domingo, 11 de janeiro de 2026

Poitas da estrada

 Queria só deixar aqui um breve apontamento, uma tentativa de obtenção de esclarecimento a uma dúvida que eu tenho, embora algo me diga que vou ficar na mesma. Não sei como é que tem sido nas vossas áreas de residência mas, no percurso que eu costumo fazer habitualmente, este ano passado começaram a proliferar uma espécie de lombas que em vários casos vieram substituir as pré-existentes. Descobri recentemente, hoje mesmo, para ser franco, que se designam por «lombas berlinenses» mas eu sempre lhes chamei de «poitas da estrada». As lombas habituais costumavam ser, pelo menos por aqui, tiras de alcatrão ou pedra que se elevavam do pavimento ou de borracha que eram aparafusadas ao pavimento. Em qualquer dos casos, iam dum lado ao outro da faixa de rodagem. Entretanto, surgiram as poitas, elevações quadradas de borracha que se aparafusam ao pavimento. Se são berlinenses, então não sei onde é que aquela gente tinha a cabeça. É que os Alemães são espertos, até costumam fazer coisas muito boas, mas aquilo é uma porcaria. É que, como não vai de um lado ao outro da estrada, é prática comum entre a generalidade dos condutores, na qual eu me recuso incluir, contornar esta poita e seguir em frente. O problema é que, para isso, é preciso ou sair para a berma, se a houver, ou entrar em sentido contrário. Deste chico-espertismo resultam uns quantos sustos ou umas marradas à carneiro entre viaturas. De que é que serviu esta bodega? De nada. Nem os veículos abrandaram nem se mantiveram na sua mão. Eu suma, as poitas não cumprem o propósito para que foram criadas e não servem senão para promover o desrespeito às regras de trânsito e causar situações de perigo. As poitas são isso mesmo: poitas, uma bosta.

Por favor, alguém que mande retirar esta porcaria e substituí-la por lombas a sério antes que haja um acidente grave.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

A farsa dos aumentos de ordenados e afins

 Eu creio que já falei deste assunto mas não resisto a voltar a ele para deixar claras algumas ideias que a mim me parecem básicas mas que dá a impressão que talvez não o sejam a muita gente, de entre a qual se incluem os nossos sucessivos governantes, já para não falar em talvez a classe política em geral, a avaliar pela amostragem que temos tido década após década.

Sempre que chega o Ano Novo, é notícia habitual o aumento do custo de vida. Sobe o preço dos alimentos, dos combustíveis, da electricidade, dos transportes, enfim, como dizia a Ti Maria de Vilares, que era criadora de vacas, «tudo aumenta menos o leite do cacete». Consequentemente, ora por iniciativa governamental ora por insistência dos sindicatos, sobem-se os ordenados, as pensões e os subsídios. Este ano, por exemplo, o salário mínimo, que é daquelas coisas que só existem para quem trabalha por conta de outrem e nem sempre, passa para 920 euros, que, na nossa saudosa antiga moeda, são 184.443$44 (para quem não sabe ou não se lembra, cento e oitenta e quatro mil e quatrocentos e quarenta e três escudos e quarenta e quatro centavos). Parece estar a questão resolvida. Porém, estes aumentos não serviram para nada. Não é preciso ser um génio para chegar a essa conclusão.

O aumento de um ordenado, pensão, subsídio ou qualquer outra prestação implica sempre uma despesa extra. Muitas empresas não têm possibilidade de suportar este aumento de gastos e deparam-se com dois caminhos, que são ou a adaptação a esta nova realidade ou o encerrar das portas. Só há três formas possíveis de cobrir ou evitar este aumento de despesa: aumentando os preços dos produtos ou serviços, aumentando a produção e diminuindo os custos. Aumentar a produção consiste em fazer mais produtos ou prestar mais serviços. Para reduzir os custos pode-se diminuir a qualidade dos produtos ou serviços prestados, aumentar a laboração dos empregados ou despedir pessoal. Pode ser empregue uma destas medidas, várias ou todas ao mesmo tempo. Como as matérias-primas e produtos em geral se tornaram mais caros, é difícil aumentar a produção sem que os produtos ou serviços venham a perder qualidade. Aumentar a carga laboral dos trabalhadores e/ou despedir alguns deles é comum mas pode dar azo a chatices com os sindicatos e autoridades. Portanto, o recurso mais comum é o de aumentar os preços dos produtos e serviços. O problema é que, se se aumentam os preços, o custo de produção em particular e o de vida em geral vão também aumentar. Que fazer agora? O mesmo que os governos do meio século que nos antecede têm feito: aumentar salários, pensões, subsídios e tudo o mais por aí a fora. 

Atentemos aos seguintes valores de referência, os do salário mínimo desde 2014.

2014: 845 euros

2015: 505 euros

2016: 530 euros

2017: 557 euros

2018: 580 euros

2019: 600 euros

2020: 635 euros

2021: 665 euros

2022:705 euros

2023:760 euros

2024: 820 euros

2025: 870 euros

2026: 920 euros

Se prestarmos um mínimo de atenção, o salário mínimo tem tido constantes aumentos na medida em que o custo de vida também tem aumentado. O valor estabelecido para este ano é quase o dobro do que havia para 2014. E se deste mês em diante, até ordem ao contrário, o valor em escudos é de 184.443$44, no ano 2000, antes do euro, tinha sido estipulado em 63.800$00, ou seja, hoje é quase o triplo. Quem então ganhava 100 contos por mês, gozava de um ordenado muito bom mesmo ou então tinha-se quase literalmente matado a trabalhar para o conseguir. Em 1990, eram 35.000$00, pouco mais de uma quinta parte do que é agora. Cem contos num mês era impensável para quase todos os trabalhadores do país. Em 1980, eram 9000$00, 20 vezes e meia menos que o indicado para este ano. Quando o salário mínimo foi criado, em 1974, a lei indicava a obrigatoriedade de pelo menos 3300$00, menos do que hoje se recebe por meio dia de trabalho  e perto de um de 66 avos daquilo que passa a ser este ano o valor de referência.

Perante estes dados, uma pergunta vem-nos logo à cabeça. As pessoas deviam ser mesmo muito miseráveis. Se agora os ordenados são muito mais altos, então as pessoas devem ter um poder de compra muito superior, certo? Errado. Na maior parte dos anos desde a estipulação de um valor para o salário mínimo, o dinheiro, embora fosse menos, permitia comprar mais, pelo menos no que respeita aos bens essenciais, do que nos dias que correm. O problema é que a moeda foi sempre desvalorizando, fosse escudo ou euro, e os preços subiram sempre e acima do crescimento dos ordenados e prestações sociais. A inflação galopante obrigou até a um acerto do ordenado mínimo duas vezes: de 27.200$00 para 30.000$00 no primeiro trimestre e 31.500$00 no segundo.

Em suma, os aumentos destes pagamentos sem medidas acessórias obrigou sempre ao aumento dos custos de produção e consequente aumento dos preços dos produtos e dos serviços, alimentando a inflação que pretendia combater. É uma pescadinha de rabo na boca. Um rabo muito inflacionado.

Que podemos concluir daqui? Que aumentar ordenados, pensões e subsídios é absolutamente inútil como forma de combater o aumento do custo de vida se não estiver acompanhado de medidas de combate à inflação. Porém, como é mais fácil e cativa mais o eleitorado, um após outro, é o que os governos têm feito. Pão e circo, meus caros! É-nos dado sempre mais dinheiro por um lado para ser-nos retirado por outro.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Mensagem de Boas Festas do Pombocaca (atrasadas ou adiantadas, conforme o ponto de vista)

 Caros pombos amigos

2025 foi um ano complicado. Todos os anos têm tido a sua dose de atribulação. Contudo, olhando para o panorama quer nacional quer global, ficamos com a sensação de que a situação em geral se tem tornado progressivamente mais complexa e difícil, que tudo se agrava e parece encaminhar-se para situações que não parecem ser os destinos mais desejáveis. A Humanidade permanece em crescente individualismo e egoísmo, anestesiada, alheia a tudo, em progressiva estupidificação e com diferendos e até ódios cada vez mais vincados. Conflitos grassam por todo o Mundo de forma inexplicável e que foge a qualquer linha de raciocínio lógico. Focos de doenças despertam aqui e ali entre humanos e outros animais. Até o clima parece estar a enlouquecer.

Mas nem tudo são más notícias. Há mais de 2000 anos, lá nos lados do Médio Oriente, bem como noutras partes do globo, a situação também não era nada animadora e as condições de vida eram bem mais precárias do que hoje em dia. No entanto, houve sempre quem voltasse as costas a todas as más inclinações, enveredasse pela virtude e tivesse esperança num futuro mais risonho. Essa esperança veio, nascida num pobre estábulo de Belém, e vingou graças à união de todos, desde o gado à família do recém-nascido e a toda a gente que afluiu ao local. A esperança fez acreditar em Jesus, fê-lo tornar-se homem e espalhar a sua mensagem de paz e harmonia. Nem sempre a mensagem foi bem interpretada e transmitida, é inegável, mas não foi perdida e se conseguiu trazer o bem a pelo menos uma pessoa ou um lugar, então já terá servido para alguma coisa, nem que seja para criar mais esperanças de que, se resultou naquela ocasião, porque não há-de resultar noutras? 

Neste ano que passou, muito se falou de inteligência artificial. Vou deixar aqui uma sugestão. E que tal se deixássemos de sermos preguiçosos mentais e usássemos a inteligência natural que já temos de origem? Sem dúvida, garanto com todo o grau de certeza que todos nós ficaríamos surpreendidos com o que o Tico e o Teco a faiscar um com o outro são capazes de produzir. Os sistemas de inteligência artificial só produzem aquilo para o qual foram programados mas nós temos pensamento abstracto, em certos casos sob a forma de imaginação, e podemos ir muito além com a inteligência natural. Portanto, usemos os nossos neurónios como criaturas dotadas de esperteza que somos, deixemos de lado as nossas mesquinhices, egoísmos e chico-espertices e pensemos de forma sensata e racional. Será que aniquilar os nossos vizinhos e tudo o que era deles nos trás felicidade? Será que enganar ou roubar outra pessoa vai trazer-nos algum verdadeiro benefício sem nenhuma consequência atrás? Apoderarmo-nos de mais uma Venezuela ou Gronelândia é algum motivo de alegria? Vandalizar, poluir ou maltratar será vantajoso para alguma coisa? Pois se os tortuosos caminhos do mal nunca nos podem levar a nada de bom, porque é que insistimos sempre em seguir por aí? Imaginemos que temos uma horta e precisamos da sua produção para sobrevivermos. Não se desenvolverá uma hortaliça com água e não com gasolina? Então se queremos manter-nos vivos, vamos regá-la com água, que assim sabemos que vamos ter comida para nos mantermos vivos. Com o resto é igual. Como eu disse, usemos a nossa inteligência natural. Arrepiemos caminho ou dêmos as mãos para sair desta estrada. Se a receita de há dois milénios deu resultado, não poderá resultar noutras ocasiões? Quem sabe senão hoje mesmo? Imaginemos sim mas também apliquemos na prática este projecto da nossa mente. Garanto que só dará bons resultados.

Eu sei que já passaram as grandes festas da quadra natalícia e passagem de ano mas pensemos na alegria de todas as pessoas que as puderam celebrar e imaginemos no quão bom seria se toda aquela felicidade pudesse ser replicada em cada dia do novo ano e, quem sabe, da eternidade. Pois se ainda há-de haver muito para celebrar até ao fim dos tempos, então nunca é tarde demais para desejar umas boas festas a todos.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

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A CACA DE POMBO É CORROSIVA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!