Os nossos governantes ao longo dos tempos têm feito muitas coisas boas, verdade seja dita. Contudo, também têm sido prodigiosos, principalmente em não saberem publicitar as coisas boas que fazem, em defenderem como excelentes ideias ou medidas que, logo à partida, só podem dar mau resultado, em ignorarem estudos, advertências e propostas, mesmo quando provenientes de grupos incumbidos para tal pelos próprios governos, e em fazerem asneiras. O mais recente exemplo disso é o que se tem passado com as correcções dos exames escolares.
Até agora, os enunciados dos exames eram feitos em papel, transportados por agentes das autoridades em pacotes selados e entregues aos alunos. Estes preenchiam os cabeçalhos das folhas de prova, que contêm as identificações dos alunos, e respondiam nelas às perguntas dos enunciados. Uma vez terminados os exames, as folhas de prova eram recolhidas, colocadas em pacotes que eram selados, entregues às mesmas autoridades e transportados até aos locais onde eram destacados os cabeçalhos e distribuídas pelos professores encarregues das corecções. Nunca se sabia assim a quem pertenciam os exames e a avaliação seria imparcial. No final, estando feita a correcção e dada a avaliação, as folhas de prova eram reenviadas aos locais de proveniência e reunidas aos cabeçalhos para que se soubesse a que aluno correspondia determinado exame e respectiva nota. Por fim, comunicava-se à escola a pauta de notas dos alunos. Fácil, tão rápido quanto possível e eficaz.
Isto é simples demais, não é? Só que não trás ganho a ninguém. Porque não complicar um bocadinho, de preferência de forma a que alguém fique a lucrar com o processo? Ainda por cima, este governo parece estar contagiado por uma certa socratite, e digo isto no sentido de que dá ares de ansear dar continuidade ao «choque tecnológico», seja de que maneira for e em que área for.
Há algumas semanas, foi ensaiado um novo método, com o envio dos enunciados e a resposta de forma digital. Deu asneira pois logo apareceram imagens dos enunciados, indício de que piratas informáticos tinham acedido aos exames prèviamente. Mas o Governo não se ficou por aqui.
Como se não bastassem as advertências face à balbúrdia gerada por uma experiência-piloto com os exames de Filosofia do ano passado, o Ministério da Educação ainda assim insistiu em generalizar um novo método de correcção. Os enunciados dos exames chegaram às mãos dos alunos como era costume mas desta vez, quando acabados, as folhas de prova eram recolhidas, digitalizadas e enviadas para os endereços designados, onde depois seriam distribuídas para os correctores. Tudo isto, claro, à responsabilidade de uma empresa, que ninguém para além dos nossos governantes sabe qual, à qual o serviço foi concessionado ou sabe-se lá que outra modalidade contratual.
Tendo em conta que a necessidade de usar aparelhos para a digitalização implica custos energéticos e materiais acrescidos, que este processo está dependente da manutenção de boa rede e energia eléctrica, que o sistema se tem mostrado vulnerável à pirataria informática, que exige mais pessoas a manusear as folhas de prova e os seus conteúdos tanto na forma física como digital e ainda técnicos informáticos para manter o sistema a funcionar, que o processo se torna consequentemente muito mais demorado e que podem não haver meios na esmagadora maioria das escolas para levar a cabo estas tarefas, é de crer que qualquer pessoa com apenas dois neurónios a faiscar na sua cabeça depressa chegue à conclusão que isto tinha tudo para só poder correr muito mal. E foi, previsìvelmente, o que aconteceu.
Por bem menos do que isso, uma antiga ministra da Educação foi pressionada a demitir-se, em 2004. O problema é que tudo isto era perfeitamente evitável. Olhando para esta trapalhada, apenas três perguntas me ocorrem.
1 - Para quê inventar? Se o sistema é bom e funciona, para quê alterar? «Em equipa vencedora não se mexe!
3 - Quem é que será que achou que complicar um método simples desta maneira seria boa ideia? É que vê-se logo que não é!
2 - Que empresa teria ficado a ganhar com isto tudo? Aceitam-se palpites. A mim, que sou um perfeito ignorante e não tenho qualquer relação com os intervenientes ou com a matéria, fico a pensar se não haverá ligação a algum governante ou uma qualquer empresa «viva».
Em suma, o Governo chumbou no exame. Fico a pensar se não aguardará passivamente o chumbo também no Orçamento de Estado para 2027 para ser expulso da escola.
Que a caca esteja convosco!
P.S. (que não se está a revelar melhor): NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!
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