domingo, 9 de agosto de 2026

Cinema Purgatório: «Odisseia»

 Caros colegas de pombal.

Eu até tinha outros filmes de que vos gostaria de falar mas o momento exige que eu salte por cima desses outros e de alguns livros que li para vos falar da película que está na berra pelas mais variadas razões: «Odisseia», de Christopher Nolan.


 

Não faltou quem dissesse que a adaptação da obra épica de Homero não estava correcta, que a história não era assim; que a Helena de Tróia mais parece uma Helena do Congo, como vi alguém dizer; que a Ellen/ o Elliot Page fazia a sua interpretação dar ao filme um ar homossexual ou travestido; que a banda sonora era péssima. Enfim, vi, ouvi e li uma infinidade de críticas destrutivas. Porém, na mesma quantidade e veemência deparei com os maiores louvores a esta longa metragem. E digo «longa metragem» sem exagero, posto que se prolonga por quase três horas. E parte do que o escritor grego passou a livro nem sequer é contada ou sequer mencionada.

Já muito se disse acerca do filme. Portanto, não me vou alongar.

A história narra a viagem de regresso de Ulisses (que em grego se diz «Odesseu», daí o nome da narrativa) a Ítaca, a sua terra-natal, da qual ele era rei. Dez anos passaram-se desde que partira para a Guerra de Tróia e, terminado o conflito, chegara a hora de voltar. Só que as coisas não correm como o desejado e foram tantas as atribulações pelas quais passou pelo caminho que demorou outros tantos a chegar a casa. Como se não bastasse, foi tão longa e infrutífera a espera que ele foi dado como morto. A sua esposa, a Rainha Penélope, viu-se então rodeada de 108 pretendentes a casar com ela fosse de que maneira fosse, com muito pouco sentido de cortesia e respeito perante a majestática hospitalidade. O resto da história reservo a quem queira ler o livro ou ver o filme.

Na minha maneira de ver, podemos esquecer as polémicas, que são meros detalhes. Tudo bem que a Helena e a sua irmã, varreu-se-me o nome e tenho a minha mitologia clássica em estado de ferrugem, não são das personagens de aspecto mais helénico que se podem encontrar, assim como alguns dos soldados, e também não há na causadora da famosa contenda a beleza que a fama lhe granjeia mas a sua relevância para o filme é quase nula. Ellen/Elliot/Aquelacoisaestranhaqueeraumamiudafofinhaeagoraparecenemseibemdizeroquê Page também passa ao lado de quem não está a par dos cochichos parvos de Hollywood pois embora lhe seja atribuído um papel que tem alguma determinação para a história, passa perfeitamente por um muito jovem soldado, um adolescente ameninado que teve de engrossar as fileiras do Exército ainda criança, como é mesmo hoje uma infeliz realidade em vários pontos do globo. A banda sonora pode não ter a assinatura de Hans Zimmer mas não deixa de se adequar perfeitamente à acção que abrilhanta. Independentemente de ser fidedigno ou não ao livro, o filme é espectacular. Não é uma cavalgada nem uma cena de porrada do princípio ao fim, é antes bastante introspectivo sem exagerar e nem por isso muito violento. Neste último aspecto, faz mesmo lembrar a generalidade dos filmes de acção dos anos 80 e 90, em que havia gente a cair que nem tordos numa manhã de caça, neste caso com espadeirada e cravações a torto e a direito, mas nada de explícito ou sequer muito nítido. De um modo geral, a violência aqui é implícita, ou seja, nós apenas supomos que a há porque ela nos é dada a entender ou passada de repente e com pouca clareza. De facto, acho o filme mais triste do que violento e ambas servem o propósito de nos ensinar valiosas lições de vida: os dilemas entre o cumprimento do dever e o que é certo ou errado, o quanto pesado e cruel pode ser a liderança, a noção de responsabilidade, a amizade, a fidelidade (que nem por isso se verifica tanto no livro), o sacrilégio, a humildade, a coragem e a redenção.

Para além da boa interpretação de «F%&$#=g» Matt Damon, só para nomear o actor com o papel principal, há ainda a referir que este filme foi integralmente gravado com uma nova técnica, o IMAX, que proporciona uma qualidade de imagem equivalente a 15K. Pena é que a sua exibição nestes moldes só seja possível em pouco mais que algumas salas de cinema dos Estados Unidos da América, nomeadamente entre nós em Lisboa, Cascais e Matosinhos.

Eu cá gostei, sim senhores.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

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A CACA DE POMBO É CORROSIVA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!