domingo, 25 de janeiro de 2026

E se o Irmão Catita fosse Presidente?

 Depois de mais uma campanha eleitoral como tantas outras e de forma cada vez mais vincada, ou seja, vazia de conteúdo, com fracos candidatos e repleta de ataques pessoais, suspeições e insultos, que é como quem diz o paraíso da politiquice no seu mediatismo «big-brotheriano» mais abjecto, chegámos ao passado dia 18 às eleições presidenciais. Desta vez, nada mais nada menos que 11 candidatos foram aceites para o escrutínio, embora os boletins contassem com mais nomes. Sim, é que eu compreendo que existam prazos a cumprir mas os boletins foram impressos antes de terem sido verificadas e aprovadas as candidaturas. Alguém pôs a carroça à frente dos bois e isso deu o habitual: bosta. Independentemente disso, o resultado seria sempre o mesmo, visto que se podiam aglutinar todos os candidatos que não se apuraria o que desse para um que prestasse. Em todos eles, ou há algo a mais ou em falta. Quase deu vontade de não votar em nenhum. E, olhando para os dados oficiais, votaram 52,26% dos eleitores recenseados, o que um valor invulgarmente elevado, dos quais 1,06% fizeram votos em branco e 1,13%, mais do que qualquer um dos quatro candidatos menos votados, optaram por fazer votos nulos. A sorte é que o cargo é quase meramente simbólico e vazio de poderes.

No que diz respeito aos resultados, reconheço que fiquei surpreendido. Não com o facto de ser necessária uma segunda volta. Isso era previsível. Não com a fraca votação dos candidatos desconhecidos e dos comunista e afins, que também era evidente: dos primeiros não se sabe quem são nem têm relevância política e dos segundos, P.C.P.  e Bloco de Esquerda estão em queda livre e o Livre não só apenas tem como nome sonante o do seu líder, Rui Tavares, como o seu aspirante à Presidência, Jorge Pinto, ter a certa altura enveredado por uma campanha suicida sugerindo uma eventual desistência. Nada disto me espantou. Fiquei sim verdadeiramente admirado foi com outras duas razões.

A primeira razão prendeu-se com os dois candidatos mais votados e que disputarão a segunda volta. Não ligo a sondagens, por muito bem feitas que sejam. A verdadeira sondagem é a da votação dos eleitores. Sempre pensei que os «finalistas» seriam, em primeiro lugar, Marques Mendes, o famoso «Ganda Nóia» e, em segundo, Gouveia e Melo, apesar do almirante ter sido quase literalmente empurrado pela comunicação social para as eleições e não ter experiência política, o que não é necessàriamente mau. Cá para mim, não tenho a menor dúvida que o apoio de Cavaco Silva e Luís Montenegro à candidatura de Marques Mendes estorvou-o mais do que o ajudou. Em vez disso, surpreendi-me e bem com uma votação inesperada em António José Seguro (31,12%), à frente de André Ventura (23,52%). É que o primeiro pode ter a calma necessária mas não tem garra para Chefe de Estado, como já se viu quando liderou o Partido Socialista e foi alvo de um verdadeiro golpe sujo da parte de António Costa que o escorraçou. Por outro lado, o país bem precisa de uma mudança de rumo e de quem verdadeiramente o salve mas não me parece que o segundo tenha o perfil de estadista que é exigido e muito menos a polidez. Aliás, acho até que André Ventura deve estar desejoso de ter um bom resultado mas não ganhar, pois tem hipóteses cada vez maiores de um dia poder constituir um governo e toda a gente sabe que quem de facto governa o país é o Primeiro-Ministro. Portanto, apesar de arriscar numa »vitória pelo Seguro», mais razão tem o ditado popular: «entre um e outro, venha o Diabo e escolha»!

A segunda razão com a surpreendente votação de Manuel João Vieira, candidato independente e famoso artista, em particular enquanto vocalista dos Ena Pá 2000 e outros projectos musicais, que, com 1,08% dos votos, ficou à frente de Jorge Pinto (0,68%), André Pestana da Silva (0,19%) e Humberto Correia (0,08%). Curioso é que Vieira nunca pretendeu chegar à Presidência. A sua candidatura  não é a sério. Em tempos tentara (várias vezes) candidatar-se e disse numa ocasião que ele apenas pretendia mostrar que qualquer palerma podia candidatar-se à Presidência da República. Basta ver as propostas apresentadas. Hilariantes! Uma Megapolis no interior do país, vinho canalizado, Ferraris para todos, uma bailarina exótica ou uma prostituta para cada português, ou uma patinadora russa para os homens e um bailarino cubano para as mulheres, o que vai dar ao mesmo...

Claro que ele nunca ganharia as eleições. No entanto, lembrei-me logo dum filme que eu vi há uns anos, o «Bulworth, o Candidato da Verdade», em que um senador se candidatava à Presidência dos Estados Unidos da América, passava-se, só fazia e dizia disparates e, apesar disso, ganhava a eleição. Então eu fico aqui a pensar: e se Manual João Vieira vencesse mesmo o escrutínio?

A resposta é simples. Uma vez chegado ao Palácio de Belém, Manual João Vieira não faria nada, ainda que quisesse, dado o quão limitados são os poderes presidenciais. Certamente traria boa disposição às embaixadas e comitivas estrangeiras de visita ou aos restantes órgãos de soberania nacional mas que seriedade e credibilidade lhe seria de esperar? Que capacidade de resolução de problemas e de resistência a tensões? Que maneiras de lidar com matérias sensíveis? É um enigma e a sua resolução deixa-se ficar no domínio das incógnitas. Mas e se, ainda assim, tivesse capacidade para fazer o que promete? Para cumprir as suas promessas? Vamos pegar só nos exemplos dados.

1 - Bem, o mais provável é que tivesse uma aguerrida querela parlamentar para fazer passar uma legislação absurda que legitimasse e regulamentasse a prostituição. Porém, como hoje em dia já se vê de tudo, vamos admitir que é bem sucedido nisso. Tendo em conta que teria de haver uma bailarina exótica ou prostituta para cada português, ou, em caso de não aprovação, a alternativa das patinadoras russas e dos bailarinos cubanos, o lógico é que tivesse de haver um recurso ainda mais massivo à imigração e a população crescesse para cerca de 19 milhões de habitantes. Problema: antes de se admitirem tantas meninas destes ofícios, tinha de se arranjar lugar para elas habitarem. Teria de se tomar medidas para a reabilitação dos edifícios degradados já existentes, construir ainda mais e incentivar à hospedagem delas nas casas dos seus respectivos portugueses. Daqui resultariam algumas complicações: atritos entre as profissionais estrangeiras, entre portugueses familiares e entre vizinhos, para além de toda uma vaga de queixas de gente que não tem onde morar ou tem mas sem condições e aponta o dedo a quem vem de fora e tem logo morada garantida. Para além disso, teria de haver um gigantesco aumento da produção de tudo e mais alguma coisa, desde alimentos e vestuário a energia eléctrica, veículos, electrodomésticos, enfim, tudo. Não sendo possível, teria de se recorrer à importação em massa de tudo.

2 - A tal grande cidade do interior, a Megapolis, implicaria expropriações e consequente descontentamento onde quer que se implantasse. Naturalmente, teria de ter acessos, vias de comunicação, abastecimento energético e de água, redes de saneamento e transportes, enfim, uma infinidade de meios. Exigiria planificação detalhada e prévia e contratos de construção gigantescos. Mesmo que a construção arrancasse ainda durante o mandato de Vieira, mesmo que o primeiro de dois, só com um milagre é que se aprontaria em tempo útil.

3 - Pôr vinho canalizado só que fosse em bebedouros públicos ou chafarizes exigiria mais contratos com empreiteiros e campanhas de obras generalizadas por todo o país. Indirectamente, conduziria ao aumento de problemas associados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e, por consequência, ao crescimento da despesa em segurança, justiça e saúde.

4 - A aquisição de um Ferrari para cada português acarretaria duas complicações, que são a impossibilidade técnica da Ferrari produzir e disponibilizar  tantas viaturas e a outra de alojar no país tantos carros. Quanto à do Estado ter capacidade de pagamento de tantos carrões destes, não duvido. Já se tem gasto dinheiro que não existe e de formas tanto ou mais absurdas que esta. Lembro-me agora assim de repente de montes de linhas fechadas e ainda se querer fazer outra para T.G.V.'s ou de se pretender construir um novo aeroporto numa zona pantanosa e que ficará decerto debaixo de água a médio prazo quando já existe um quase novo e que continua quase sem ser usado.

Para a concretização ou tentativa de concretização de tudo isto, ou só que fosse de cada uma das medidas por si só, o que seria megalómano em alta escala, seria necessário um orçamento épico, mais do que toda a riqueza do país junta. Por isso, das duas uma: ou nunca tais propostas passariam da fase de ideias, que é o que seria mais sensato e provável, e Manuel João Vieira passaria para a História com um presidente previsìvelmente incumpridor de promessas, ou seja, mais um para juntar ao rol, ou então seriam levadas a cabo, Portugal caía na absoluta e irrecuperável bancarrota e perder-se-ia para sempre junto dos credores, ficando este presidente conhecido como o «Falidor».

Porém, como é tudo uma tentativa de trazer humor e boa disposição a um saco de gatos assanhados, como as eleições por cá se tornaram, podemos ficar descansados, pois nada vai alguma vez seguir em frente. Vamos então ouvir este homem, apreciar a sua obra plástica e musical, se formos apreciadores do género, aplaudi-lo e rir-nos a bom rir enquanto tivermos possibilidade de usufruir do direito à felicidade.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

P.P.S.: Lamento, isto é uma coisa séria. Pode não parecer mas não votei nele.

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