quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Ó compadre não te estiques!

O Governo de António Costa tem tido algumas coisas a que se apontar o dedo. Não tanto na administração em geral do país mas quanto a certos relacionamentos em particular. Primeiro, certas nomeações. Depois, regimes especiais, como o dos administradores da Caixa Geral de Depósitos. Agora, o fim da responsabilização dos autarcas pelos delitos cometidos em funções. Passo a explicar. Se algum autarca causava dano às contas da sua autarquia, tinha de pagar do seu próprio bolso pelo delito cometido, naturalmente. Agora isso acabou.

Esta medida, mais esta, é gravosa em dois sentidos. Por um lado, ajuda a acentuar o clima de impunidade, desresponsabilização e vale tudo generalizado em Portugal. Em segundo lugar, é desprestigiante para o Governo, que fica conotado com um retrocesso civilizacional, mais um, e agrava as desconfianças que há entre todos relativamente a favorecimentos e métodos imorais de livrar delinquentes instituídos de consequências pelas suas más acções. É que se não é, parece. A uma entidade ou governante em particular, não basta sê-lo, há que parecê-lo, e o presente executivo tem dado a entender parecer algumas coisas nada boas, o que não é abonatório para o exercício do poder em Democracia, que assim resvala para terrenos de ilegitimidade. É que, ao contrário do que os políticos dizem, o poder não é legitimado pela eleição mas pelo cumprimento recto e isento do dever e às vezes o Governo peca em parecer, não querendo dizer que o seja, pouco recto e de isenção suspeita. Portanto, é bom que o Governo não se estique e siga o exemplo da mulher de César. Conselho de amigo, sim? É que nós ainda nos lembramos do executivo anterior e não nos apetece tê-lo de volta. E do de Sócrates também, já agora.

Que a caca esteja convosco!


P.S.(nada a ver com o partido, apesar da conversa): NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

O que Trump tem de bom?

Continuando na temática do multimilionário eleito para ser o próximo inquilino da Casa Branca, que é como quem diz o manda-chuva das Terras do Tio Sam e arredores, fica-nos no ar a dúvida: haverá alguma coisa de bom ou bem feito vindo da parte de Donald Trump, depois de uma atitude tão aparentemente alarve na campanha eleitoral? A resposta é... sim! Não não me estou a referir às milhentas piadolas feitas às custas dele, é mais outro género de coisa com piada. Nada mais nada menos que a filha, Ivanka Trump. Há dúvidas? Ora então vejamos.

Continuam a haver dúvidas? Foi ou não foi um bom trabalho? É certo que a menina foi à faca e deu um pequeno retoque mas vi fotografias antes disso e a diferença é quase nula. Ela é mesmo gira. Agora resta ver se a presidência de Donald Trump também será assim tão bem feita e sem levar retoques. «A ver vamos», como dizia o cego.

Que a caca esteja convosco!

P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Vai haver Trump(a)...

Dia 8 foram, finalmente, as eleições americanas e o impensável aconteceu. Aquilo parecia um anúncio de televisão por cabo: «Um tornado de tubarões? Aranhas gigantes de lava? Backstreet Boys ressuscitados num western de zombies? Trump na Casa Branca? Só no SyFy!» Mas desta vez não é ficção com bebida adulterada a martelo, é mesmo realidade. Donald Trump venceu as eleições, numa forma idêntica à de Bush Filho, com menos votos mas mais lugares no Colégio Eleitoral, e será o 45º Presidente dos Estados Unidos da América.

Tal como dizia o título de primeira página de um jornal no dia seguinte, o Mundo acabara de entrar em terrenos desconhecidos. É que nunca se imaginou que o polémico candidato republicano viesse a ganhar o escrutínio, tal não era a feroz e louca campanha por ele protagonizada. Aparentemente machista, xenófobo, racista, bélico e provocador, Trump defendia que se fechassem as portas do país a muçulmanos e talvez pôr os do sítio a mexerem-se para outras bandas, o aumento da muralha com o México devidamente custeada pelo Governo Mexicano, que o aquecimento global era uma tanga inventada para abrandar a economia americana e incentivar a produção industrial chinesa e por aí a fora. De cada vez que abria a boca, saía dali cada ideia louca de bradar aos céus que deixava quem a ouvia a pensar se devia rir às gargalhadas ou ter receio. Rir, definitivamente, pois nunca foi de crer numa vitória sua. Agora que ganhou, tem aparecido com um discurso muito mais conciliador, afável e sensato, o contrário do que é normal. Então em que é que ficamos? Será que Trump é passadinho dos carretos como dava a entender ou será que se apresentava como tal para angariar votos? Desde o Tiririca no Brasil que eu não digo nada mas uma coisa é certa. Aquela animosidade toda entre ele e a Hilary Clinton não era real. Depois da eleição, Trump referiu em várias entrevistas que falou ao telefone com ela e com Bill várias vezes, dando a entender que era comum fazê-lo. Se isso acontece, é porque até são próximos uns dos outros. E não o serão? Ora vejamos só quem foi convidado para o casamento de Trump com a sua presente esposa, em 2005.

Pois é, parece que afinal Clintons e Trumps são amigos!

Se as suas promessas serão mesmo cumpridas e as suas ideias insanas apresentadas na campanha postas em prática ou não, isso só mais tarde saberemos. Contudo, o que é preocupante não é a eleição de alguém aparentemente maluco. Realmente perturbador é que ele tenha sido eleito por causa das suas ideias e propostas malucas. É que, quer Donald Trump acredite mesmo no que afirmou durante a campanha quer tenha apenas feito de conta para dar ao eleitorado apenas o que ele queria ouvir, o facto é que as pessoas votaram nas tais ideias e propostas malucas.

Michael Moore interrogava-se no seu documentário «Bowling For Columbine», em 2002, quanto a se os Ameicanos seriam loucos por armas ou simplesmente loucos. Acho que a resposta está dada. Posto isto, resta-nos navegar em marcha à vista.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Como deveria ter acabado o «Bem-vindos a Beirais»: Versão Taralhouca

Acrescente-se: como não podia deixar de ser.

Eu fui um daqueles que viu o mais recente êxito da ficção na televisão portuguesa: «Bem-vindos a Beirais», a história de um homem, Diogo Almada, que estava a levar uma vida muito enervante, desgastante e atarefada em Lisboa até lhe dar um badagaio que o obrigou a mudar radicalmente de vida se queria continuar a contar a passagem dos dias. Vai daí e mudou-se para Beirais, uma pequena aldeia do interior onde nem por isso teve mais sossego. Vi a série e, como perdi muitos dos episódios, estou a revê-la, mas aquele sentimento amargo continua sempre.

Ao fim de uns loucos 640 episódios, a série teve um final abrupto a 23 de Março de 2016, mesmo os actores não compreendem o porquê, dado o sucesso inesperado à partida, e muitas coisas ficaram em suspenso. E nós, os telespectadores, ficamos naquela. «Quê?! Então e o Moisés fica assim apartado da Patrícia? E a Luna permanece amuada com o Julien por causa dos caracóis do cabelo serem falsos? E o Agostinho safa-se sempre das trafulhices todas? E o Sandro e a Alexandra, noivos desde a primeira temporada, nunca se chegam a casar? Não, isto não pode ser!» E não pode mesmo. Por isso, invocámos o nosso inspirador Quentin Tarantino e deixámo-nos possuir por ele.

COMO DEVERIA TER ACABADO O
«BEM-VINDOS A BEIRAIS»
(VERSÃO TARALHOUCA)

Na agência funerária, Moisés e Joaquim continuam a tratar do principal negócio da empresa, que é o contrabando de mercadoria rasca a preços exorbitantes. Desta vez, estavam nos sanitários da agência a esconder cocaína por detrás dos azulejos e no autoclismo da sanita. Moisés diz a Joaquim:
- Sabes, eu posso parecer assim, poucochinho...
- Parecer? - interrompeu-o o Joaquim - Deves estar a gozar.
- A sério. - insistiu o Moisés - Posso parecer assim mas sou entendido nalgumas matérias e já viajei um pouco. Ainda aí há uns tempos, por exemplo, fui a França. Aquilo lá é porreiro. Até me confundiram com um terrorista islâmico no aeroporto. Fui detido e tudo.
- Francamente, já não há respeito por um cangalheiro... - comentou o Joaquim com falsa preocupação. O Moisés continuou.
- Lá é tudo muito diferente, sabes?
- Diferente? Como assim?
- Diferente. Olha, por exemplo, eles falam francês, nós não.
- Hum... - escarneceu o Joaquim com surpresa fingida.
- E a comida. É tudo diferente, até mesmo nas grandes cadeias de restauração, como na MacDonalds. Sabes como é que eles chamam lá a um Royale Com Queijo?
   E o Joaquim inquiriu o Moisés, franzindo o sobrolho:
- Então ele lá não lhes chamam também «Royale Com Queijo»?
- Não, pá, eles têm lá o Sistema Métrico. - esclareceu o Moisés. O Joaquim estranhou aquilo ainda mais:
- Mas nós também temos o Sistema Métrico.
- Agora que falas nisso... - pensou alto o primo, para revirar de olhos do Quim. - Mas não interessa. Eles lá chamam-lhe... «Croissant».
- «Croissant»? - duvidou o Joaquim, para insistência do Moisés:
- Sim, a sério. Pergunta ao Julien, se quiseres.
   A menção daquele nome irritou o Joaquim e ele demonstrou o incómodo com palavras cheias de desprezo:
- Não quero saber desse... rapazolas. Ele anda aí a papar a minha Luna...
- Andava, - corrigiu o Moisés - que ela anda lá chateada por causa da permanente que ele fazia para ter caracóis.
- Gajas, que é que se há-de fazer? - rematou por fim o sócio mais avantajado.
   Assobiava ele o «Camionista Cantor» quando o primo deixou cair um pacote. Este rompeu-se e eles verificaram que aquilo não era cocaína mas sim farinha Amparo passada do prazo. Raios! Se fosse Branca de Neve com uns cinco anos além do limite ainda conseguiam ludibriar o Turco. Agora assim estavam lixados. Pior: tinham sido enganados pelo fornecedor, o Agostinho. Uma ideia correu-lhes a cabeça: 
- Vamos lixar esse bandalho até os cães cantarem o fado. - verbalizaram em simultâneo.
   Chamaram o Júlio, o Vítor e a Zèzinha e mostraram-lhes um caixão cheio de documentação que tinham conseguido reunir ao longo dos episódios sobre as artimanhas do ex-autarca mafioso e do seu antigo sócio de conluio ilícito, o Fernando.
- Finalmente vamos poder prender o maior meliante de Beirais - afirmou orgulhoso o sargento à Zé.
- Quem, o Homem-Burro ou o Mancha Negra? - procurou esclarecer o Vítor, para desnorte dos restantes presentes.

Entretanto, a Luna lá reconheceu que era uma parvoíce deixar o Julien por causa de uma futilidade. Francamente, deixarem-se por causa de caracóis? O Hélder Agapito, protagonista de Julien, até tem mesmo caracóis! Portanto, foi-lhe pedir desculpas, reataram o namoro e foram passear pelo campo que é para tratarem de uma caracolada... ao natural! Pelo caminho cruzaram-se com o jipe da Guarda a alta velocidade, cerca de 30km/h.
- Para onde irão? - interrogou-se o Julien. A Luna acenou-lhe com os seus cometas e aconselhou-o a não se desconcentrar, quer era para não queimar os caracóis.

Chegados à casa do Fernando, os guardas e os cangalheiros confrontaram-no com as provas enquanto ele mudava a fralda ao filho, já que a esposa estava a tratar da gestão da fábrica. Confirmou os factos, acrescentou mais uns quantos, colaborou com a investigação e juntou-se ao grupo para irem linchar, quer dizer, deter o Agostinho.

Na igreja, o Sandro e a Alexandra estavam finalmente a casar. No momento em que o padre dizia aquela lenga-lenga do se alguém tem algo contra o casório e blá blá blá, o grupo entra de rompante com o jipe pela portada do templo e saem de lá de canhangulos em riste, para susto e espanto geral. Grita o Júlio:
- Mãos ao ar, patife! Estás detido em nome da lei!
O Moisés ainda pôs as mãos no ar mas o Joaquim deu-lhe uma cotovelada e apontou para o Agostinho, que se levantara de entre a multidão que assistia à boda. Entretanto, o ex- presidente da Junta saca de uma metralhadora escondida no casaco e grita para os guardas:
- Ninguém me apanha, aqui mando eu, seus anormais, aberrações, seus, seus... suas aventesmas, estropícios!
O público entra em debandada à medida que as balas esvoaçam de parte a parte. O Moisés atirou-se à Patrícia, gritando o seu nome, e derrubou-a mesmo a tempo de se escapar a uma rajada de balas nas horas dum cacete, as quais ficaram cravejadas no retábulo logo ao lado. Deitados no chão, a Patrícia olhou maravilhada para o seu antigo parceiro de namoro, levou-lhe as mãos à cara e disse-lhe com admiração:
- Moisés, tu salvaste-me a vida!
- É, sabes como é, - disse ele com embaraço - ele indicava «três» com os dedos de forma suspeita, não como nós fazemos. Eu já andava desconf...
Com um beijo ela calou-o e ali ficaram no arrefinfanço enquanto o tiroteio prosseguia acima das cabeças deles.
Eventualmente, as munições acabaram-se. Nesse instante, o Agostinho sacou do seu sabre japonês e lançou-se aos militares da G.N.R.. Surpreendente, o Quim travou-o com a sua Hattori Anzo.
- Calminha aí, ó compadre. Agora é que vais ver como aqui o Quebra-Ossos fatia as batatas...
Lâminas bateram, metal faiscou e a população ficou boquiaberta com aquele duelo inesperado de piruetas e malabarismos que parecia saídos da «Guerra das Estrelas» ou do «Era Uma Vez Na China». Até se ouvia o «Duel of Faits» de fundo e nem a Dona Olga se queixou da natureza inadequada do tema para um coro eucarístico.
- Não me chates! Vai ter com o Zed! - gritou o Agostinho ao Joaquim. Este relembrou-o:
- Não te esqueças que eu sou cangalheiro. Sei muito bem que o Zed está morto, querido. O Zed está morto.
E como isto não andava nem desandava, o Diogo chegou-se ao pé do Agostinho e aplicou-lhe um pêssego do Programa Origens no focinho, que o tipo ficou logo estendido, inconsciente.
- Vá lá, os moços estão já a ver que não se dão mesmo casado!
A Clara despachou-se a abraçá-lo e a dizer-lhe aquela coisa do «és o meu herói», embora ela quisesse mesmo era «cultura de morangos» e podia ser daqueles que davam moca e tudo. Horas mais tarde, estava o Agostinho no xadrez com um olho à Belenenses, o Diogo e a Clara na morangada e a população de Beirais em geral feliz da vida.

Então, seria assim tão difícil engendrar um grande final destes? Tarantino é que sabe!

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Zarolhos de Água: O Espelho da Raposa

What a fox say? «The truth is out there», claro!

Continuando ainda na temática da referida série espanhola, fico aqui com a pulga atrás da orelha. Pulga? Não, que agora já não há Pecusanol. Aqui a palavra certa é mesmo raposa. Isto porque, olhando para a beldade Hiba Abouk, ficamos com a impressão de já a ter visto antes aqui na televisão portuguesa e não foi exactamente em produções dos «nuestros hermanos». Vamos lá deixar-nos de rodeios. Será que só eu é que reparei que a protagonista de Fátima Ben Barek n'«O Príncepe» é extremamente parecida à nossa Sara Barradas? Será caso? Pois então vejamos:
Cabelo semelhante, postura semelhante, fisionomia semelhante, enfim, tudo muito semelhante. Alguns dirão que a Sara Barradas é mais sorridente. É verdade. É que isto em Portugal já se sabe: é uma festa! E depois viver numa toca de raposas deve ser obra. Que o diga o José Raposo. Aquele homem é demais. Nem sei se o deveria felicitar ou malhar. É que ele cativa sempre as mulheres mais jeitosas e ainda nos consegue deixar todos a rir. Ainda alguém se lembra da Maria João Abreu? Não? Eu relembro.
Em nova, dava-nos cabo... da cabeça! Mas voltando à questão central, eu posso estar aqui só a equivocar-me mas será que a Menina, que dizer, Dona Sara anda a fazer também uns trabalhinhos em Espanha sob o nome artístico de Hiba Abouk? E se não forem duas ilustres beldades (pouco) distintas mas sim a mesma e única pessoa? Ou, sendo duas maganas como manda a lei, não teriam elas sido irmãs quase gémeas semi-siamesas separadas à nascença? Se não são, podiam muito bem ser, não?
Akrab? Akrabo e não só!

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Como deveria ter acabado «O Príncepe», Versão Taralhouca

Eu sei, já acabou há algum tempo, mas esta espinha ficou-me sempre aqui atravancada na goela. Vi a série espanhola que passou no Canal 2 até ao mês passado e tive sempre esperança num final estrondoso... mas não daquele género.

Sim, é verdade, não gostei do modo como acabou. Então que espécie de história acaba com a morte da grande boazon... aaah... quer dizer, amada do romance, uma das personagens de topo do enredo, deixando o herói triste, só e abandonado, gelado, gelado? Então e o grande comparsa dele? Feito passador? Está bem, ele despachou o mauzão cabecilha do grupo terrorista mas isso não dava aos argumentistas azo a que o despachassem nos segundos seguintes? Em suma, que espécie de treta de lenga-lenga é aquela de tudo acabar no mar e sal e ronhonhó coñocitos? Mas está tudo doido? Pois claro! Como é óbvio, o casal maravilha tinha de perdurar para a posteridade, não com a Fátima Ben Barek com um tiro no pescoço e a esvair-se em sangue.

Vai daí e pus-me a pensar. Se o Quentin Tarantino tivesse feito esta série, como é que ela teria acabado? Não podia haver grande diferença. Aqui há droga, tiros, explosões e conversas da treta, tal como em qualquer filme deste moço marafado. Ora cá vai disto.

Estão todos na praia, o Kahled, o Morey, o Fran e a Fátima. O Kahled arrasta consigo a Fátima com um canhangulo apontado ao delicado narizinho da moçoila e diz-lhe:
- Mexe-te, gaja, senão eu dou-te algo bem pior que um ar condicionado forçado na tua cabeça. Dou-te uma dissertação sobre as questões semânticas e simbologia analítica nas obras do Saramago.
- Não! - gritou ela em desespero - Socorro, Morey, salva-me! Quero antes morrer que ser torturada desta maneira!
- Ainda chamas pelo teu amantezinho da treta, aquele «putain de la merde»! Raios, já eu estou a falar francês com um pseudo-forçado sotaque castelhano! Pois ele que venha que eu rebento-lhe a beiça com a AK-47! - resmungou o grande chefe terrorista com a menção do nome daquele que o privava da admiração daquela por quem ele era acervaladamente cego até à suprema estupidez. Ser-se terrorista era obra mas deitar tudo a perder por uma tipa que o deixava montá-la mas não o podia ver nem pintado com o equipamento do Real Madrid era coisa de outro nível.
Eis senão quando aparece o Morey ferido à entrada do areal a mandar balázios ao desgraçado que aprisionava a sua amada. Pára de disparar, podia acertar na Fátima. Mas ela resolve o problema com uma joelhada nos tomates do maridinho, que fica a gemer, encolhido como um cão vadio com frio.
- «Ezequiel: 29, 17»... Que é que eu estou para aqui a dizer? Eu sou muçulmana. - diz ela ao Kahled antes de se atirar à água. O Morey vai para disparar mas já não tem munições. Joga-se à parva ao Kahled após uma correria marada digna do Super-Homem e engalfinham-se os dois numa cena de porrada de criar bicho. Arreia o Morey um pêssego nas ventas do Kahled e este pergunta-lhe:
- Já viste que este gajo escreveu «príncepe» em vez de «príncipe»?
Depois de receber uma punhada bem aplicada nas ventas que lhe fez sair um esguicho de sangue da narina esquerda, o Morey explicou-lhe:
- Sabes, é que os «tíos» de Portugal dizem «príncepe», não «príncipe»; o feminino é «princesa» e não «princisa»; a dissimulação na gramática da língua portuguesa só acontece de «e» em «i», nunca ao contrário; e a raiz etimológica é o latim «princeps», não «princips».
Terminada a sessão de um murro a cada argumento, o Kahled cuspiu alguns dentes partidos e praguejou qualquer coisa em árabe e acrescentou:
- Mas a escrita oficial é «príncipe»...
Respondeu-lhe o opositor com mais uma lamparina aplicada a preceito:
- Que é que queres? São Portugueses! É por isso que nos ganham. Confundem-nos. Até a eles próprios se confundem. Só sabem inventar coisas para xaringar um gajo. «Coños»!
Entretanto, do meio da água, ouve-se alguém a arraspar as goelas, como que a querer chamar a atenção. Era a Fátima, com cara de poucos amigos.
- Então? Posso eu morrer aqui afogada que essa conversa da treta nunca mais acaba. Sim, é que eu posso passar meia série na piscina a dar umas braçadas que só me lembro que não sei nadar quando chego ao mar.
O Morey começou a relembrá-la toda molhadinha e não se fez rogado. Atirou-se logo à água e agarrou-a... com firmeza. Nisto, o Kahled voltou a empunhar a sua Kalashnikov e foi para disparar aos gritos furibundos de:
- Não! Morrereis, seus cães infiéis! Tu, meu papa-esposas, e tu, rameira tinhosa! Aaaaaaaahhhh!
Porém, eis que uma bala certeira embateu na metralhadora e fê-la saltar das mãos do mouro possesso. Os olhares desviaram-se todos para a origem do disparo. À beira-mar, Fran parecia um crivo mas estava ali de pedra e cal, a segurar na sua pistola.
- Kahled, sim, tu, seu estropício. - chamou o pistoleiro solitário - Tu que nasceste lá na terra dos Aveques, diz lá. Como é que chamam a um Big Mac em França?
Antes que o idiota respondesse com uma rajada de tiros ou uma resposta parva à pergunta, o Fran atirou-lhe à pinha a sua última munição. Finalmente, o mau da fita estava quinado. O grupo terrorista estava terminado, o primo dos Ben Bareks já podia traficar haxixe e marijuana à vontade e sem concorrência, bem como afiambrar-se ao coiro da empregada do Kahled, a Fátima estava livre daquele palonço e o Morey podia parar de esgotar as reservas de aspirinas e a paciência dos colegas do C.N.I.. Pelo sim pelo não, pois o «cabrón» do líder terrorista ainda estrebuchava, o Morey sacou da sua Hattori Anzo, guardada sabe-se lá onde, e sacou a cabeça do inimigo. Deliciada, a Fátima aplaudiu.
- «Croissant», «p&%a madre». - respondeu o Fran á sua própria pergunta, parafraseando parcialmente os Cebola Mol.
E assim acaba a série. O Fran recuperou e pôde voltar para a sua esposa e arrefinfar-lhe como se estivesse com a mamalhuda do café com quem andava. A colega girinha da Polícia, não me lembro o nome, recuperou do trauma mas nunca mais teve namorados mouros. Já o Morey e a Fátima puderam respirar de alívio e regressar ao...
Bem, nós sabemos.

Ela logo voltará ao Pombocaca.

Que a caca esteja convosco!



P.S.:NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Moda Benfica

O Sport Lisboa e Benfica não pára de nos surpreender. Agora uma criadora deu origem a uma linha de vestidos de noiva do clube.
Nada más... Quer dizer, nada má, esta colecção. Ora isto deixa-me a pensar. Já que o Benfica lança uma linha de vestidos de noiva, porque não de outro tipo de indumentárias? Vamos a alguns exemplos.

Fatos de banho e biquinis do Benfica.
Fatos de mergulho do Benfica.
Roupa para safaris e excursões na selva.
Roupa própria para campismo.
Fatos de executivo.

Equipamentos para pecuária e criação de aves de capoeira.

Ai não se vê nada? Então, é porque ainda ninguém se lembrou antes disto. Portanto, não há ainda nada. É que isto é como com a Roménia: aqui andava tudo ao escudo, agora ao euro, e lá... tudo ao léu!


Não, não é isso, é isto:
Estou eu a tentar enganar quem?

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Mistério desvendado: Esquema de Nuno Espírito Santo

Eu não sou portista, como é sabido, mas adoro o treinador dos azuis e brancos. A sério. É daquelas pessoas que trazem em si a convicção, a devoção e o fervor ao clube e, ao invés, a serenidade lunar.

Há dias, Nuno Espírito Santo falava numa conferência de imprensa acerca do modo de jogar à Porto. Para melhor descrever e explicar o seu ponto de vista, fez um conjunto de desenhos, de entre os quais se destaca o dos três pilares que sustentam a conduta de cada jogador. Diz ele, porque a nós o que parece é um homem de pernas grossas com pila de burro. No entanto, eu posso garantir que descobri o mistério do esquema. O que ele queria dizer mesmo é que homem que é homem, portanto, isto

usa...

Lá está, o homem é mesmo inteligente! E pelos vistos gosta de roupa da boa.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

As Olimpíadas acabaram. Ufa!

E continuando na temática da jogatana, passemos a uns do domínio do palpável: os Jogos Olímpicos. Acabaram no passado dia 21 e, passados já uns quantos dias, é permitido a qualquer um fazer o balanço final de maneira ponderada e sem grandes margens para erros. Também nisto não me quero alongar muito, até porque o tempo me escasseia, mas apraz-me fazer dois pequenos comentários.

Em primeiro lugar, a representação de Portugal teve uma excelente prestação, ao contrário do que possa parecer. Sim, eu sei, apenas a Telma Monteiro conseguiu desancar quase tudo à tareia e lá arrecadou uma medalha de bronze. Se a nossa sobrevivência dependesse de medalhas olímpicas, aí sim estaríamos parecidos aos Etíopes em geral, pelo menos nos tristes anos das grandes secas. Mas falemos a sério. Podemos não ter mais medalhas mas as classificações foram muito boas e há muitos atletas que garantiram diplomas olímpicos. Ficam bem emoldurados numa parede e, mais importante, conferem boa classificação ao nosso país, o que permite que nos jogos vindouros possam ir mais atletas cá dos nossos às olimpíadas. Por outro lado, obter um sexto ou vigésimo terceiro lugar no meio de centenas ou milhares de concorrentes é mesmo digno de menção. Portanto, só temos mesmo é de dar os parabéns aos nossos desportistas.

Em segundo lugar, a organização dos Jogos Olímpicos também merece as nossas felicitações. Num evento em larga escala realizado num país atolado numa grave crise económica e financeira, com uma forte instabilidade social e política, onde reina toda a espécie de criminalidade, desde a de colarinho branco à de faca metralhadora, com os preparativos muito atrasados e sob as ameaças de um muito provável ataque terrorista, estavam reunidas todas as condições para que tudo corresse mesmo muito mal. E porém, não. Tudo decorreu às mil maravilhas e sem nada de relevo a assinalar. De facto, parecia ser tão grande o receio da coisa dar para o torto que estes devem ter sido os primeiros jogos olímpicos em que a transmissão televisiva tinha ponto da situação regular. A sério; vinha um intervalo e punha-se aquela música a tocar cuja letra pouco mais era que «o Rio de Janeiro continua lindo...». Eu sei que é difícil ter uma noção acertada da verdadeira finalidade daquela música, às tantas até posso ser eu que percebi mal, mas a ideia que transparecia era que aquilo era como quem diz «pessoal, até agora tudo bem». Caso contrário, não cantaria que o Rio de Janeiro «continuava» lindo mas sim que era ou seria lindo. E o que é certo é que, neste mesmo instante, com todas as suas disparidades, disparates e horrores em contraste com os milhentos encantos de outra canção, seja de crer que o Rio de Janeiro continua lindo.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Pokébroncos

Há mais de 10 anos, contava-se uma anedota que dizia que os Pokémons e os Digimons foram inventados por malta de Olhão da Restauração. Dúvidas? Pois atentemos então na seguinte conversa entre dois olhanenses e respectiva tradução.
- Digimon. (Diz aí, moço.)
- Pokémon? (Porquê, moço?)
- Pika? (Picas?)
- Pikachu! (Pica-te tu!)

Se é assim mesmo, não sei pois nunca sequer fui a Olhão. O que sei é que a série de desenhos animados «Pokémons» não é pròpriamente nova mas é apenas nos dias de hoje que se fazem sentir os seus efeitos nas caixas dos pirolitos até mesmo de quem não é fã. Deve-se tudo a uma aplicação para telemóvel, o jogo Pokémon Go, que junta figuras virtuais em paisagens reais como pano de fundo. Basta descarregar a aplicação, dar as coordenadas da nossa localização e toca de caçar gambuzinos, quer dizer, pokémons.

Dizem os teóricos da conspiração que é o ideal para um qualquer poder oculto nos controlar à maneira. Não só os visados não reclamam de terem de ser controlados como ainda caem na esparrela à borla e por vontade própria. Grande teoria, não é? Pois eu não sei se será como estes teóricos sugerem. O que sei é que este jogo tem contribuído para demonstrar a estupidificação da Humanidade, senão mesmo para a estupidificação em si. De facto, em vez de caçadores de pokémons, parece que as pessoas que jogam este jogo tendem a assemelhar-se mais é a membros da Team Rocket. Sim, é ver gente nas situações mais absurdas a fazer toda a espécie de parvoíces ou então a armar belharetas sob o pretexto de estar a tentar apanhar bicharada virtual. O resto já se sabe: é preparar para azar e a dobrar, com sorte.

O que é certo é que há a tendência a preferir e interiorizar a fantasia em detrimento da vivência e compreensão do real. Parece-me a mim que há uma cada vez mais evidente progressiva dissociação da realidade para uma preocupante parte das pessoas. É como se não conseguissem distinguir a realidade da ficção. Aliás, comportam-se assumindo como reais elementos fictícios. E desta dificuldade podem dar-se os resultados mais trágicos, como já tem acontecido com pessoas que caem de precipícios ou levam tiros por serem confundidos com ladrões.

Não me vou alongar mais com esta matéria. Apenas gostaria de pedir aos jogadores que tenham cuidado e clareza de espírito suficiente para não se meterem em sarilhos. Não é difícil, basta apreciar a vida real um pouco e saber que um jogo de telemóveis e afins faz parte dela, não o contrário. Em suma, basta ser gente, não um bronco aparentado ao Psyduck.

Bons jogos e que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Fogo, mais do mesmo...

Estamos no Verão, a época que eu mais receio no ano, essencialmente por três razões que sabe-se lá se não estarão interligadas: Sol intenso misturado com altas temperaturas, erupções de insanidade entre as pessoas, as quais resultam nos mais insanos e incompreensíveis comportamentos, e incêndios. Neste corrente 2016, tudo se repetiu: faz um calor infernal que parece agradar apenas aos turistas, emigrantes, nortenhos e à malta de Lisboa, vai-se lá saber porquê; as pessoas continuam a comportar-se como parvas ou, como nós por cá dizemos talvez com propriedade, afectadas do clima; e mais uma malfadada época de incêndios devasta o pouco que ainda há. Este terceiro é o lógico culminar da cadeia e é, de longe, o maior flagelo físico que Portugal sofre. E o pior é que é sempre a mesma lenga-lenga todos os anos. Labaredas correm o país de lés a lés engolindo e destruindo tudo à sua passagem, desde bens a memórias e vidas. De facto, apenas um único dado novo há no meio destas labaredas do costume: pela primeira vez desde que há memória, se calhar desde sempre, um governo assumiu que a maior parte dos incêndios não se deve nem a acidentes nem a negligência mas sim a fogo-posto. Finalmente, lá houve coragem para o admitir.

É um problema verdadeiramente complexo, sem dúvidas, mas parece claro que se deverá em suma a cinco razões:
1 - clima agreste - o clima português é, em geral, quente e seco durante a época estival, o que é propício a incêndios florestais;
2 - o abandono de grande parte do país - o êxodo rural levou ao abandono generalizado das terras a pontos de nem se saber a quem pertence parte considerável das propriedades rústicas;
3 - má gestão territorial - as terras abandonadas e mesmo muitas daquelas que têm dono, nomeadamente o maior proprietário, o Estado, estão completamente ematadas. Sem prevenção, não há combate possível. Como se não bastasse, o investimento silvícola está em tudo muito errado em grande parte do território, onde proliferam espécies exóticas mas também algumas nativas, de difícil regeneração e fàcilmente inflamáveis. De entre estas, o claro destaque vai para o eucalipto, que teve uma explosão de aumento de área de implementação desde a insensata liberalização levada a cabo pelo Governo de Passos Coelho. Pois é, foi a nódoa de Assunção Cristas.
4 - moldura penal branda - os delitos em geral e o de fogo-posto em particular têm penalizações muito leves. Para mais, o cúmulo jurídico impede que uma pena se alongue para além dos 25 anos de prisão. Deste modo, matar uma pessoa tem a mesma moldura penal que matar mil. Condenar alguém é um acaso e, em caso de condenação, nada há a recear porque o mais provável é sair da cadeia antes do fim da pena, consoante o resultado da avaliação ao fim de metade ou dois terços desta. Portanto, o sistema é um convite à delinquência pois tresanda a impunidade por todos os lados. A não ser que se trate de delito fiscal, aí é diferente.
5 - imbecilidade das pessoas - sim, as pessoas são estúpidas e o calor parece potenciar certos comportamentos. Interesses obscuros aliados à completa inconsciência e alheamento ao sofrimento geral são ingredientes que estão na base da repetição sucessiva destas tragédias.

É difícil pôr juízo na cabeça das pessoas e não há uma solução milagrosa para solucionar um tão grande problema. No entanto, ocorrem-me algumas medidas que decerto seriam produtivas. Alguém me diga se eu estiver errado.
1 - Fazer com que o Estado tenha meios aéreos próprios de combate aos incêndios. Ter dois ou três aviões e helicópteros avariados é o mesmo que nada pois acaba por ter de se recorrer à solução do costume, que é o aluguer veículos a empresas privadas. Isto acabaria de imediato com um dos interesses envolvidos pois estas empresas necessitam dos incêndios para obterem o rendimento derivado do aluguer por parte do Estado. Também ajudaria imenso tratar os bombeiros como gente, pois governo após governo, têm sido usados como sacos de pancada, desmentidos e humilhados. Porque não dotá-los de meios como deve ser e tentar profissionalizar a classe, sem desprezo para o voluntariado, em vez de maltratá-los e, depois de haver desgraça, correr a pedir auxílio para logo a seguir vir responsabilizá-los de tudo e mais alguma coisa? Os bombeiros são os nossos salvadores e, como tal, têm de ser dignificados.
2 - Promover a limpeza dos terrenos. No caso dos particulares, há que averiguar a quem pertence o quê. Se há algo que já não tem dono, ou passa para as mãos do Estado ou este vende-o a quem o queira e o estime. É inútil ameaçar as pessoas com coimas por terem os terrenos tapados de matagal. Estas raramente são aplicadas e muitos proprietários vivem em situação de não terem para eles próprios, quanto mais para limparem as terras. Tal como Marcelo Rebelo de Sousa dizia, a solução terá de passar por qualquer tipo de concertação entre o Estado, as autarquias e os proprietários. Para além disso, como pode o Estado exigir a limpeza dos terrenos alheios se os seus próprios estão votados ao abandono? Porque não, paralelamente a eventuais incentivos, porque não fiscais, não promover empregos temporários para a limpeza dos terrenos? Há imensos desempregados e de entre muitos alguns certamente aceitariam a proposta. Mesmo reclusos, que aí teriam oportunidade de redenção, integração e eventualmente amealhar alguns tostões. E porque não pôr as nossas inactivas forças armadas a vigiar o terreno. Não será porventura esta uma verdadeira e inegável situação de guerra?
3 - Promover o restabelecimento de populações nas áreas rurais do país. Há muita gente que gostaria de regressar ou ir morar para o campo e só não faz porque não têm condições para tal. Aliás, os sucessivos governos têm é acabado com todas as condições, forçando as pessoas a irem atafulhar-se nas cidades do litoral ou, pior, emigrar. 
4 - Promover a reflorestação geral do país e a edificação de «espelhos de água». Pode parecer paradoxal porque mais florestas correspondem a mais material potencialmente combustível mas a verdade é que a vegetação é um retentor de humidade e radiação solar. Em consequência disso, o nível de humidade no ar tende a ser superior e a temperatura inferior, o que dificulta o despoletar e propagação de incêndios. Criar superfícies de água (barragens, açudes, represas) e não destruí-las, como algumas mentes iluminadas deste executivo ousam pretender, são sempre úteis quer a acentuar este efeito climático quer a auxiliar o combate a eventuais incêndios.
5 - Alterar radicalmente o sistema judicial, não só as molduras penais. Já que não se pode abrir a cabeça às pessoas e atafulhar-se umas doses de bom-senso lá dentro, há que fazê-las entender com clareza que todas as acções têm uma consequência. Portanto, se fazem asneira, têm de ser punidas. Não quer dizer que se tenha de queimar na fogueira um incendiário, e não é que não merecessem. O que pretendo dizer é que, para este e outros casos, a Justiça devia de ser mais severa mas sem cairmos no mesmo grau de atrocidade de quem a cometeu e agora é julgado. Muitos delitos têm penas muito leves que exigem serem repensadas. Outras até nem por isso. Bastava acabar com saídas precárias, indultos, perdões e amnistias. Se alguém comete um crime e é condenado, deve cumprir a pena toda. Fazê-lo sair antes do cumprimento torna o sistema ineficaz pois qualquer um comete um crime sabendo que, a ser condenado, não deverá cumprir toda a pena e, como tal, não tem medo da condenação. Mais importante de tudo, acabar de vez com o cúmulo jurídico. Se um tipo queima um quintal, não pode ter igual condenação a quem queima meia província, do mesmo modo que matar 100 é diferente de matar 1 ou roubar 10 não é o mesmo que roubar 100.000.000. Talvez quem tenha ideias de cometer uma ilicitude pense duas ou três vezes antes de a levar a cabo, embora o ideal fosse mesmo não pensar e não fazer. Outra medida seria equiparar o crime de fogo-posto ao de lesa-pátria e terrorismo. Não é exagero, é mesmo terrorismo, não há como o negar, e sem dúvida um grave mal à Nação.

Claro que eu podia ficar aqui o dia inteiro a debitar sugestões e dados concretos mas eu acho que até estas linhas que acabei de escrever já foram demais e isto pela simples razão de que agora que isto está a acontecer outra vez, nós estamos todos chateados. Mas depois tudo passa e, como sempre, nada será feito. Só não fica tudo na mesma porque o nosso país vai ficando mais pobre a cada Verão que passa. E para o ano que vem, cá estarão as pessoas novamente queixando-se de que andam a pegar fogo ao país, lamentando-se dos bens de uma vida irremediàvelmente perdidos, das lembranças de gerações destruídas para sempre e daqueles cujas existências ficaram afectadas ou foram consumidas pelas chamas.

Gostaria de apelar às pessoas para que não deixassem morrer o país mas a verdade é que, neste como noutros aspectos, é evidente que Portugal está a morrer.

E tu aí com más intenções: ganha juízo.

A todos os combatentes só tenho a agradecer profundamente.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Doçuras de jogador

Se o futebolista olímpico Elis, da selecção hondurenha, fosse de chocolate, seria... Elis Regina!
Eu sei, foi uma piada de mau gosto... mas irresistível!

Que a caca esteja convosco!

P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Dica aos «el-matadores»

Parece que quando há uma vitória portuguesa, há logo uma desgraça a ensombrá-la. Mal a selecção de futebol foi campeã e um idiota atropelou uma multidão em Nice, com amplo prejuízo de mortos e feridos. A equipa de hóquei em patins replicou nessa modalidade igual triunfo e um tipo desata aos tiros em Munique. Ainda ontem, um palonço fez-se explodir também na Baviera à entrada dum festival de música. 

Independentemente dos êxitos desportivos portugueses, que nada têm a ver com o sucedido, e falando um bom bocado mais a sério, fico sempre na dúvida quando a comunicação social nos depara com estes e outros casos de consequências menos mediáticas. Para quê isto? Qual a piada que há em pôr um ponto final em vidas e arruinar outras tão alheias ao que vai na mente de quem pratica estas acções? Que culpa podem ter estes inocentes no cartório? Pois se não têm, para quê destrui-las assim? E, mais estranho de tudo, para quê fazer isto e dar cabo da própria vida, indo contra tudo o que o instinto de sobrevivência nos dita? É um mistério que só a estupidez pode esclarecer.

A qualquer um que haja para aí com ideias de levar avante algum acto tresloucado desta natureza ou só que seja atentar contra a vida de alguém, eu digo-lhe: ganha juízo. Não é fazendo isto que o teu empreendimento vai alcançar o objectivo último pretendido, seja a criação dum estado qualquer ou a chamada de atenção de uma suposta amada. O que as pessoas normais, ao contrário de ti, meu estronço, vão sempre dizer e pensar é que tu és um estúpido, bronco e anormal. A sério, basta pensar um pouco e qualquer raciocínio rudimentar chegará prontamente a essa conclusão. Por exemplo: queres uma... Europa muçulmana. É o que está na moda. Se vais matar todos os europeus, vais ter é uma Europa deserta, seu cara de cu à paisana, e não há imigração que te valha porque vão todos os outros querer fugir do pesadelo que tu causaste. Queres que o Fisco não te chateie? Paga os impostos. Se atacares uma repartição ou funcionário, o problema não se resolve e terás de te haver com uma senhora cega: a Justiça. O mesmo se aplica com outras áreas da Função Pública ou, num sentido amplo, do que quer que seja. Queres arrebatar o coração de quem amas ou por quem tens um sentimento de posse acervalado? Pois, o homicídio da cara-metade não ajuda nada. Caso contrário, vais para o gaiolo e em vez de cara-metade, ficas com metade da cara. Ah, já agora, o suicídio é uma parvoíce. Se armas sarilhos e depois te matas, os problemas não deixam de existir, tu é que deixas. Chiça, é preciso ser mesmo besta quadrada...

Mas ainda assim queres levar a tua avante e desatar a matar gente? Então aguenta os cavalos que eu quero ajudar-te. Vou dar-te uma dica muito útil. Presta atenção. Escolhe a ocasião perfeita. Adquire os meios para o ataque. Armas com montes de munições. Testa-as, certifica-te com antecedência que elas não encravam. Se optares pelos explosivos, junta o máximo que puderes, de preferência na viatura onde tu seguires ou no edifício onde tu estiveres. O importante é manteres-te bem perto dessa murraça. Espera que não haja gente ao pé de ti e deixa-os manterem uma distância segura. É que se tu mandares para o Maneta o pessoal, não vai sobrar testemunha nenhuma da tua obra. Antes do ataque, grita, se quiseres, umas palavras de ordem, algo do género de «cá vai alho» ou «quentes e boas, quentinhas». Por fim, rebenta com os teus cornos e livra a Humanidade da tua maluquice. Não te esqueças, isto é importante, faz isto neste momento. Depois sim podes desatar a matar gente, seu cabeça de pirilau.

Cretinos...

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

sábado, 16 de julho de 2016

Caca Raw: Galo de Barcelos x Galo Gaulês

Mais uma vez, o Pombocaca honra-se de relatar mais um duelo de gigantes altamente alucinado e bizarro! No ringue, temos presente dum lado o Galo de Barcelos, especialista em ressurreição pós-cozinhado durante banquetes para salvar peregrinos em nome do apóstolo São Tiago! Do outro lado, o derradeiro guerreiro celta, ainda que invenção do Renascimento, bravo e imponente, o Galo Gaulês!

O Galo de Barcelos apresenta-se com um aparato muito folclórico, cheio de florzinhas e corações, que deixa o seu congénere gaulês e parte da assistência a rir às gargalhadas. Nada se assemelha ao altivo espécime da Gália. O combate começa. O Galo de Barcelos quer jogar à bola mas o Galo Gaulês é uma ave de combate, não está para brincadeiras e prega cada sarrafada que é ver penas lusas espalhadas pelo ringue. Ui, que golpe! Já o Cristiano Ronaldo está arrumado. Tentou, tentou mas não havia nada a fazer e já está a sair dali para fora como o Boromir rio abaixo n'«O Senhor dos Anéis». O Galo de Barcelos andou depois 10 minutos à nora e a levar tareia até que lá espevitou a crista e se debateu de igual para igual.

Demorado foi o combate, cheio de cenas arrepiantes, mas a ave portuguesa encheu-se da fèzada e assumiu uma postura mais agressiva até que, numa cena à Walker Ranger do Texas, o Galo de Barcelos arreou no Gaulês um chuto à Éder e foi ver o adversário a temer pelo desfecho desfavorável. Soou o sinal e ficou ditada a inesperada sentença: o Galo de Barcelos foi o vencedor! Campeão, campeão, ele é o campeão!

Quanto ao Galo Gaulês, honras lhe sejam dadas pelo seu mérito na luta pois, de resto, o seu mau perder deu-lhe um caso bicudo. No dia seguinte, os Franceses madrugaram, oh sim. É que deu-se o caso de acordarem com um grande galo... de Barcelos!

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Lusitana Jones

Sempre fui admirador de Harrison Ford. Pelos vistos, ele também é admirador nosso.

Muito obrigado, «Jonesy», bem como a Matt Damon, mais conhecido por Matt F&%$#ng Damon, pelo simpático apoio à selecção portuguesa. Também eles são campeões.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

A Epifania de Fernando Santos (ou o Quarto Segredo de Fátima)

Não deixa de ser curioso que ninguém mais acreditou na vitória da selecção portuguesa no Campeonato da Europa logo desde o início que não o próprio seleccionador, Fernando Santos. Meses antes do Europeu começar já ele afirmava, convicto, que Portugal seria campeão. Declarou repetidas vezes sem conta que só regressaria dia 11 de Julho, que até lá tinha a reserva feita no hotel, em Marcoussis. Disse sempre que iria até à final e que as finais eram para se ganharem. E quantos, muitos deles compatriotas, duvidaram e riram dele. Eu sei, eu fui um deles. E que dizer daquela estranha convocatória do Éder? «Éder? Quem é esse?» A esta pergunta dos desconhecedores juntava-se amiúde uma declaração dos sabedores: «eh, esse tipo não dá uma para a caixa». De facto, assim era. Quando a sua entrada em campo foi anunciada na final, as esperanças ténues dos adeptos desvaneceram-se, como se não bastasse a baixa do Cristiano Ronaldo.

Mas Fernando Santos, o «Xeidafé», nunca vacilou. Na realidade, até parecia que sempre soube que o campeonato estava ganho, a ponto de escrever o discurso com quase um mês de antecedência. Então e se ele soubesse mesmo?

Cá para mim, e entrando no hipotético domínio da alarvidade, Fernando Santos teve uma epifania, uma revelação. Já imagino como pode ter sido. Estava o homem a dormir e um rumor fê-lo despertar. Não um reboliço súbito na escuridão da noite, antes uma melodiosa e reconfortante harmonia que ao mesmo tempo o esmagava com a sua força. Abriu os olhos e viu um indivíduo de aspecto jovem envolvido em luz (em Luz, não em Alvalade ou Dragão) que lhe disse:


- Fernando, nada temas. Eu estou aqui para te dar a boa nova por que tanto anseias.
- Como assim? - inquiriu-o o engenheiro boquiaberto - Vais-me dar os números do Euromilhões?
- Não. - respondeu-lhe o anjo. E insistiu o homem:
- Aaam... Factura da Sorte?
- Não.
- Vou ser contratado pelo Abramovitch?
- Não, homem, - negou o anjo - para desgraça já basta a da Grécia. Não, eu estou aqui para te dizer que tu vais trazer ao teu país uma glória inédita.
- O Quinto Império! - surpreendeu-se o pobre Fernando. Mas o anjo também a esta hipótese respondeu na negativa:
- Não, nada disso. Vais ser campeão europeu! Basta teres fé... e convocares o Éder.
- Éder? Quem é esse? - perguntou-lhe o treinador.
- Então, o Ederzito. é jogador do Lille, emprestado pelo Swansea City.
- Eh! O miúdo não dá uma para a caixa...
- Então? Não és um homem de fé? - insistiu o emissário celestial - Põe o miúdo a jogar e vais ver que alcançarás os teus intentos. Está escrito no grande livro dos desígnios. Só tens de ter fé.

Só isto explica a convicção de Fernando Santos. A partir de certa altura, parece ter contagiado o capitão da equipa, que começou por falar que sonhar é grátis e acabou a encorajar o Éder antes da sua entrada em campo dizendo-lhe que ele é que resolveria tudo e nos faria campeões. Ouvindo isto, Éder disse o mesmo ao seu treinador. Então e não é que o Patinho Feio se revelou um cisne?

Não é a explicação mais estapafúrdia que se consegue encontrar. Houve quem me tivesse dito que vai na volta e isto foi a concretização do Quarto Segredo de Fátima. Que Fernando Santos ainda teria sido chamado ao Vaticano antes do Europeu para o Papa lhe transmitir o conteúdo dum capítulo secreto e inédito das «Memórias» da Irmã Lúcia. Já estou a imaginar a cena, lá no longínquo e conturbado ano de 1917. Nossa Senhora aparece aos três pastorinhos e dá-lhes as revelações dos tempos vindouros. A certa altura, diz-lhes:
- Por fim, em quarto lugar, o há muito desejado vai acontecer. Basta porem Éder.
   E a pequena Jacinta perguntou-lhe:
- Éder? Isso come-se?
- Não interessa. - logo declarou a Senhora do Rosário - Lá para 2016 tudo fará sentido.

Tens alguma teoria mais absurda? Então venha ela daí.

Que a caca esteja convosco, meus campeões. Sim, que todos somos campeões!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Já não era sem tempo. CAMPEÕES!!!

Já foi dia 10 mas parece que acabou de acontecer. Sim, a selecção portuguesa de futebol venceu o Campeonato da Europa, feito inédito no desporto nacional. É verdade que não começámos muito bem, com jogos de exibição mediana, com muitos remates e ataques mas com o problema do costume: falta de concretização. Ninguém acreditava que a equipa iria muito além da primeira eliminatória. Ninguém excepto Fernando Santos, o sempre crente. Porém, o colectivo foi crescendo e acreditando jogo após jogo e na final deu-se a absoluta e inesperada surpresa: a derradeira vitória. Tanto esperámos, tanto tentámos, de tantos nervos sofremos até que desta foi de vez!

Agora que estamos eufóricos com tamanho prodígio, gritamos a plenos pulmões que «Portugal é o maior, o melhor país do Mundo», quando ainda há poucos dias e, direi mesmo, daqui a poucos dias, lamentávamo-nos/ lamentar-nos-emos de que «isto é sempre a mesma desgraça, a porcaria do costume». Pois se exultamos com o feito de uma equipa de futebol, porque não fazemos o mesmo com os de intervenientes nas competições de outros desportos? Ainda na mesma semana, arrecadámos várias medalhas das três categorias nos Campeonatos da Europa de Atletismo. Temos também campeões de dança, Rui Costa e Nelson Oliveira mostram o que valem na Volta à França em Bicicleta, a selecção de hóquei em patins a rolar em cheio rumo à final também do Europeu com rasto de grandes goleadas, até mesmo frente à eterna rival, Espanha. Estes e tantos outros que a memória ou o desconhecimento me impedem de escrever aqui não serão também razão de podermos dizer que somos os maiores?

Então e porque é que só quando alguém mostra o que vale no desporto e alcança um grande resultado é que toda a gente diz que Portugal é o melhor país do Mundo? Que espécie de patriotismo é esse que varia consoante a maré da fortuna? Então numas ocasiões é-se patriota e noutras anti-patriota? Isto não é patriotismo. O patriotismo é uma paixão, é como a força mística que une misteriosamente um casal, aquilo que nos faz olhar para a nossa cara-metade e não nos conseguirmos desligar dela, apesar de todas as qualidades e defeitos que consigamos ver nela. É o adorar sem saber porquê, o ser companheiro nas alegrias e encontrar nela conforto nas provações, ainda que traga nele a mais dolorosa das consequências. É o não sabermos porquê mas termos a certeza do vazio sem a sua existência. Em suma, é sermos indissociáveis partes um do outro e, haja o que houver, fazermos tudo por ela, mesmo que a suprema meta da existência nos obrigue ao fim dessa associação se soubermos que tal sacrifício permitirá a existência dela. Com isto quero, portanto, dizer que Portugal não é o exemplo da perfeição mas que, se declaramos sem rodeios que é o maior e tal e coiso, então temos de ter presente a responsabilidade de tais palavras e dar o corpo ao manifesto quando essa mostra de patriotismo tão apregoada é exigida.

A grandeza de uma nação pode ser medida pela sua história, pelos feitos bélicos, artísticos e desportivos. No entanto, esses parâmetros dão-nos muitas vezes resultados ilusórios. A verdadeira grandeza vê-se sim em algo mais profundo, nas atitudes, no temperamento, na maneira de ser das suas gentes, naquilo que está para além do que os sentidos percepcionam à partida.  Vejamos, por exemplo, o caso do referido Europeu de Futebol. Os Franceses tiveram desde o início uma postura muito arrogante para com Portugal. Certa imprensa e variados comentadores fartaram-se de criticar a equipa lusa considerando-a indigna de chegar sequer às meias-finais pela sua má maneira de jogar, melhor, que não sabia jogar, que nem sequer sabia passar a bola, que punha-se na retranca à espera de uma ocasião promissora, muito ao jeito da tão criticada Grécia, tudo ao contrário do que a secura objectividade das estatísticas evidenciava. Houve até quem fugisse para terrenos mais pantanosos, classificando a turma de Portugal como um grupo de nojentos. Passearam o autocarro da equipa nacional em aparatos de campeã antes do jogo, como se já o tivessem sido. Aliás, para muitos, a vitória francesa eram declaradamente favas contadas. Poucas foram as vozes sensatas que acautelavam para uma possível vitória do opositor das quinas. Depois, como se diz na minha terra, «cagou-lhes o cão pelo caminho» e ficaram de trombas. Na altura de receber as medalhas, os jogadores portugueses fizeram guarda de honra para deixar passar a congénere francesa. Porém, na hora de fazer o mesmo pelos portugueses, cada jogador francês saiu de monco em baixo até aos balneários e ignorou as regras de boa educação. Nos Campos Elísios, não faltou quem fosse tentar acometer os festejantes lusos e causasse distúrbios. E depois há o episódio da Torre Eiffel, que se previa iluminada com as cores do vencedor mas apresentou sempre as da equipa da casa, que, verdade seja dita, se debateu com todo o mérito, até perder o seu colorido e ficar remetida à escuridão da noite. Nos dias seguintes, portugueses passaram maus bocados só por serem portugueses. E no fim interrogamo-nos quanto ao porquê disto se tudo não passou de um jogo, uma entretenga? Porque é que muitos franceses rebaixaram assim a grandeza da sua terra-mãe? Não sei dizer, apenas sei que esta atitude sim lhes deitou tudo a perder e só por aqui se vê quem são, de facto, os verdadeiros campeões... ou ao menos quem não os são.

Neste mundo mais e mais individualista e onde cada vez nos isolamos mais, não deixa de ser curioso que todos se juntem por causa de um jogo. Pois qualquer que seja a razão, se ela for justa e nos trouxer alegria e partilha de bons momentos, venha ela daí se nos fizer acreditar seja no que for e ficarmos mais unidos. Só por isso já somos todos campeões.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Atrofios Informáticos, Parte MMMCLXXXVII e etc....

Pois é, mais uma vez lá tive a torradeira informática em problemas técnicos, o que, aliado à minha falta de tempo para escrever aqui algo, levou a que deixasse passar uma ocasião memorável e altamente propícia para escrever toda a espécie de barbaridades. Consequentemente, tudo o que eu tinha preparado ficou desactualizado e agora, dados os acontecimentos de ontem em Nice, qualquer coisa que eu possa dizer será sempre mal interpretada e alvo de apupos e severas críticas, ainda que muitos o tenham feito em grau mais elevado e pior, só que há vários dias. Portanto, não vou deixar de contar as piadolas que tinha preparadas, acrescentando-lhes ao seu termo um remate contra os estropícios do costume.

Mais vale tarde que nunca!

Que a caca esteja convosco!

E já agora, muito importante:
NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

O que faz falta: amaciador de pêlo

Há dois dias, era suposto dois representantes do Fundo Monetário Internacional terem participado na reunião do Conselho Económico e Social. Era suposto, está bem dito, porque não se dignaram a pôr lá os pés. Se calhar, temiam ouvir das boas tanto dos sindicatos como das corporações. Talvez por isso tivessem optado por recorrer à comunicação social. Um deles afirmou que a diminuição do horário de trabalho da função pública de 40 para 35 horas era um dado preocupante. É que se o trabalho feito em 40 horas pode ser feito em 35 pelo mesmo número de funcionários, então é porque há trabalhadores a mais. Logo, só há duas maneiras de resolver o problema: ou se reduz o ordenado ou se despede pessoal. Pode é dar-se ao caso de não haverem funcionários a mais. Nessa circunstância, terão de fazer horas extra que é para fazerem aquilo para o qual no horário reduzido não é suficiente, horas extra essas que têm de ser pagas. Portanto, para aquelas mentes iluminadas pelos cifrões, a única opção do Governo ao reduzir o horário de trabalho e não despedir ninguém seria a do costume, aumentar impostos.

Continuando na onda das patacoadas, ontem o Ministro das Finanças da Alemanha afirmou que o Governo Português se preparava para pedir um novo resgate. Se é verdade ou não, isso pouco interessa, pois fazer uma declaração dessas numa altura em que se deu a previsível vitória do não à permanência britânica na União Europeia e os sempre voláteis e especulativos mercados ainda estão a ressacar disso, não é das coisas mais sensatas, se é que eu me faço entender.

Que parvoíce terão dito hoje...

Não fosse termos tido a triste notícia da morte de Bud Spencer e ter-lhe-íamos pedido que fosse dar um correctivo a estes companheiros de língua tão solta para a baboseira. Assim, temos de recorrer aos Castigadores da Parvoíce. É que faziam mesmo aqui falta.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

terça-feira, 21 de junho de 2016

Deixá-lo sair, se quiser

Voltando à Inglaterra, continua ao rubro a campanha para o referendo quanto à permanência ou saída do Reino Unido da União Europeia e há em tudo isto alguns pontos que me causam confusão. Como por exemplo, continuo sem perceber, tal como aconteceu no caso do referendo à independência da Escócia, qual é que é mesmo a posição do Primeiro-Ministro, David Cameron. Fartou-se de ameaçar a União e fazer-lhe montes de exigências impossíveis e agora é impressão minha ou anda a fazer campanha pela permanência? Acho eu mas se calhar estou enganado.

Não deixa de ser curiosa a argumentação dos defensores da permanência, faz quase lembrar uma versão invertida dos que apoiavam a adesão ao euro. Ditam toda a sorte de sentenças apocalípticas, algo muito do género de: «se o Reino Unido abandonar a União Europeia, não há volta a dar, é irreversível, e as empresas multinacionais fogem todas daqui e o capital raspa-se para o estrangeiro e vai haver escassez de bens e os preços vão subir e os impostos vão aumentar e vamos morrer todos fechadinhos aqui porque não podemos sair de cá e nada vai conseguir entrar e vamos todos lerpar com claustrofobia e consanguinidade em alta escala e depois virá o Bicho Papão e os Cavaleiros do Apocalipse e dedicarem-se à necrofilia e a concertos de música pimba com os nossos cadáveres e vai ser o fim do Mundo em cuecas.» Calma, também não é bem assim.

Como é costume, há em toda esta discussão muita especulação. Na realidade muito pouco muda. Eis o que de mais importante há a assinalar.

1 - Moeda: Nicles. Nada muda. Lembremo-nos que a libra estrelina, moeda de referência e valor, circula no Reino Unido. Não há lá nada de euros.

2 - Circulação de pessoas e bens: O Reino Unido não aderiu ao Acordo Schengen. A relação com o resto da União apenas se trata em matéria de cooperação policial e judicial. O controlo para entradas e saídas daqueles países britânicos é muito diferente e apertado do que o verificado nos restantes casos, pelo que a eventual saída do Reino Unido poucas ou nenhumas alterações vai trazer para a «livre circulação de pessoas e bens».

3 - Economia: A matéria estùpidamente mais sensível, ou pelo menos aquela à qual é dada sempre mais atenção, sem que se compreenda bem porquê. Olhando para o que o Reino Unido dispende e recebe de Bruxelas, não é de esperar grandes mossas no orçamento. Os acordos comerciais, piscatórios e de outras naturezas naturalmente deixarão de incluir o Reino Unido no caso da sua saída da União Europeia mas não será lá por causa disso que há-de faltar o que quer que seja nas ilhas e domínios de Sua Majestade. Basta recorrer à técnica que antes se seguia: celebrar acordos com cada uma das partes envolvidas, os quais costumam ser mais proveitosos do que quando são celebrados com toda a União, visto que os parceiros pretendem sempre vender e explorar o máximo possível e importar ou deixarem-se explorar quanto menos melhor. Em consequência, e como não é de antever carências de materiais e capitais, não há razão para qualquer subida de impostos relacionada com a questão. Portanto, também nisso não se antevêem alterações significativas.

Em suma: pouco muda. Então se assim é, porquê tamanho alarido? É simples. É que há muita gente que depende da mama de Bruxelas. Acabada a permanência do Reino Unido na União, fecha-se a torneira dos fundos e subsídios comunitários. Por outro lado, é menos uma importante área de influência para os grandes da União, sejam os federalistas de Bruxelas ou a Chanceler da Alemanha, que sabem que o Reino Unido, como potência comercial e industrial que é e parceira de peso com os países da Commonwealth, é uma porta de saída para grandes e bons negócios. Mais e acima de tudo: como disse o Presidente da Comissão Europeia, a saída do Reino Unido abre um precedente que pode levar à desagregação da União Europeia. É previsível, olhando para a insatisfação de alguns estados-membros face a uma União cada vez mais ambiciosa, centralizadora, controladora e intrometida. Encaremos o facto: os estados-membros, não todos mas muitos, são independentes apenas no papel e a União é quem, de facto, dita as regras. O resto são balelas.

Posto isto, se o Reino Unido quiser deixar a União Europeia, deixá-lo sair. Erro nisso não há nenhum, a meu ver. Erro sim houve, como com Portugal, em entrar.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

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AVISO IMPORTANTE: DADO O ELEVADO TEOR EM EXCREMENTOS CORROSIVOS, NÃO SE RECOMENDA A VISUALIZAÇÃO DESTE BLOG EM DOSES SUPERIORES ÀS ACONSELHADAS PELO SEU MÉDICO DE FAMÍLIA, PODENDO OCORRER DANOS CEREBRAIS E CULTURAIS PROFUNDOS E PERMANENTES, PELO QUE A MESMA SE DESACONSELHA VIVAMENTE EM ESPECIAL A IDOSOS ACIMA DOS 90 ANOS, POLÍTICOS SUSCEPTÍVEIS, FREIRAS ENCLAUSURADAS, INDIVÍDUOS COM FALTA DE SENTIDO DE HUMOR, GRÁVIDAS DE HEPTAGÉMEOS E TREINADORES DE FUTEBOL COM PENTEADO DE RISCO AO MEIO. ISTO PORQUE...

A CACA DE POMBO É CORROSIVA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!