ramalho Eanes, foi-o numa época de instabilidade, em que os partidos se estavam a formar e ele se tornara numa celebridade pelo seu papel no 25 de Novembro de 1975, precisamente uma tentativa de golpe de estado.

2 - Sendo os aspirantes a chefes de estados republicanos em geral produto de um apoio partidário orquestrado e não espontâneo e popular, é comum serem eleitos nem sempre os candidatos mais aptos mas aqueles que têm um suporte maior e portanto maior capacidade de desenvolver uma campanha e angariar votos. Com perigosa frequência, em particular em partes do Mundo mais instáveis ou sem preparação para novas experiências de regime, acontecerem «acidentes democráticos», quando, seja por vício do escrutínio ou falta de maturidade política ou esclarecimento, são eleitos indivíduos que se vêm a revelar líderes incompetentes ou tirânicos. Portanto, estando o poder no voto, isto é, na rua, nunca se sabe para onde irá o poder parar. Há sempre quem esteja à espreita para o agarrar.

3 - Na generalidade dos casos, a chegada à chefia de um estado republicano constitui não a chegada a uma situação para a qual alguém foi preparado a vida toda mas o culminar de uma mera carreira política, quer tenha havido preparação quer não.

4 - A chegada ao poder de um chefe de estado republicano resulta sempre de uma divisão entre os cidadãos, a qual se verifica aquando das eleições. Sendo quase sempre saído de um partido, tende a favorecer a área partidária de onde é originário, o que pode desequilibrar o aparelho do estado e criar instabilidade.

5 -  As eleições são sempre situações criadoras de uma enorme despesa para o Erário Público. Uma vez que esta se processe para eleger um líder que exerça uma grande influência na condução dos destinos do país ou o governe de facto, como o que se verifica em repúblicas presidencialistas ou semi-presidencialistas, este gasto é justificado pois assume-se como necessário, quase como um investimento ou um preço a pagar por um direito de cidadania. Ao invés, se este se faz para eleger alguém cuja função é apenas representativa e cerimonial, então a lógica e o bom-senso dizem-nos que esta despesa é um desperdício de fundos públicos que poderiam ser usados para fins mais proveitosos.

5 - A chefia de um estado republicano é um exercício individual pois não houve continuidade até ela e não deixará dela continuidade física. Ainda que haja uma família a apoiar, esta não está nunca conotada com a República nem a República depende dela como acontece com a Monarquia. Portanto, nas repúblicas tende a haver uma valorização do indivíduo em detrimento do grupo, em particular da família.

6 - A limitação de mandatos de um chefe de estado republicano costuma criar primeiros mandatos exercidos com uma certa cautela, de modo consensual e na tentativa de agradar e conciliar as várias partes, e os últimos de acordo mais com a verdadeira ideologia e convicção do detentor do cargo, o que amiúde acontece doa a quem doer, até porque o chefe sabe que não será eleito para um novo cargo consecutivo e não se importa tanto com as consequências, o que não acontece com um monarca, que sabe que tem de ter sempre uma conduta sensata pois, na generalidade dos modelos modernos, exercerá funções até ao fim da vida. Outra situação pode acontecer, que é a de dois chefes se alternarem de forma a fazer crer que o poder não é vitalício, que é o que é muito comum nas autarquias portuguesas e aconteceu igualmente na Rússia com Putin e Medvedev, que "trocaram" entre si, a certa altura e por duas vezes, os cargos de Presidene da República e Primeiro-Ministro. Ainda que possam haver limitações aos mandatos, estas podem também não existir, dependendo da legislação de cada país. Porém, não é invulgar a lei ser alterada de forma tanto a criar limitações ao número de mandatos como a suprimi-las, tornando o exercício de funções vitalício.

***

Como se pode ver, existe uma grande maleabilidade entre as duas formas de chefia de estado. As duas correntes não são nem estanques nem estáticas e o sucesso ou insucesso de cada uma delas depende de numerosos factores, de entre os quais sobressaem as regras que as regem e a tradição que há em cada povo ou país. Assim, uma monarquia ou uma república pode igualmente falhar se estiver mal regulamentada ou ser bem sucedida se os princípios que a regem forem bem determinados. Da mesma maneira, tentar impor uma república numa nação de longa tradição monárquica (como os comunistas fizeram na Etiópia) ou vice-versa (à semelhança do que Napoleão tentou, em vão, fazer na Suíça) constitui quase sempre um grande choque e uma ruptura demasiado violenta para que possa ter sucesso. No fundo, ambas as soluções são boas ou más, consoante as condições a que estão sujeitas.

O caso português

Tendo em conta tudo o que foi dito, vejamos o exemplo de Portugal. Sabendo que o Presidente da República não tem quase nenhum poder ou competência, que a sua eleição e manutenção e a dos ex-presidentes é dispendiosa mas necessária e pesando os prós e contras quer da Monarquia quer da República, a conclusão é quase imediata. Ou o modelo se altera para uma presidência mais interventiva, ou seja, para uma república presidencialista, ou se mantém o modelo e apenas a Chefia de Estado é convertida em monarquia constitucional, que é em tudo parecida a uma república parlamentar ou semi-presidencialista, só que mais estável e de manutenção menos dispendiosa, se os monarcas não caírem em extravagâncias, o que pode ser limitado por lei ou orçamento sujeito a aprovação parlamentar e/ou governamental. Já vimos aqui e na prática a História ensina-nos que as repúblicas presidencialistas não são os modelos mais estáveis e tendem a, com frequência, a assemelharem-se ou até equipararem-se a monarquias absolutas, senão mesmo a igualá-las, como na Coreia do Norte acontece nos nossos dias e outrora foi recorrente noutras partes da Ásia, na América Latina, em África e até mesmo na Europa.

Portugal é um país com quase 900 anos, que conheceu apenas pouco mais de 100 de república. Os restantes foram de monarquia, sendo que apenas durante os reinados de Dom João V, Dom José, Dona Maria I, Dom João VI  e Dom Miguel é que foram de absolutismo pròpriamente dito, ou seja, cerca de 128 anos. Antes disso, não havia separação de poderes mas a acção régia estava condicionada pela Corte e pelas Cortes Gerais, bem como por um conjunto de princípios legais, muitas das vezes consuetudinários. De 1834 a 1910, na sequência da Revolução Liberal, da guerra civil que se seguiu e do Tratado de Évora-Monte, a monarquia passou a ser constitucional. Tal como aconteceu com o Absolutismo, embora de forma mais grave, visto que a ruptura foi mais violenta, o Liberalismo também não se adequou ao nosso país porque se baseava num modelo estrangeiro que não se enquadrava no sistema político e social português mas manteve-se graças à continuidade da figura do monarca e à passagem do funcionamento em permanência das tradicionais cortes gerais, que tiveram o seu auge durante o século XV, agora reformuladas em parlamento. O rompimento quase total com o passado que se verificou com a Implantação da República, em 1910, foi mais desastroso que o Liberalismo e fez o país mergulhar em 16 anos de anarquia e caos total e mais quatro décadas de ditadura e mais outras cinco de instabilidade. Durante este período de 115 anos, os presidentes eleitos tiveram poderes limitados, menos na Primeira República e mais nos regimes seguintes, na medida mais ou menos em que os têm hoje.

Pretende este parágrafo acima explicar que só durante uma parte da História é que os soberanos portugueses detiveram verdadeiros poderes governativos, pelo que a população habituou-se a ter em geral chefes de Estado mais representativos e menos interventivos, o que faz com que a adopção de um sistema republicano presidencialista tenha probabilidades de relevo de não ser bem sucedida. Em suma, não seria justificável ou sequer desejável uma alteração de paradigma. Portanto, república presidencialista e monarquia absoluta estão, logo e sem delongas, postos de parte.

Adicionemos à equação a variável da legitimidade. A República foi implantada por gente afecta a um grupo terrorista, a Carbonária, organização dissimulada de Partido Republicano. Esta foi responsável por atentados, vandalismos e outras violentas acções criminosas, que se saldaram em numerosas vítimas, na grave alteração à ordem institucional e na ruína do Estado. Muito fizeram de danoso e das suas actividades a que mais se destacou foi o Regicídio (assassinato do Rei Dom Carlos e do seu filho mais velho, o Príncepe Dom Luís Filipe, em 1908). Mais tarde, a banida Família Real veria os seus bens confiscados, mesmo depois de permitido o seu regresso.

Tendo em conta o que supracitado (que o Presidente da República não tem quase nenhum poder ou competência, que a sua eleição e manutenção e a dos ex-presidentes é dispendiosa mas necessária e pesando os prós e contras quer da Monarquia quer da República), que uma república parlamentar é de fácil conversão numa monarquia constitucional, mais estável e de manutenção menos dispendiosa, e sabendo que a República foi instituída por um bando de criminosos, muitos deles cadastrados, organizados numa entidade terrorista e que estes nunca procuraram legitimar por qualquer meio a sua usurpação, parece-me sensato e evidente concluir que, estando os dois modelos sobreditos de chefia de estado equiparados, por uma questão de lógica e justiça, o sistema que melhor se adequa ao caso português é o da monarquia constitucional. Desta forma se corrigiria uma injustiça e se transitaria para uma forma quase igual mas mais vantajosa de liderança do país quase sem que se desse por isso.

Contudo, este é apenas um pequeno ensaio que teria muito mais que se lhe pudesse acrescentar de prós e contras de ambas as partes e que está sujeito a incontáveis variáveis. Como «cada cabeça sua sentença», aqui estão algumas sementes para cultivar mais umas conversas e debates. Deixo aqui as minhas conclusões. Quanto a vós, pensai e chegai a alguma conclusão, se para tal tiverdes mais do que juízo, coragem.

Boas votações e que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

domingo, 25 de janeiro de 2026

Alerta C.M.: Confusões Geográficas

 Não tenho televisão paga onde eu moro. Aliás, devido a uma avaria, há bastante tempo que não tenho sequer os canais de sinal aberto, o que não me impede de ver um pouco quando calha e o rei faz anos e muito menos de saber uma coisinha ou outra do que nela se passa.

Há bocado chamaram-me a atenção para um daqueles «Alerta C.M.» que a toda a hora aparecem nos noticiários da C.M.T.V. a chamarem os telespectadores à atenção para determinado acontecimento, do mais sério ao mais ridículo. Nós sabemos que o Correio da Manhã é um prodígio da imaginação, seja em trocadilhos ou em criação de factos, mas desta vez esmeraram-se com a elaboração de uma geografia alternativa para o nosso país.

Imagine-se que falavam em forte agitação marítima para... Monchique?! Ainda pensei que se estivessem a referir a um outro lugar costeiro com o mesmo nome mas logo a reportagem passou para o terreno, indicando que se tratava mesmo da vila algarvia. Ora Monchique é quase no cimo da serra com o mesmo nome, no limite interior com o Baixo Alentejo, bem longe do litoral.


 

Quando eu era pequeno, ainda se contava uma pequena piada usada para explicar a noção de absurdo. «Um cabo de mar e um chefe de estação andaram à porrada em Monchique porque não tinham pedras para amandar um ao outro.» Ora Monchique fica longe do mar, não tem estação de caminhos-de-ferro e está plantada no meio de pedraria!

O pessoal do Correio da Manhã deve estar a sentir-se como a Floribella: «estou um pouco confusa...»

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

E se o Irmão Catita fosse Presidente?

 Depois de mais uma campanha eleitoral como tantas outras e de forma cada vez mais vincada, ou seja, vazia de conteúdo, com fracos candidatos e repleta de ataques pessoais, suspeições e insultos, que é como quem diz o paraíso da politiquice no seu mediatismo «big-brotheriano» mais abjecto, chegámos ao passado dia 18 às eleições presidenciais. Desta vez, nada mais nada menos que 11 candidatos foram aceites para o escrutínio, embora os boletins contassem com mais nomes. Sim, é que eu compreendo que existam prazos a cumprir mas os boletins foram impressos antes de terem sido verificadas e aprovadas as candidaturas. Alguém pôs a carroça à frente dos bois e isso deu o habitual: bosta. Independentemente disso, o resultado seria sempre o mesmo, visto que se podiam aglutinar todos os candidatos que não se apuraria o que desse para um que prestasse. Em todos eles, ou há algo a mais ou em falta. Quase deu vontade de não votar em nenhum. E, olhando para os dados oficiais, votaram 52,26% dos eleitores recenseados, o que um valor invulgarmente elevado, dos quais 1,06% fizeram votos em branco e 1,13%, mais do que qualquer um dos quatro candidatos menos votados, optaram por fazer votos nulos. A sorte é que o cargo é quase meramente simbólico e vazio de poderes.

No que diz respeito aos resultados, reconheço que fiquei surpreendido. Não com o facto de ser necessária uma segunda volta. Isso era previsível. Não com a fraca votação dos candidatos desconhecidos e dos comunista e afins, que também era evidente: dos primeiros não se sabe quem são nem têm relevância política e dos segundos, P.C.P.  e Bloco de Esquerda estão em queda livre e o Livre não só apenas tem como nome sonante o do seu líder, Rui Tavares, como o seu aspirante à Presidência, Jorge Pinto, ter a certa altura enveredado por uma campanha suicida sugerindo uma eventual desistência. Nada disto me espantou. Fiquei sim verdadeiramente admirado foi com outras três razões.

A primeira razão com o facto de, tanto quanto reparo ou tenho lembrança, o que nunca se sabe porque eu sou uma pessoa distraída, ter sido a primeira vez que foram autorizados a votar cidadãos brasileiros que para isso cumpram os requisitos. Nada tenho contra eles mas não acho correcto. Se eles têm direito, porque não o hão-de ter os restantes cidadãos estrangeiros que cumpram os mesmos requisitos? Parece-me que este é um procedimento nada democrático: ou podem todos ou não podem nenhuns e aqui a lei não é igual para todos.

A segunda razão prendeu-se com os dois candidatos mais votados e que disputarão a segunda volta. Não ligo a sondagens, por muito bem feitas que sejam. A verdadeira sondagem é a da votação dos eleitores. Sempre pensei que os «finalistas» seriam, em primeiro lugar, Marques Mendes, o famoso «Ganda Nóia» e, em segundo, Gouveia e Melo, apesar do almirante ter sido quase literalmente empurrado pela comunicação social para as eleições e não ter experiência política, o que não é necessàriamente mau. Cá para mim, não tenho a menor dúvida que o apoio de Cavaco Silva e Luís Montenegro à candidatura de Marques Mendes estorvou-o mais do que o ajudou. Em vez disso, surpreendi-me e bem com uma votação inesperada em António José Seguro (31,12%), à frente de André Ventura (23,52%). É que o primeiro pode ter a calma necessária mas não tem garra para Chefe de Estado, como já se viu quando liderou o Partido Socialista e foi alvo de um verdadeiro golpe sujo da parte de António Costa que o escorraçou. Por outro lado, o país bem precisa de uma mudança de rumo e de quem verdadeiramente o salve mas não me parece que o segundo tenha o perfil de estadista que é exigido e muito menos a polidez. Aliás, acho até que André Ventura deve estar desejoso de ter um bom resultado mas não ganhar, pois tem hipóteses cada vez maiores de um dia poder constituir um governo e toda a gente sabe que quem de facto governa o país é o Primeiro-Ministro. Portanto, apesar de arriscar numa »vitória pelo Seguro», mais razão tem o ditado popular: «entre um e outro, venha o Diabo e escolha»!

A terceira razão com a surpreendente votação de Manuel João Vieira, candidato independente e famoso artista, em particular enquanto vocalista dos Ena Pá 2000 e outros projectos musicais, que, com 1,08% dos votos, ficou à frente de Jorge Pinto (0,68%), André Pestana da Silva (0,19%) e Humberto Correia (0,08%). Curioso é que Vieira nunca pretendeu chegar à Presidência. A sua candidatura  não é a sério. Em tempos tentara (várias vezes) candidatar-se e disse numa ocasião que ele apenas pretendia mostrar que qualquer palerma podia candidatar-se à Presidência da República. Basta ver as propostas apresentadas. Hilariantes! Uma Megapolis no interior do país, vinho canalizado, Ferraris para todos, uma bailarina exótica ou uma prostituta para cada português, ou uma patinadora russa para os homens e um bailarino cubano para as mulheres, o que vai dar ao mesmo...

Claro que ele nunca ganharia as eleições. No entanto, lembrei-me logo dum filme que eu vi há uns anos, o «Bulworth, o Candidato da Verdade», em que um senador se candidatava à Presidência dos Estados Unidos da América, passava-se, só fazia e dizia disparates e, apesar disso, ganhava a eleição. Então eu fico aqui a pensar: e se Manual João Vieira vencesse mesmo o escrutínio?

A resposta é simples. Uma vez chegado ao Palácio de Belém, Manual João Vieira não faria nada, ainda que quisesse, dado o quão limitados são os poderes presidenciais. Certamente traria boa disposição às embaixadas e comitivas estrangeiras de visita ou aos restantes órgãos de soberania nacional mas que seriedade e credibilidade lhe seria de esperar? Que capacidade de resolução de problemas e de resistência a tensões? Que maneiras de lidar com matérias sensíveis? É um enigma e a sua resolução deixa-se ficar no domínio das incógnitas. Mas e se, ainda assim, tivesse capacidade para fazer o que promete? Para cumprir as suas promessas? Vamos pegar só nos exemplos dados.

1 - Bem, o mais provável é que tivesse uma aguerrida querela parlamentar para fazer passar uma legislação absurda que legitimasse e regulamentasse a prostituição. Porém, como hoje em dia já se vê de tudo, vamos admitir que é bem sucedido nisso. Tendo em conta que teria de haver uma bailarina exótica ou prostituta para cada português, ou, em caso de não aprovação, a alternativa das patinadoras russas e dos bailarinos cubanos, o lógico é que tivesse de haver um recurso ainda mais massivo à imigração e a população crescesse para cerca de 19 milhões de habitantes. Problema: antes de se admitirem tantas meninas destes ofícios, tinha de se arranjar lugar para elas habitarem. Teria de se tomar medidas para a reabilitação dos edifícios degradados já existentes, construir ainda mais e incentivar à hospedagem delas nas casas dos seus respectivos portugueses. Daqui resultariam algumas complicações: atritos entre as profissionais estrangeiras, entre portugueses familiares e entre vizinhos, para além de toda uma vaga de queixas de gente que não tem onde morar ou tem mas sem condições e aponta o dedo a quem vem de fora e tem logo morada garantida. Para além disso, teria de haver um gigantesco aumento da produção de tudo e mais alguma coisa, desde alimentos e vestuário a energia eléctrica, veículos, electrodomésticos, enfim, tudo. Não sendo possível, teria de se recorrer à importação em massa de tudo.

2 - A tal grande cidade do interior, a Megapolis, implicaria expropriações e consequente descontentamento onde quer que se implantasse. Naturalmente, teria de ter acessos, vias de comunicação, abastecimento energético e de água, redes de saneamento e transportes, enfim, uma infinidade de meios. Exigiria planificação detalhada e prévia e contratos de construção gigantescos. Mesmo que a construção arrancasse ainda durante o mandato de Vieira, mesmo que o primeiro de dois, só com um milagre é que se aprontaria em tempo útil.

3 - Pôr vinho canalizado só que fosse em bebedouros públicos ou chafarizes exigiria mais contratos com empreiteiros e campanhas de obras generalizadas por todo o país. Indirectamente, conduziria ao aumento de problemas associados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e, por consequência, ao crescimento da despesa em segurança, justiça e saúde.

4 - A aquisição de um Ferrari para cada português acarretaria duas complicações, que são a impossibilidade técnica da Ferrari produzir e disponibilizar  tantas viaturas e a outra de alojar no país tantos carros. Quanto à do Estado ter capacidade de pagamento de tantos carrões destes, não duvido. Já se tem gasto dinheiro que não existe e de formas tanto ou mais absurdas que esta. Lembro-me agora assim de repente de montes de linhas fechadas e ainda se querer fazer outra para T.G.V.'s ou de se pretender construir um novo aeroporto numa zona pantanosa e que ficará decerto debaixo de água a médio prazo quando já existe um quase novo e que continua quase sem ser usado.

Para a concretização ou tentativa de concretização de tudo isto, ou só que fosse de cada uma das medidas por si só, o que seria megalómano em alta escala, seria necessário um orçamento épico, mais do que toda a riqueza do país junta. Por isso, das duas uma: ou nunca tais propostas passariam da fase de ideias, que é o que seria mais sensato e provável, e Manuel João Vieira passaria para a História com um presidente previsìvelmente incumpridor de promessas, ou seja, mais um para juntar ao rol, ou então seriam levadas a cabo, Portugal caía na absoluta e irrecuperável bancarrota e perder-se-ia para sempre junto dos credores, ficando este presidente conhecido como o «Falidor».

Porém, como é tudo uma tentativa de trazer humor e boa disposição a um saco de gatos assanhados, como as eleições por cá se tornaram, podemos ficar descansados, pois nada vai alguma vez seguir em frente. Vamos então ouvir este homem, apreciar a sua obra plástica e musical, se formos apreciadores do género, aplaudi-lo e rir-nos a bom rir enquanto tivermos possibilidade de usufruir do direito à felicidade.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

P.P.S.: Lamento, isto é uma coisa séria. Pode não parecer mas não votei nele.

Juízo do Ano do Pombocaca para 2026

Caros pombos amigos.


Como já tenho referido desde há uns anos para cá, o «Juízo do Ano» do «Borda d'Água» tem tido uma falha recorrente no que diz respeito ao planeta regente. Não atina, que é que se há-de fazer? Desta vez diz que é Mercúrio, que o foi o ano passado, não neste. Consequentemente, o resto da prognosticação também não é correctamente apresentado. Por isso, volto este ano a fazer o Juízo do Ano do Pombocaca.

Cômputo do ano de 2026

Planeta Regente: Júpiter

Número do Ciclo Solar: 19

Áureo Número: 13

Letra Epactal: B

Número da Epacta: 11

Letra Dominical: D

Prognosticação

Apesar de toda a loucura que atravessa o clima nos tempos presentes, a prognosticação do ano passa do até coincidiu com o que era de prever para um ano mercurial. No que diz respeito às condições meteorológicas, este ano seria, teòricamente, de Inverno temperado, Primavera ventosa, Verão aprazível e Outono chuvoso. Por consequência, haveria abundância de trigo (no que eu guardo reservas, tendo em conta as chuvas que impediram muitas sementeiras e agora têm alagado os campos) e vinho. Os animais domésticos terão assim alimento com fartura e os cursos de água caudal abundante, pelo que será de prever abundância de carne e peixe fresco, isto se os recursos forem usados com sensatez por nós, humanos. Porém, como se não bastassem as pragas e os químicos, estas boas características meteorológicas ainda assim não constituirão benesse suficiente para as abelhas, prevendo-se fraca produção de mel. Contudo, mais uma vez advirto. Como hoje em dia o clima está muito alterado face ao que era a norma, o mais provável é que, embora os princípios básicos se continuem a verificar de forma mais ou menos marcada, principalmente menos, já ninguém saiba dizer com segurança o que é que se há-de esperar das condições atmosféricas. Portanto, há-de fazer Sol quando for de dia e não houverem nuvens e chover quando cair água destas. O vento há-de soprar dum lado para o outro. Trovejará quando soarem trovões.

A fazer fé nos antigos lunários e com base no que se há-de esperar dum ano jovial, hão-de estabelecer-se alguns acordos de paz e concórdias. De resto, já se sabe. Os artistas continuarão a fazer arte ou coisa a que isso chamam, os cientistas, médicos, oficiais de justiça e muitos mais a contorcer-se com falta de meios, os traficantes  a traficar, os professores e os empregados a aturar pirralhada e seus pais e encarregados de educação mal comportados, os políticos a atirar-nos areia para os olhos e fazer coisas parvas as mais das vezes e por aí a fora. Enfim, hão-de acontecer acontecimentos, como é costume.

De uma forma geral, as pessoas nascidas neste ano terão cabeça, tronco e membros. Os membros serão quatro, sendo que dois serão braços com uma mão cada e cinco dedos em cada e duas pernas com um pé em cada uma, cada qual dotado igualmente de cinco dedos cada. No tronco, por entre a organada toda, há-de bater um coração em cada vivo, embora em certos Putines, Nethaniahus e outros que tais não pareça. Cada cabeça deverá contar também com dois olhos, duas orelhas e seus ouvidos, um nariz com duas narinas, uma boca com língua e dentes, em muitas delas há-de haver cabeça e talvez barba e, parecendo que não com preocupante frequência, é de prever que haja um encéfalo a trabalhar dentro da caixa craniana. Sobre algumas deveria haver também um par pontiagudo de pesos, que bem o mereciam.

Apesar de tudo, vão continuar a haver guerras. O Javier Milei e o Donald Trump, só para nomear alguns, continuarão a dizer e fazer disparates, se não os calarem. Se não estiverem, é porque estarão a pensar em disparates. Pessoas vão continuar a nascer, a ter doenças e a morrer e quase podia apostar que os outros viventes também. A Amazónia e as outras florestas vão continuar a ser destruídas. A ganância, a estupidez e a ambição continuarão a prosperar num mundo regido pelo dinheiro e dele dependente. Assim, os pobres e oprimidos continuarão a ser mais e a sê-lo mais e a Natureza a degradar-se. Os impostos continuarão a ser cobrados e os preços de tudo continuarão a subir. Como dizia uma criadora de vacas da minha terra, «só o leite do cacete é que não aumenta!»

Acho que não vale a pena continuar. Como se vê e é de prever, 2026 será um ano de mais do mesmo, só que sempre cada vez pior. Claro que há sempre uma esperança e é a essa que nos devemos agarrar. Mas agarrar não significa que fiquemos à espera que tudo nos caia no colo. Significa sim que temos de nos fixar à ideia e pôr mãos à obra para a tornar numa realidade. Só assim se quebrará este ciclo vicioso e se o substituirá por um outro ciclo, mas virtuoso.

Que a caca esteja convosco!



P.S.(nada a ver com o partido do próximo Presidente da República): NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

 

domingo, 11 de janeiro de 2026

Poitas da estrada

 Queria só deixar aqui um breve apontamento, uma tentativa de obtenção de esclarecimento a uma dúvida que eu tenho, embora algo me diga que vou ficar na mesma. Não sei como é que tem sido nas vossas áreas de residência mas, no percurso que eu costumo fazer habitualmente, este ano passado começaram a proliferar uma espécie de lombas que em vários casos vieram substituir as pré-existentes. Descobri recentemente, hoje mesmo, para ser franco, que se designam por «lombas berlinenses» mas eu sempre lhes chamei de «poitas da estrada». As lombas habituais costumavam ser, pelo menos por aqui, tiras de alcatrão ou pedra que se elevavam do pavimento ou de borracha que eram aparafusadas ao pavimento. Em qualquer dos casos, iam dum lado ao outro da faixa de rodagem. Entretanto, surgiram as poitas, elevações quadradas de borracha que se aparafusam ao pavimento. Se são berlinenses, então não sei onde é que aquela gente tinha a cabeça. É que os Alemães são espertos, até costumam fazer coisas muito boas, mas aquilo é uma porcaria. É que, como não vai de um lado ao outro da estrada, é prática comum entre a generalidade dos condutores, na qual eu me recuso incluir, contornar esta poita e seguir em frente. O problema é que, para isso, é preciso ou sair para a berma, se a houver, ou entrar em sentido contrário. Deste chico-espertismo resultam uns quantos sustos ou umas marradas à carneiro entre viaturas. De que é que serviu esta bodega? De nada. Nem os veículos abrandaram nem se mantiveram na sua mão. Eu suma, as poitas não cumprem o propósito para que foram criadas e não servem senão para promover o desrespeito às regras de trânsito e causar situações de perigo. As poitas são isso mesmo: poitas, uma bosta.

Por favor, alguém que mande retirar esta porcaria e substituí-la por lombas a sério antes que haja um acidente grave.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

A farsa dos aumentos de ordenados e afins

 Eu creio que já falei deste assunto mas não resisto a voltar a ele para deixar claras algumas ideias que a mim me parecem básicas mas que dá a impressão que talvez não o sejam a muita gente, de entre a qual se incluem os nossos sucessivos governantes, já para não falar em talvez a classe política em geral, a avaliar pela amostragem que temos tido década após década.

Sempre que chega o Ano Novo, é notícia habitual o aumento do custo de vida. Sobe o preço dos alimentos, dos combustíveis, da electricidade, dos transportes, enfim, como dizia a Ti Maria de Vilares, que era criadora de vacas, «tudo aumenta menos o leite do cacete». Consequentemente, ora por iniciativa governamental ora por insistência dos sindicatos, sobem-se os ordenados, as pensões e os subsídios. Este ano, por exemplo, o salário mínimo, que é daquelas coisas que só existem para quem trabalha por conta de outrem e nem sempre, passa para 920 euros, que, na nossa saudosa antiga moeda, são 184.443$44 (para quem não sabe ou não se lembra, cento e oitenta e quatro mil e quatrocentos e quarenta e três escudos e quarenta e quatro centavos). Parece estar a questão resolvida. Porém, estes aumentos não serviram para nada. Não é preciso ser um génio para chegar a essa conclusão.

O aumento de um ordenado, pensão, subsídio ou qualquer outra prestação implica sempre uma despesa extra. Muitas empresas não têm possibilidade de suportar este aumento de gastos e deparam-se com dois caminhos, que são ou a adaptação a esta nova realidade ou o encerrar das portas. Só há três formas possíveis de cobrir ou evitar este aumento de despesa: aumentando os preços dos produtos ou serviços, aumentando a produção e diminuindo os custos. Aumentar a produção consiste em fazer mais produtos ou prestar mais serviços. Para reduzir os custos pode-se diminuir a qualidade dos produtos ou serviços prestados, aumentar a laboração dos empregados ou despedir pessoal. Pode ser empregue uma destas medidas, várias ou todas ao mesmo tempo. Como as matérias-primas e produtos em geral se tornaram mais caros, é difícil aumentar a produção sem que os produtos ou serviços venham a perder qualidade. Aumentar a carga laboral dos trabalhadores e/ou despedir alguns deles é comum mas pode dar azo a chatices com os sindicatos e autoridades. Portanto, o recurso mais comum é o de aumentar os preços dos produtos e serviços. O problema é que, se se aumentam os preços, o custo de produção em particular e o de vida em geral vão também aumentar. Que fazer agora? O mesmo que os governos do meio século que nos antecede têm feito: aumentar salários, pensões, subsídios e tudo o mais por aí a fora. 

Atentemos aos seguintes valores de referência, os do salário mínimo desde 2014.

2014: 445 euros

2015: 505 euros

2016: 530 euros

2017: 557 euros

2018: 580 euros

2019: 600 euros

2020: 635 euros

2021: 665 euros

2022:705 euros

2023:760 euros

2024: 820 euros

2025: 870 euros

2026: 920 euros

Se prestarmos um mínimo de atenção, o salário mínimo tem tido constantes aumentos na medida em que o custo de vida também tem aumentado. O valor estabelecido para este ano é quase o dobro do que havia para 2014. E se deste mês em diante, até ordem ao contrário, o valor em escudos é de 184.443$44, no ano 2000, antes do euro, tinha sido estipulado em 63.800$00, ou seja, hoje é quase o triplo. Quem então ganhava 100 contos por mês, gozava de um ordenado muito bom mesmo ou então tinha-se quase literalmente matado a trabalhar para o conseguir. Em 1990, eram 35.000$00, pouco mais de uma quinta parte do que é agora. Cem contos num mês era impensável para quase todos os trabalhadores do país. Em 1980, eram 9000$00, 20 vezes e meia menos que o indicado para este ano. Quando o salário mínimo foi criado, em 1974, a lei indicava a obrigatoriedade de pelo menos 3300$00, menos do que hoje se recebe por meio dia de trabalho  e perto de um de 66 avos daquilo que passa a ser este ano o valor de referência.

Perante estes dados, uma pergunta vem-nos logo à cabeça. As pessoas deviam ser mesmo muito miseráveis. Se agora os ordenados são muito mais altos, então as pessoas devem ter um poder de compra muito superior, certo? Errado. Na maior parte dos anos desde a estipulação de um valor para o salário mínimo, o dinheiro, embora fosse menos, permitia comprar mais, pelo menos no que respeita aos bens essenciais, do que nos dias que correm. O problema é que a moeda foi sempre desvalorizando, fosse escudo ou euro, e os preços subiram sempre e acima do crescimento dos ordenados e prestações sociais. A inflação galopante obrigou até a um acerto do ordenado mínimo duas vezes em 1989: de 27.200$00 para 30.000$00 no primeiro trimestre e 31.500$00 no segundo.

Em suma, os aumentos destes pagamentos sem medidas acessórias obrigou sempre ao aumento dos custos de produção e consequente aumento dos preços dos produtos e dos serviços, alimentando a inflação que pretendia combater. É uma pescadinha de rabo na boca. Um rabo muito inflacionado.

Que podemos concluir daqui? Que aumentar ordenados, pensões e subsídios é absolutamente inútil como forma de combater o aumento do custo de vida se não estiver acompanhado de medidas de combate à inflação. Porém, como é mais fácil e cativa mais o eleitorado, um após outro, é o que os governos têm feito. Pão e circo, meus caros! É-nos dado sempre mais dinheiro por um lado para ser-nos retirado por outro.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Mensagem de Boas Festas do Pombocaca (atrasadas ou adiantadas, conforme o ponto de vista)

 Caros pombos amigos

2025 foi um ano complicado. Todos os anos têm tido a sua dose de atribulação. Contudo, olhando para o panorama quer nacional quer global, ficamos com a sensação de que a situação em geral se tem tornado progressivamente mais complexa e difícil, que tudo se agrava e parece encaminhar-se para situações que não parecem ser os destinos mais desejáveis. A Humanidade permanece em crescente individualismo e egoísmo, anestesiada, alheia a tudo, em progressiva estupidificação e com diferendos e até ódios cada vez mais vincados. Conflitos grassam por todo o Mundo de forma inexplicável e que foge a qualquer linha de raciocínio lógico. Focos de doenças despertam aqui e ali entre humanos e outros animais. Até o clima parece estar a enlouquecer.

Mas nem tudo são más notícias. Há mais de 2000 anos, lá nos lados do Médio Oriente, bem como noutras partes do globo, a situação também não era nada animadora e as condições de vida eram bem mais precárias do que hoje em dia. No entanto, houve sempre quem voltasse as costas a todas as más inclinações, enveredasse pela virtude e tivesse esperança num futuro mais risonho. Essa esperança veio, nascida num pobre estábulo de Belém, e vingou graças à união de todos, desde o gado à família do recém-nascido e a toda a gente que afluiu ao local. A esperança fez acreditar em Jesus, fê-lo tornar-se homem e espalhar a sua mensagem de paz e harmonia. Nem sempre a mensagem foi bem interpretada e transmitida, é inegável, mas não foi perdida e se conseguiu trazer o bem a pelo menos uma pessoa ou um lugar, então já terá servido para alguma coisa, nem que seja para criar mais esperanças de que, se resultou naquela ocasião, porque não há-de resultar noutras? 

Neste ano que passou, muito se falou de inteligência artificial. Vou deixar aqui uma sugestão. E que tal se deixássemos de sermos preguiçosos mentais e usássemos a inteligência natural que já temos de origem? Sem dúvida, garanto com todo o grau de certeza que todos nós ficaríamos surpreendidos com o que o Tico e o Teco a faiscar um com o outro são capazes de produzir. Os sistemas de inteligência artificial só produzem aquilo para o qual foram programados mas nós temos pensamento abstracto, em certos casos sob a forma de imaginação, e podemos ir muito além com a inteligência natural. Portanto, usemos os nossos neurónios como criaturas dotadas de esperteza que somos, deixemos de lado as nossas mesquinhices, egoísmos e chico-espertices e pensemos de forma sensata e racional. Será que aniquilar os nossos vizinhos e tudo o que era deles nos trás felicidade? Será que enganar ou roubar outra pessoa vai trazer-nos algum verdadeiro benefício sem nenhuma consequência atrás? Apoderarmo-nos de mais uma Venezuela ou Gronelândia é algum motivo de alegria? Vandalizar, poluir ou maltratar será vantajoso para alguma coisa? Pois se os tortuosos caminhos do mal nunca nos podem levar a nada de bom, porque é que insistimos sempre em seguir por aí? Imaginemos que temos uma horta e precisamos da sua produção para sobrevivermos. Não se desenvolverá uma hortaliça com água e não com gasolina? Então se queremos manter-nos vivos, vamos regá-la com água, que assim sabemos que vamos ter comida para nos mantermos vivos. Com o resto é igual. Como eu disse, usemos a nossa inteligência natural. Arrepiemos caminho ou dêmos as mãos para sair desta estrada. Se a receita de há dois milénios deu resultado, não poderá resultar noutras ocasiões? Quem sabe senão hoje mesmo? Imaginemos sim mas também apliquemos na prática este projecto da nossa mente. Garanto que só dará bons resultados.

Eu sei que já passaram as grandes festas da quadra natalícia e passagem de ano mas pensemos na alegria de todas as pessoas que as puderam celebrar e imaginemos no quão bom seria se toda aquela felicidade pudesse ser replicada em cada dia do novo ano e, quem sabe, da eternidade. Pois se ainda há-de haver muito para celebrar até ao fim dos tempos, então nunca é tarde demais para desejar umas boas festas a todos.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

domingo, 30 de novembro de 2025

Refinada Selecção: Brutto Suave

Já há algum tempo que não publicava nada nesta rubrica. É que o tempo é pouco e a Internet está a fervilhar de tudo e mais alguma coisa, pelo que é difícil seleccionar algo. Contudo, aí há tempos  sugeriram-me o visionamento de um vídeo e, por extensão, de todo um canal de YouTube, o de Brutto Suave. 

Brutto Suave é, evidentemente, o nome artístico por qual é conhecido um rapper e produtor de conteúdos cómicos que ficou muito recentemente conhecido pela criação de vídeos, supostamente produzidos por inteligência artificial, em especial o «Marquês», relativo a José Sócrates, o «Isto Não É o Bangladesh» e, claro, o «Cripto-Moedas». Para além disso, teve tanto e tão súbito sucesso que deu origem a uma linha de produtos comerciais relacionados com estas paródias, em geral peças de vestuário.

Os vídeos começam ou acabam com a seguinte mensagem ou são por ela acompanhados:

«As personagens deste vídeo, embora baseadas em pessoas reais, são ficcionais e foram criadas através de técnicas ultra-avançadas de I.A. apenas acessíveis a meia-dúzia de humanos.»

Como se não bastasse, e ainda na sequência do artigo que anteriormente publiquei sobre inteligência artificial, o homem continua a fazer verdadeiro serviço público num vídeo em que coloca André Ventura e Mariana Mortágua muito amigos e a advertir os espectadores a terem cuidado e serem críticos para com aquilo que vêem porque nem tudo o que há na Internet é real, muito é ficção e pode induzir em erro. O exemplo dado é aquele mesmo vídeo, de entre os outros do canal.

Também achei muita piada àquele casal oriental em viagem que se perde pelo caminho, chega a Portugal e dá de caras com um enorme cartaz que diz «isto não é o Bangladesh». Ficam contentes por ver que há um sítio com gente tão simpática que dá logo a indicação de que não é este o lugar aonde eles pretendem chegar, retrocedem e continuam a jornada à procura do Bangladesh.

Então e o de André Ventura e Carlos Moedas no elevador? E de Moedas a telefonar a Marcelo? Ou o da reunião do Chega? Ou da tentativa de José Luís Carneiro, Eva e Joacine tentarem criar um rap mais fixe que os três já referidos? Hilariantes ao máximo!

Claro que os melhores são os raps, só comparáveis aos do canal e verdadeira saga «Epic Rap Battles of History». O primeiro que vi foi o «Cripto-Moedas», que é o que tem mais que se lhe diga.


Fogo, até o boneco é espectacular. Já o vídeo dá azo a tanto riso quanto críticas. Não foram poucas.

Nele, é feita uma paródia em que Carlos Moedas critica directamente o seu antecessor na liderança da Câmara Municipal de Lisboa e se ergue em força apesar de lhe apontarem o dedo por causa do desastre do Elevador da Glória e de ser considerado «um choninhas». 

Aprendi uma coisa com o vídeo: não sabia que Carlos Moedas era de Beja. Quem diria? 

Em grande parte, a paródia faz-se às custas do desastre do Elevador da Glória e talvez a maneira como isso é feito não tivesse sido a mais feliz, até porque, convém lembrar, morreram 16 pessoas e o sucedido foi traumatizante para a cidade e para o próprio Moedas. Mesmo o autarca não é o choninhas armado em mauzão que ali aparece, embora eu compreenda que isso foi concebido para efeitos humorísticos. A cada passo, atira-se contra os estrangeiros e quase que se sente da parte do personagem um certo desprezo para com eles. Talvez o Cripto-Moedas seja assim mas o Carlos Moedas não. Quando se começou a falar em impor limites à imigração, ele foi um dos principais defensores da medida. Foi acusado de tudo e mais alguma coisa mas, como ele próprio disse, tinha legitimidade para opinar sobre o assunto porque a sua esposa é estrangeira. Também não percebi a introdução de Mariana Mortágua e Greta Thunberg, que mais parece Catarina Martins, no vídeo. Aparecem na flotilha a caminho da Palestina, aos beijos e abraços, vem de lá um míssil e rebenta com elas e com os navios. Isso não tem nada a ver com Lisboa ou Carlos Moedas. E depois, se elas jogam ou não noutro campeonato, isso é lá com elas. Enfim, o humor tem de ter limites. Tirando isso, está porreiro! Muito bem feito, com imagens perfeitas de realismo assombroso e perturbador e rimas impecáveis e acutilantes. Se não se conseguir rir ao ver o tele-disco, é inegável que até o maior trombudo soltará sonoras gargalhadas ao ver o Fernando Medina ser surpreendido e bolsar ou ao dar de caras com o Cripto-Moedas. Então e aquela Lis Boa? E as «moedetes»?

Seguiu-se o «Bangladesh». A vaca tourina não está perfeita, parece que foi plantada ali, tem uma luminosidade diferente do resto, mas se esquecermos isso, o vídeo está fenomenal. Até a voz de André Ventura é aqui mais parecida que a de Carlos Moedas no outro acima referido. Houve quem me tivesse dito que Brutto Suave devia ser do Chega. Em entrevista ontem ao Diário de Notícias, ele nega-o. Para mim, não precisava. Neste vídeo, ele faz uma crítica feroz a André Ventura e a Pedro Pinto. Ao primeiro, acusa-o de ser incoerente quando diz que é defensor da família mas depois nem foi sequer capaz ainda de fazer um filho e dá-lhe a entender uma certa taradice ao falar das belas montanhas de Portugal e dando como exemplo as da sua correlegionária Rita Matias. Tanto ele como Pedro Pinto são caracterizados como racistas «embora tenha um guarda-costas preto» (e, se bem me lembro, o braço direito de Ventura no partido há uns anos era um antigo amigo e colega seu de seminário, Luc Mobito, não exactamente branco), sendo que Pinto parecia era ter vontade de matar os estrangeiros. Estrangeiros estes que, note-se, estão sempre sorridentes. Pedro Pinto também aparece a brincar com bonecos de touros e a fazer fífias a vacas. Por último, Rita Matias, que fica presa na cozinha, o que me parece um ataque ao Chega, chamando-o de partido machista. A própria, quando não surge como vítima, está sempre em pose de vaidosa e armada em vedeta. Portanto, muito me espanta um chegano fazer um vídeo destes, a não ser que fosse um opositor à presente liderança. Não. Logo na altura achei que era só alguém a fazer humor sobre política, nada de mais.

O «Marquês» foi o último que vi e é tão acutilante a José Sócrates, o «Dono Disto Tudo», e Ricardo Salgado como a Luís Montenegro, entre outros. A produção está, a todos os níveis, soberba e épica. Até teve direito a cantora lírica com capacete cornudo e tudo! Numa breve expressão muito à Sócrates: porreiro, pá!

Crítica, arte e humor em altos níveis. Porém, como o autor frisa a cada instante, é tudo ficção em prol de entretenimento, mais nada. Não consta que alguém tenha levado a mal. O Chega até aproveitou uma estrofe de um refrão para ilustrar um cartaz de campanha: «isto não é o Bangladesh».

Aguardaremos todos, creio eu, as próximas paródias. É que o que faz falta é animar a malta!

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Inteligência artificial ou parvoíce natural?

 Há tempos, foi noticiado algo de inédito na História da Humanidade. Resta o futuro responder à minha dúvida quanto a se será uma curiosidade histórica ou um marco histórico. A Albânia passaria a ter uma ministra responsável pelos contratos públicos. Chama-se Diella, nome que quer dizer «Sol» em albanês, está em funções desde Janeiro como assistente e desde Setembro como ministra e a intenção é a de livrar os contratos públicos de qualquer forma de corrupção e tornar os processos o mais transparentes possível. Mas em que medida isto pode funcionar ou ter relevância global? É que a Dona Diella não existe fìsicamente, é um programa informático que funciona por inteligência artificial.


 

Este acontecimento veio agravar alguns dos meus receios. Compreendo a intenção de isentar os procedimentos de influências humanas. Bem sabemos que, como diz o provérbio, «quem mexe no mel, lambe os dedos», ou seja, que há sempre quem aproveite o tratamento de certos assuntos dos quais é responsável para beneficiar alguém ou mesmo ele próprio. Neste aspecto, este tipo de «utensílio virtual» até pode ser bastante proveitoso. Porém, tem as suas restrições. Não estaremos também assim a ignorar uma capacidade muito humana de resolução de problemas? Os automatismos, sejam máquinas ou programas informáticos, estão programados para agir de determinada forma e esta acção é limitada por aquilo para o qual foram concebidos ou pela programação que lhes foi dada. Portanto, a sua forma de desempenhar funções e resolver problemas é restrita. Ao invés, a mente humana pode ter limitações físicas e de conhecimentos mas tem a capacidade de agir segundo uma forma para a qual não foi programada. E isto porque tem imaginação, pensamento abstracto e capacidade de adaptação a uma situação. Daí deriva a arte, uma certa maleabilidade para apreciar e agir e o génio inventivo. E isto, por muito bem preparado e programado que seja, um automatismo jamais poderá fazer pois só faz aquilo para o qual foi programado fazer. Estaremos nós, humanos, a ficar tão alheios à realidade e estupidificados que nem confiamos uns nos outros para nos regermos a ponto de entregarmos o poder a entidades virtuais?

Durante décadas, assistimos todos a filmes e livros de ficção científica, como o «Exterminador Implacável» ou o «Matrix», por exemplo, em que a Humanidade se via dominada e perseguida por máquinas. Ao longo de todos esses anos, divertiamo-nos com eles por não passarem de mera imaginação e entretenimento. Com o passar do tempo, a tecnologia foi evoluindo e trazendo à realidade algo que pertencia ao domínio da ficção. Neste último ano então, a inteligência artificial conheceu um avanço espantoso e fez-nos ver que aquilo que até há pouco tempo só existia no imaginário agora é a realidade dos nossos dias.

Têm-se levantado vozes de alerta face a estas novas tecnologias. Em primeiro lugar porque a evolução tecnológica tem sido tão repentina que não consegue acompanhar o progresso das mentalidades, o que gera sempre situações perigosas. Para além disso, tanto estas novas tecnologias nos facilitam a vida que nos tornam ociosos, mesmo preguiçosos. Mais: o que há pouco tempo era difícil e demorado fazer em programas de som e imagem gerados por computador, hoje é relativamente simples e rápido com programas de inteligência artificial. E é, em geral, perfeito. Fazem um tão esplêndido serviço que chegámos ao ponto de, nos audiovisuais, mal conseguir distinguir o que é real do que é ficção. Aliás, uma parte considerável dos conteúdos da Internet é fictício. Ao ritmo crescente, estima-se que, daqui por cerca de cinco anos ou pouco mais seja mais de 90%! Isto coloca um problema, pois a veiculação de informação falsa possa levar a conhecimentos e conclusões errados, condicionando assim o comportamento das pessoas e, consequentemente, as suas vidas, as eleições, as acções governativas e militares e o funcionamento da economia. E nós aqui, sem darmos por isso e ainda agradecendo aos gingarelhos e programas informáticos por fazerem tudo por nós. 

Outros então têm curiosidade ou pura vontade ou interesse, seja económico, político ou militar, em que a inteligência artificial progrida e desvalorizam os receios daqueles que acham que devem haver limites.

Estaremos nós, humanos, a ficar tão alheios à realidade e estupidificados que nem confiamos uns nos outros para nos regermos a ponto de entregarmos o poder a entidades virtuais? Posso estar enganado e espero que sim mas penso que não vai ser nada engraçado quando alguma «entidade» de inteligência artificial chegar ao raciocínio lógico segundo o qual nós somos geríveis como gado ou produtos fabris ou à conclusão de que nós somos uma ameaça para o planeta e precisamos de ser erradicados.

Não se delimitem fronteiras de acção, não, e logo veremos o que nos acontece.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Chega de comissões... e campanhas

A A.D. e o P.S. chumbaram as propostas do Chega e do Bloco de Esquerda para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar os incêndios de 2017. De nada serve pois o partido de André Ventura pretende forçar a formação da comissão por via potestativa.

Já que se fala em Bloco de Esquerda, está a passar por uma fase de convulsão e ameaça desintegrar-se. O mesmo com o P.C.P. que, por mão do seu braço inter-sindical, a C.G.T.P., e, em parceria com a U.G.T., pretende fazer o país avançar para uma greve geral que soa a duvidosa e inexplicável. É que se a proposta de alteração ao Código de Trabalho é insatisfatória, temos de recordar que as negociações continuam, pelo que não é legítimo agir de má fé, como as centrais inter-sindicais o têm aparentemente demonstrado. Para além dos trabalhadores e utentes em geral, como é costume, e também os trabalhadores, quem se lixam são estes dois partidos, já de si agarrados a ideias desconexas da realidade e por consequência em queda livre. Também, não se perde nada.

O Governo também tem literalmente descarrilado em vários aspectos. Apanhou uma certa «febre costina» e deu-lhe para variar, no sentido enfermo do termo, com a privatização da T.A.P., logo agora que era lucrativa. A Saúde, considerada sector prioritário e para a qual eram prometidas medidas e melhorias em escassos meses, continua a agoniar. De experiência em experiência, ou melhor dizendo, de punhado em punhado de areia para os olhos, o Serviço Nacional de Saúde vai-se encaminhando para o colapso e subsequente extinção. E o mesmo alerto eu para a Segurança Social, meus caros. Mais uns anos e não haverá torrente de brasileiros ou indianos e afins que a possa valer. Que faz o Governo? Avança com uma reforma às chefias da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, que vai passar a ter dois comandos, uma estupidez acerca da qual eu já tinha falado, não é Senhor Henrique Pereira dos Santos? Insiste numa ligação de T.G.V. a Espanha que, não sendo má ideia (e não passa disso, de ideia), não trás grande benefício em tempo de viagem e exige uma gigantesca despesa, a qual podia ser gasta ou em poupança ou na manutenção e recuperação da rede ferroviária que já existe e suas valências de apoio. Bate também na tecla do novo aeroporto para Lisboa, quando já há o desaproveitado de Beja, e ainda fala num outro novo, desta vez militar, que substitua o de Figo Maduro, vai-se lá saber porquê. A sorte é que a falta de dinheiro crónica e a obsessão com o défice e o excedente vão permitir que os nossos governantes sosseguem com os seus bichos carpinteiros. Como se não bastasse, perante a previsão de uma descida considerável do preço dos combustíveis, o Governo ainda descongelou há dias o imposto sobre produtos petrolíferos, anulando em grande parte esta quebra.

Está bem, sim senhores. É no meio deste circo, com umas pitadas de futebóis e debates eleitorais como de costume vazios de conteúdos que o país continua a afundar-se. Por este andar, o Chega nem precisa de fazer campanha nas próximas eleições legislativas. Não fosse as pessoas terem memória curta e seria trigo limpo.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

domingo, 5 de outubro de 2025

Nada recomendado: MEO

 Nunca fui grande adepto de telemóveis nem fiz grande questão de ter um. Porém, já há cerca de 25 anos, mais ou menos, ofereceram-me um. Estava ele vinculado à T.M.N. e tinha um tarifário que me servia perfeitamente, uma vez que era raro telefonarem-me e ainda mais eu telefonar a alguém. Era o Paco, sem carregamentos obrigatórios e apenas como única obrigação fazer uma despesa mínima, fosse em chamada ou mensagem, a cada três meses, caso contrário, o cartão seria bloqueado. Mesmo assim, isso aconteceu-me pelo menos duas vezes, sendo que numa delas o tive assim durante cerca de um ano até o ir desbloquear. Entretanto, a T.M.N. foi absorvida pela MEO, pertencente ao grupo Altice, e tudo mudou. Passei a pagar primeiro 50 cêntimos e depois 1 euro por mês e os custos das chamadas e das mensagens foram subindo de forma galopante. Ao mesmo tempo, o trabalho obrigou-me a contactos cada vez mais frequentes. O bom do Paco tornara-se incomportável.

Entretanto, este ano fui contactado pelos serviços da MEO. O Paco estava em processo de extinção e, como eu era um cliente antigo, sugeriam-me um outro serviço, o Uzo, por 5 euros por mês e condições muito vantajosas para mim. Não tendo opção, aderi. Tudo funcionou bem, apesar do aumento, dois ou três meses depois, para 6 euros por mês, até ao dia 9 de Julho. Já há cerca de um ano e meio, pouco mais, que eu era insistentemente contactado por empregados da empresa a querer convencer-me a adquirir pacotes de serviços, os quais eu sempre recusei, até porque não tinha possibilidades quer técnicas quer de disponibilidade quer monetárias para tal e nem sequer vontade disso. Alguns funcionários foram simpáticos e cheguei até a conversar alegremente com eles sobre tudo menos aquilo que eles me pretendiam vender. Outros, mais sérios, tentaram afincadamente mas sem sucesso impingir-me os serviços. Outros ainda foram tão arrogantes que eu nem hesitei em mandá-los passear da forma mais educada que consegui. Porém, a situação era chata pois tive alturas em que quase todos os dias ou até várias vezes por dia era era interpelado por empregados da MEO e deixei de atender chamadas de números que não conhecia, o que foi um problema porque às vezes telefonavam-me nestas condições, eu não atendia e tinha problemas. Consequência: tive de voltar a atender todas as chamadas.

No dia 8 de Julho, logo a seguir ao almoço, nova chamada que verifiquei ser da parte da MEO. O empregado, que não vou nomear, foi simpático e bastante esclarecedor. Dele não tenho, à partida, qualquer razão de queixa. Como é procedimento habitual, identificou-se, perguntou se eu estava satisfeito com o serviço e tinha algo a dizer quanto a isso e «aproveitou a ocasião» para apresentar uma proposta de pacote de telemóvel, telefone fixo, televisão e Internet. Mais uma vez, como fizera aos seus inúmeros colegas antes, expliquei a minha situação e recusei a proposta que ele me fazia, até porque, para princípio de conversa, nem sequer tenho rede no lugar onde moro. Perguntou-me qual era a minha morada pois queria verificar esse dado. Aproveitei para actualizar um dado a isso referente. Depressa concluiu que não havia rede ali, a não ser por satélite. Propôs-me, ainda assim, que, uma vez feita uma instalação, se eu associasse um segundo número móvel ao pacote, que ele seria mais barato. Eu disse-lhe que não podia aceitar pelas razões já apresentadas mas, ainda assim, pedi-lhe que, se ele quisesse, que me mandasse a proposta pelo correio ou e-mail e que, se ela se mantivesse quando houvesse possibilidade para isso, então voltaríamos a falar. Dizia-lhe eu isto porque havia comigo quem necessitaria de um serviço para fins profissionais e tinha o número de telemóvel vinculado ao contrato do seu local de trabalho, do qual pretendia sair. Porém, eu tinhade falar com esta pessoa primeiro. Eu jamais poderia decidir por ela. Quis ele verificar o titular desse contrato e pediu-me o número, o qual eu dei. Fez a verificação e concordámos os dois nestes termos: que ele me enviaria a proposta e esta ficaria como um contrato em suspenso para que, uma vez estando tudo conversado entre mim e a outra pessoa e estando ela de acordo, havendo mais tarde condições para instalar o serviço e ainda se mantivesse esta proposta de pé, tratarmos de tudo e procedermos à instalação e activação do contrato deste serviço. Tudo bem.

No dia seguinte, 9, tanto eu como a outra pessoa a que me refiro começámos a receber mensagens da parte da MEO felicitando-nos por termos aderido ao pacote que me tinha sido proposto no dia anterior e com a data da instalação dos equipamentos e tudo. De facto, os contactos do telemóvel dessa pessoa passaram a se apresentar como se fossem os do meu próprio. Telefonei ao funcionário que me tinha contactado e expliquei-lhe a situação, pois eu achava que, de certeza, teria havido um engano, uma qualquer falha processual. Logo me explicou o funcionário tudo tim-tim por tim-tim duas vezes «para que não haja qualquer dúvida», como ele me disse: que quando é feita uma proposta de contrato, seja para concretizar logo ou ficar em suspenso, ela é automàticamente enviada para o serviço que trata da instalação dos dispositivos e que, quanto ao resto, eu não me preocupasse pois enquanto não houvesse aceitação dos termos do contrato e instalação dos aparelhos, o contrato nunca vigoraria e, vencendo o prazo do tarifário que eu já tinha, o Uzo, tudo regressaria ao normal, como se nunca tivesse havido o que quer quer fosse. Impecável, fiquei satisfeito, assim como a pessoa cujo número de telemóvel tinha ficado associado ao meu contrato.

Os dias seguintes foram uma tormenta. A cada passo tentavam telefonar-me e mandavam-nos mensagens para confirmarmos a aceitação do serviço. Uma vez, esperava um telefonema importante que há muito aguardava e saiu-me outro empregado da MEO com outra proposta. Expliquei-lhe também a situação mas ele parece nem ter ligado pois ainda me adiantou que faria uma proposta melhor que a do contrato que eu tinha firmado com o colega dele, proposta esta que era uns 20 euros mais cara. De nada adiantava eu dizer-lhe que não havia contrato nenhum. Farto, desliguei-lhe o telemóvel na cara mas ele telefonou-me de novo! Ao invés pessoal da instalação dos dispositivos é que parecia ter bom senso. Expliquei tudo também à técnica que me contactou e ela compreendeu a situação e desejou-me um bom dia.

Dirigi-me a um estabelecimento da MEO assim que me foi possível. Não nos foi possível resolver a situação pois ali não tinham competências para isso. Entretanto, a situação das mensagens e telefonemas manteve-se. Até a mesma empregada da instalação voltou a contactar-me talvez semanas depois da primeira vez e voltei a expor os factos, para nova concordância dela.

- Se calhar é melhor eu cancelar o pedido de instalação. - sugeriu-me ela, ao que eu lhe respondi com um «sim, por favor» quase de súplica. Certo dia, sem contar com as mensagens, tentaram contactar-me 14 ou 16 vezes, nem me lembro já. A gota de água chegou quando, sem qualquer aviso, os nossos serviços foram cancelados e substituídos por tarifários pré-pagos. Enquanto não largássemos mais dinheiro, não teríamos direito a telefonemas, mensagens e outras disponibilidades. Decidimos que nem mais um tostão iria para aquela empresa que tanto maltratava os clientes que a sustentavam. Chegara a hora de pôr um ponto final na situação. A MEO já não era o MEU operador.

Procurámos outras empresas, pesquisámos por tarifários e pela cobertura de rede na nossa região e fizemos então a nossa escolha. A 10 de Agosto, fomos fazer cada um o seu novo contrato numa outra operadora.

A MEO nada tem a ver com a boa velha T.M.N.. Há muitos anos que, verdade seja dita, também talvez por ser a maior operadora de telecomunicações de Portugal, é aquela contra a qual maior quantidade de queixas tem. Nunca tive motivos de maior até esta situação, embora ouvisse muitas histórias. Agora que passei por isto, interrogo-me. Que espécie de empresa é esta com procedimentos automáticos que desrespeitam a vontade do cliente? Em que é fomentada a competição entre os empregados, que se degladiam entre si para roubar clientes uns aos outros? Em que não há comunicação uns com os outros? Em que os clientes são constantemente importunados, atormentados até, e explorados até à exaustão? Em que se alteram ou se põe termo aos contratos e serviços sem autorização nem sequer conhecimento dos clientes? Isto não é maneira de uma empresa laborar! Contudo, por uma coisa tenho muito a agradecer à MEO. É que, se não se tivesse portado mal comigo, eu jamais a teria mandado à fava. E agradeço-lhe porque mudei para melhor. Hoje estou satisfeito com o singelo mas fiável e barato serviço que tenho. Agora só espero que este operador seja tão meu amigo como diz que é. Com muita sorte, daqui por outros 25 anos logo direi de minha justiça, se eu ainda continuar a calcorrear este mundo.

Conselho a quem queira subscrever um serviço de telecomunicações: MEO NÃO, NÃO RECOMENDO. E a quem tenha um serviço da parte dela, fuja enquanto é tempo. Cartas e sinais de fumo são mais fiáveis do que aquilo.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Parabéns Portugal!

 Caros amigos, espero que este feriado esteja a ser bem usufruído por todos. Hoje é 5 de Outubro. Fazem hoje 882 anos que foi estabelecido o Tratado de Zamora, segundo o qual Afonso VII, Rei da Galiza, de Leão e de Castela e auto-proclamado Imperador da Hispânia, reconheceu Portugal como reino e Dom Afonso Henriques como o seu rei. A intenção era outra mas, na prática, este acordo resultou na independência de Portugal.  Quer isto dizer que o nosso país está de parabéns. E que parabéns! Como é que um país não só aguentou tanto tempo como ainda se mantém apesar de não ter nem fronteiras efectivas nem moeda própria nem classe governante que se aproveite nem autoridade central nem soberania de facto e ainda ter serviços públicos que ou quase não funcionam ou não funcionam mesmo ou nem sequer já existem, produtividade e economia quase nulas, metade do seu território ao abandono e uma terça parte que nem se sabe a quem é que pertence e um povo em evidente declínio numérico e qualitativo, caído em vícios e distracções, com a língua fortemente corrompida, quase sem cultura própria nem amor próprio nem sentido de auto-preservação e a caminhar para a rápida extinção? Só mesmo um país notável aguentaria uma coisa destas. Parabéns Portugal!

Ah, é verdade, também dizem que a República foi implantada há 115 anos. Que se lixe a República!

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

sábado, 6 de setembro de 2025

Zarolhos de Água: O Espelho de Gulliver

 Há uns tempos, estava eu a ver um filme no qual participava Mary Steenburgen (que, para quem não se lembra, fazia, entre outros, o papel de Mary Clayton, a professora que viria a ser a esposa do Doc no «Regresso ao Futuro III») e tive uma espécie de epifania. Acontece que ela também participou na versão que a maioria de nós conhece da adaptação televisiva ao romance «As Viagens de Gulliver», de 1996, gravada em parte em Portugal, na qual ela interpreta o papel de, imagine-se o nome original, Mary Gulliver. Mary Steenburgen, Mary Clayton, Mary Gulliver. Profissão: intérprete de Marias. De facto, há mesmo muitas Marias no Mundo! Depois da parvatagem, avancemos para a sua continuação. Nesta mini-série de dois episódios, ela contracena com Ted Danson, que assume a personagem de Lemuel Gulliver. Ted Danson participou em 102 produções para televisão até agora, se não me engano, mas ficou para a posteridade conhecido pelo seu papel de Lemuel Gulliver. Disso não há qualquer dúvida.




Já passaram uns quantos anos, 29, para ser mais preciso, e Ted, parece nome de ursinho de peluche, sem qualquer sombra de ofensa, antes de louvor, teve a natural mudança que seria de esperar do avanço da idade. E como mudou! Mas a sua imagem de então ficou-me na lembrança de quando a S.I.C. passou o «Gulliver». Acontece que em sou um fã do célebre músico André Rieu, que veio a tornar-se famoso no nosso país escassos anos depois, pouco antes ou depois da viragem do milénio. Quem for a fazer uma comparação entre ambos, ficará espantado como eu fiquei. Esqueçamos o cabelo louro comprido de ambos. Fica-se com a impressão que, ou Ted Danson assumiu outra identidade para se tornar numa estrela dos espectáculos de música clássica e adaptações ao género, ou ele e André Rieu são primos, irmãos... ou quem sabe a mesma pessoa.

Eu sei que as fotografias não são as melhores. Ted Danson não fica na pose mais indicada e André Rieu aqui aparece num retrato relativamente mais recente, não é ele nos anos 90. No entanto, aqui fica o nó na mioleira para dar que pensar, por muito pouco que seja, aos pombos deste pombal de caca.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!


P.P.S.: Recomendo o visionamento tanto da obra de André Rieu como d'«As Viagens de Gulliver». Horas de entretenimento em ambos os casos!

domingo, 31 de agosto de 2025

Tachos para regionalizar fogos

 Há dias, a socialista Luísa Salgueiro, Presidente da Associação Nacional de Municípios, que também dirige a Câmara Municipal de Matosinhos, afirmou que a regionalização permitiria enfrentar melhor  os incêndios e outras situações críticas.

Não percebo em que é que a criação de tachos viria ajudar a acabar com os incêndios. Só se, ao ferver, o caldo derramar-se e apagar o lume. Só pode!

Vamos lá mas é ganhar juízo. A regionalização não resolve nada, só o desemprego dos amigos de quem manda.

Que a caca esteja convosco!



P.S. e outros da mesma ordem de ideias: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Deslizes o caraças!

 Para quem acha que o Pombocaca é um poço sem fundo de estupidez, com toda a razão, aqui vai uma pitada de seriedade para dar um ar de vestigialmente pseudo-intelectual a este recanto fecal da Internet. Eu, que há muitos e longos anos cursei nas áreas das Ciências, quando era pouco mais que um girino, muita utilidade viria eu a achar nestes dados sendo já um batráquio plenamente feito e coachador. Quão ingénuo era...

De certeza que toda a gente já ouviu falar de histórias ou conhece mesmo gente que nasceu ou teve filhos fruto daquilo a que se chama um "deslize". Ora eu, do alto da minha idade, que já se adianta avondamente, posso garantir que muitos ou todos dos que falam usando esta desculpa são mentirosos. Senão vejamos. Quando eu era jovem e até já mesmo adulto, pensava que isto da gravidez era quase tiro e queda mas afinal o atirador é decerto zarolho pois podem haver muitos tiros que a queda pode acontecer ou não. 

Sabendo que:

- a probabilidade de uma mulher jovem e saudável poder engravidar é apenas de 20% em cada ciclo menstrual;

- estas hipóteses diminuem com a idade e têm uma quebra acentuada depois dos 35 anos de idade e ainda se reduzem mais com o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco e drogas e com a obesidade;

- os espermatozoides têm um período de vida de cerca de cinco dias que pode ser superior ou inferior mas que o óvulo apenas está apto à concepção durante um dia ou menos;

depressa se chega à conclusão de que, exceptuando casos de invulgar fertilidade da mulher, a ocorrência de uma gravidez é mais do que uma sorte ou um acaso, é quase um milagre. Portanto, das duas uma: ou aqueles que alegam gravidezes com base em "escorregadelas" tiveram mesmo uma pontaria fantástica ou o que aconteceu não foi exactamente um deslize mas sim um campeonato de patinagem.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Sugestão de pena para incendiários

Como de costume, temos tido o nosso país outra vez a ser devastado pelas chamas. Todos nós sabemos que muitos incêndios têm origens naturais, outras em acidentes e outras em negligências. Porém, ninguém venha dizer que uma fatia considerável do que se passa não é causado por criminosos, que toda a gente, sem excepção, sabe perfeitamente disso. Nestes termos ponho-me muitas vezes a pensar, com a mente tolhida pela revolta para com estes comportamentos delinquentes e tento manter a racionalidade para tentar pensar o que fazer com aqueles que atentam contra tudo e todos puxando fogo ao nosso mundo. Certa manhã, estava eu absorto nestes pensamentos quando num ápice fui iluminado por uma solução hipotética para este dilema. Eis a minha proposta quanto a como castigar incendiários, dentro dos quais incluo os seus mandantes.

 Imagino o seguinte. Vamos supor que era eu a mandar. Alteraria radicalmente a lei. Em primeiro lugar, acabaria com o cúmulo jurídico. Todos estamos de acordo que, por exemplo, não faz sentido punir de igual modo quem mata um e quem mata cem, certo? Depois, o crime de fogo posto passaria a ser punido com um tanto em prisão e multa por hectare de área ardida mais as agravantes correspondentes às infra-estruturas danificadas e/ou destruídas. A esta pena, acrescentar-se-ia a multa correspondente à área ardida e aos bens destruídos e/ou danificados e às indemnizações aos lesados pelas mesmas razões. Para além da pena de prisão e multa, teria ainda a obrigação de replantar o arvoredo nas áreas afectadas e participar nas limpezas e recuperação dos bens danificados e/ou destruídos e, se tivessem havido feridos e/ou mortos, custear todas as despesas de tratamento e/ou funeral e assistir pacientes em unidades de queimados.

De certeza que pensariam duas vezes antes de puxarem fogo ao que quer que fosse, tal não seria o encargo com que ficariam, porventura perpétuo. Infelizmente, tais medidas nunca serão tomadas, visto que os interesses são muito poderosos, tanto que condicionam governos, não tenho a menor dúvida.

De facto, para que, sendo eu a mandar, uma norma destas fosse instituída, seria preciso que eu instaurasse uma ditadura, uma vez que jamais a Assembleia da República a aprovaria. Ora uma ditadura é algo que nenhum de nós deseja, espero eu.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

domingo, 3 de agosto de 2025

Governo sem pára-quedas... nem médicos...

 Depois de um primeiro mandato, incompleto, em que o Governo de Luís Montenegro se assumiu como tão esquerdista ou direitista como o de António Costa, e em que até não esteve nada mal, eis que chega ao segundo mandato, que pelos vistos também vai ficar incompleto, e começa logo a descarrilar, ou melhor, a despenhar. Esqueçamos para já as questões relativas às novas leis dos estrangeiros, que são pouco mais que meras manobras de diversão. Como se não bastasse o Governo parecer estar a dar o não é não por não dito, ainda há a situação cada vez mais grave no Serviço Nacional de Saúde. Num mês resolver-se-ia o problema? Pois já lá vão anos sem que a decadência se atenue. Aliás, está tudo pior a caca dia que passa. Temos também um regresso em peso às malfadadas parcerias público-privadas, cujos resultados já se constatou nem sempre serem os melhores para o Estado e, consequentemente, para os contribuintes. Depois, contagiado pela súbita e inexplicável febre que acometeu o executivo anterior, decidiu privatizar a T.A.P., agora que já estava a dar outra vez lucro. Temos agora a habitual época de incêndios em que, como de costume, tudo e mais alguma coisa vai arder, prejuízos e tragédias multiplicar, vão-se fazer estudos e na prática vai ficar tudo na mesma, só com mais uns quantos eucaliptos. Também aqui chegou outra maleita: a das evacuações. É só evacuar, evacuar, parece que está o país a levar com um clister e depois é a limpeza total. Por este andar, Luís Montenegro e o seu colectivo têm os dias contados e o conto só não é de maior brevidade por causa das limitações que a Constituição confere aos primeiros e últimos seis meses dos mandatos do Presidente da República. Senão, caso contrário, no princípio do ano que vem iríamos todos outra vez para eleições. Mais digo: que os políticos em geral e alguns de entre a comunicação social estão de parabéns. Isto, claro, se a intenção é conduzir o Chega ao poder.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

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AVISO IMPORTANTE: DADO O ELEVADO TEOR EM EXCREMENTOS CORROSIVOS, NÃO SE RECOMENDA A VISUALIZAÇÃO DESTE BLOG EM DOSES SUPERIORES ÀS ACONSELHADAS PELO SEU MÉDICO DE FAMÍLIA, PODENDO OCORRER DANOS CEREBRAIS E CULTURAIS PROFUNDOS E PERMANENTES, PELO QUE A MESMA SE DESACONSELHA VIVAMENTE EM ESPECIAL A IDOSOS ACIMA DOS 90 ANOS, POLÍTICOS SUSCEPTÍVEIS, FREIRAS ENCLAUSURADAS, INDIVÍDUOS COM FALTA DE SENTIDO DE HUMOR, GRÁVIDAS DE HEPTAGÉMEOS E TREINADORES DE FUTEBOL COM PENTEADO DE RISCO AO MEIO. ISTO PORQUE...

A CACA DE POMBO É CORROSIVA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!