Já há algum tempo que não ia ao cinema mas tive oportunidade de ir há umas semanas ver um filme do qual nada tinha ouvido falar até poucos dias antes e fui por insistência de um familiar. Eu gosto de ir assistir a algo que à partida sei que vou gostar, que os tostanitos custam a ganhar e eu quero ter a certeza que não os gasto em vão, como já aconteceu com certos «Gladiador II» ou «Apocaliptus» desta vida. Porém, reticentemente e à aventura, larguei uns carcanhóis e assisti ao «Projecto Hale Mary».
O Sol parece estar a perder a sua força. Não é ao acaso. Os cientistas descobrem que isso se deve a umas misteriosas criaturas microscópicas que se alimentam de estrelas. Que se nada for feito, elas comerão o Sol todo, a sua luz e o seu calor extinguem-se e igual destino se reserva a toda a vida na Terra. Pior ainda, a situação não se limita ao Sistema Solar. Estrelas de toda a galáxia estão a servir de repasto à bicharada. É então que uma equipa de cientistas e responsáveis políticos e militares de escala internacional liderada por uma loirinha alemã mais fria que um cubo de gelo recorre a Ryland Grace, um cientista frustrado, solitário e sem crédito que ganha a vida como professor, considerado importante pelas suas posições e teorias sobre vida não-orgânica. É então envolvido neste projecto de investigação, bem sucedido e com a inesperada colaboração de um segurança de lá do sítio. Enfim, é posto a par do Projecto Hale Mary, assim chamado porque talvez só rezando uns quantos Pais Nossos e, lá está, Avé Marias é que pode ser que haja uma pequeníssima nesga de probabilidade de sucesso. Este consiste em mandar uma equipa de cientistas à única estrela da galáxia que parece não estar a ser palco de banquetes de astrófagos. Porém, o lançamento correu mal e é preciso recorrer a outra nave e a uma equipa alternativa. Falta é um elemento e Ryland é feito voluntário à força. Ao chegar próximo do destino, é o único da nave a despertar da paragem criogénita. Os outros foram para os anjinhos em vez de iram para o espaço. Então vê-se sòzinho no espaço até ao dia em que se cruza com Rocky, um extraterrestre com uma história de vida parecida e em igual missão. Juntos procurarão entenderem-se, conhecerem-se, ajudarem-se e salvarem as vidas nos seus mundos e nos demais.
Ainda que eu tenha ido ver o filme de pé atrás, devo reconhecer que me surpreendi pela positiva. Para além de ser uma verdadeira lição sobre o entendimento e a amizade entre seres tão diferentes, mostra que não há barreiras para a mútua compreensão e cooperação. Daqui pode extrair-se uma valiosa lição. Se gente de espécies, mundos e formas de existir e viver completamente distintas são capazes de conviverem e se unirem em prol de um bem comum, porque não o serão os humanos? Um outro ponto a favor deste filme é a sua enorme boa disposição. A história está repleta de momentos hilariantes e muito inteligentes.
Em suma, recomendo o visionamento do filme. Garante um momento bem passado e animado.
Que a caca esteja convosco!
P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!
