domingo, 25 de janeiro de 2026

Alerta C.M.: Confusões Geográficas

 Não tenho televisão paga onde eu moro. Aliás, devido a uma avaria, há bastante tempo que não tenho sequer os canais de sinal aberto, o que não me impede de ver um pouco quando calha e o rei faz anos e muito menos de saber uma coisinha ou outra do que nela se passa.

Há bocado chamaram-me a atenção para um daqueles «Alerta C.M.» que a toda a hora aparecem nos noticiários da C.M.T.V. a chamarem os telespectadores à atenção para determinado acontecimento, do mais sério ao mais ridículo. Nós sabemos que o Correio da Manhã é um prodígio da imaginação, seja em trocadilhos ou em criação de factos, mas desta vez esmeraram-se com a elaboração de uma geografia alternativa para o nosso país.

Imagine-se que falavam em forte agitação marítima para... Monchique?! Ainda pensei que se estivessem a referir a um outro lugar costeiro com o mesmo nome mas logo a reportagem passou para o terreno, indicando que se tratava mesmo da vila algarvia. Ora Monchique é quase no cimo da serra com o mesmo nome, no limite interior com o Baixo Alentejo, bem longe do litoral.


 

Quando eu era pequeno, ainda se contava uma pequena piada usada para explicar a noção de absurdo. «Um cabo de mar e um chefe de estação andaram à porrada em Monchique porque não tinham pedras para amandar um ao outro.» Ora Monchique fica longe do mar, não tem estação de caminhos-de-ferro e está plantada no meio de pedraria!

O pessoal do Correio da Manhã deve estar a sentir-se como a Floribella: «estou um pouco confusa...»

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

E se o Irmão Catita fosse Presidente?

 Depois de mais uma campanha eleitoral como tantas outras e de forma cada vez mais vincada, ou seja, vazia de conteúdo, com fracos candidatos e repleta de ataques pessoais, suspeições e insultos, que é como quem diz o paraíso da politiquice no seu mediatismo «big-brotheriano» mais abjecto, chegámos ao passado dia 18 às eleições presidenciais. Desta vez, nada mais nada menos que 11 candidatos foram aceites para o escrutínio, embora os boletins contassem com mais nomes. Sim, é que eu compreendo que existam prazos a cumprir mas os boletins foram impressos antes de terem sido verificadas e aprovadas as candidaturas. Alguém pôs a carroça à frente dos bois e isso deu o habitual: bosta. Independentemente disso, o resultado seria sempre o mesmo, visto que se podiam aglutinar todos os candidatos que não se apuraria o que desse para um que prestasse. Em todos eles, ou há algo a mais ou em falta. Quase deu vontade de não votar em nenhum. E, olhando para os dados oficiais, votaram 52,26% dos eleitores recenseados, o que um valor invulgarmente elevado, dos quais 1,06% fizeram votos em branco e 1,13%, mais do que qualquer um dos quatro candidatos menos votados, optaram por fazer votos nulos. A sorte é que o cargo é quase meramente simbólico e vazio de poderes.

No que diz respeito aos resultados, reconheço que fiquei surpreendido. Não com o facto de ser necessária uma segunda volta. Isso era previsível. Não com a fraca votação dos candidatos desconhecidos e dos comunista e afins, que também era evidente: dos primeiros não se sabe quem são nem têm relevância política e dos segundos, P.C.P.  e Bloco de Esquerda estão em queda livre e o Livre não só apenas tem como nome sonante o do seu líder, Rui Tavares, como o seu aspirante à Presidência, Jorge Pinto, ter a certa altura enveredado por uma campanha suicida sugerindo uma eventual desistência. Nada disto me espantou. Fiquei sim verdadeiramente admirado foi com outras três razões.

A primeira razão com o facto de, tanto quanto reparo ou tenho lembrança, o que nunca se sabe porque eu sou uma pessoa distraída, ter sido a primeira vez que foram autorizados a votar cidadãos brasileiros que para isso cumpram os requisitos. Nada tenho contra eles mas não acho correcto. Se eles têm direito, porque não o hão-de ter os restantes cidadãos estrangeiros que cumpram os mesmos requisitos? Parece-me que este é um procedimento nada democrático: ou podem todos ou não podem nenhuns e aqui a lei não é igual para todos.

A segunda razão prendeu-se com os dois candidatos mais votados e que disputarão a segunda volta. Não ligo a sondagens, por muito bem feitas que sejam. A verdadeira sondagem é a da votação dos eleitores. Sempre pensei que os «finalistas» seriam, em primeiro lugar, Marques Mendes, o famoso «Ganda Nóia» e, em segundo, Gouveia e Melo, apesar do almirante ter sido quase literalmente empurrado pela comunicação social para as eleições e não ter experiência política, o que não é necessàriamente mau. Cá para mim, não tenho a menor dúvida que o apoio de Cavaco Silva e Luís Montenegro à candidatura de Marques Mendes estorvou-o mais do que o ajudou. Em vez disso, surpreendi-me e bem com uma votação inesperada em António José Seguro (31,12%), à frente de André Ventura (23,52%). É que o primeiro pode ter a calma necessária mas não tem garra para Chefe de Estado, como já se viu quando liderou o Partido Socialista e foi alvo de um verdadeiro golpe sujo da parte de António Costa que o escorraçou. Por outro lado, o país bem precisa de uma mudança de rumo e de quem verdadeiramente o salve mas não me parece que o segundo tenha o perfil de estadista que é exigido e muito menos a polidez. Aliás, acho até que André Ventura deve estar desejoso de ter um bom resultado mas não ganhar, pois tem hipóteses cada vez maiores de um dia poder constituir um governo e toda a gente sabe que quem de facto governa o país é o Primeiro-Ministro. Portanto, apesar de arriscar numa »vitória pelo Seguro», mais razão tem o ditado popular: «entre um e outro, venha o Diabo e escolha»!

A terceira razão com a surpreendente votação de Manuel João Vieira, candidato independente e famoso artista, em particular enquanto vocalista dos Ena Pá 2000 e outros projectos musicais, que, com 1,08% dos votos, ficou à frente de Jorge Pinto (0,68%), André Pestana da Silva (0,19%) e Humberto Correia (0,08%). Curioso é que Vieira nunca pretendeu chegar à Presidência. A sua candidatura  não é a sério. Em tempos tentara (várias vezes) candidatar-se e disse numa ocasião que ele apenas pretendia mostrar que qualquer palerma podia candidatar-se à Presidência da República. Basta ver as propostas apresentadas. Hilariantes! Uma Megapolis no interior do país, vinho canalizado, Ferraris para todos, uma bailarina exótica ou uma prostituta para cada português, ou uma patinadora russa para os homens e um bailarino cubano para as mulheres, o que vai dar ao mesmo...

Claro que ele nunca ganharia as eleições. No entanto, lembrei-me logo dum filme que eu vi há uns anos, o «Bulworth, o Candidato da Verdade», em que um senador se candidatava à Presidência dos Estados Unidos da América, passava-se, só fazia e dizia disparates e, apesar disso, ganhava a eleição. Então eu fico aqui a pensar: e se Manual João Vieira vencesse mesmo o escrutínio?

A resposta é simples. Uma vez chegado ao Palácio de Belém, Manual João Vieira não faria nada, ainda que quisesse, dado o quão limitados são os poderes presidenciais. Certamente traria boa disposição às embaixadas e comitivas estrangeiras de visita ou aos restantes órgãos de soberania nacional mas que seriedade e credibilidade lhe seria de esperar? Que capacidade de resolução de problemas e de resistência a tensões? Que maneiras de lidar com matérias sensíveis? É um enigma e a sua resolução deixa-se ficar no domínio das incógnitas. Mas e se, ainda assim, tivesse capacidade para fazer o que promete? Para cumprir as suas promessas? Vamos pegar só nos exemplos dados.

1 - Bem, o mais provável é que tivesse uma aguerrida querela parlamentar para fazer passar uma legislação absurda que legitimasse e regulamentasse a prostituição. Porém, como hoje em dia já se vê de tudo, vamos admitir que é bem sucedido nisso. Tendo em conta que teria de haver uma bailarina exótica ou prostituta para cada português, ou, em caso de não aprovação, a alternativa das patinadoras russas e dos bailarinos cubanos, o lógico é que tivesse de haver um recurso ainda mais massivo à imigração e a população crescesse para cerca de 19 milhões de habitantes. Problema: antes de se admitirem tantas meninas destes ofícios, tinha de se arranjar lugar para elas habitarem. Teria de se tomar medidas para a reabilitação dos edifícios degradados já existentes, construir ainda mais e incentivar à hospedagem delas nas casas dos seus respectivos portugueses. Daqui resultariam algumas complicações: atritos entre as profissionais estrangeiras, entre portugueses familiares e entre vizinhos, para além de toda uma vaga de queixas de gente que não tem onde morar ou tem mas sem condições e aponta o dedo a quem vem de fora e tem logo morada garantida. Para além disso, teria de haver um gigantesco aumento da produção de tudo e mais alguma coisa, desde alimentos e vestuário a energia eléctrica, veículos, electrodomésticos, enfim, tudo. Não sendo possível, teria de se recorrer à importação em massa de tudo.

2 - A tal grande cidade do interior, a Megapolis, implicaria expropriações e consequente descontentamento onde quer que se implantasse. Naturalmente, teria de ter acessos, vias de comunicação, abastecimento energético e de água, redes de saneamento e transportes, enfim, uma infinidade de meios. Exigiria planificação detalhada e prévia e contratos de construção gigantescos. Mesmo que a construção arrancasse ainda durante o mandato de Vieira, mesmo que o primeiro de dois, só com um milagre é que se aprontaria em tempo útil.

3 - Pôr vinho canalizado só que fosse em bebedouros públicos ou chafarizes exigiria mais contratos com empreiteiros e campanhas de obras generalizadas por todo o país. Indirectamente, conduziria ao aumento de problemas associados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e, por consequência, ao crescimento da despesa em segurança, justiça e saúde.

4 - A aquisição de um Ferrari para cada português acarretaria duas complicações, que são a impossibilidade técnica da Ferrari produzir e disponibilizar  tantas viaturas e a outra de alojar no país tantos carros. Quanto à do Estado ter capacidade de pagamento de tantos carrões destes, não duvido. Já se tem gasto dinheiro que não existe e de formas tanto ou mais absurdas que esta. Lembro-me agora assim de repente de montes de linhas fechadas e ainda se querer fazer outra para T.G.V.'s ou de se pretender construir um novo aeroporto numa zona pantanosa e que ficará decerto debaixo de água a médio prazo quando já existe um quase novo e que continua quase sem ser usado.

Para a concretização ou tentativa de concretização de tudo isto, ou só que fosse de cada uma das medidas por si só, o que seria megalómano em alta escala, seria necessário um orçamento épico, mais do que toda a riqueza do país junta. Por isso, das duas uma: ou nunca tais propostas passariam da fase de ideias, que é o que seria mais sensato e provável, e Manuel João Vieira passaria para a História com um presidente previsìvelmente incumpridor de promessas, ou seja, mais um para juntar ao rol, ou então seriam levadas a cabo, Portugal caía na absoluta e irrecuperável bancarrota e perder-se-ia para sempre junto dos credores, ficando este presidente conhecido como o «Falidor».

Porém, como é tudo uma tentativa de trazer humor e boa disposição a um saco de gatos assanhados, como as eleições por cá se tornaram, podemos ficar descansados, pois nada vai alguma vez seguir em frente. Vamos então ouvir este homem, apreciar a sua obra plástica e musical, se formos apreciadores do género, aplaudi-lo e rir-nos a bom rir enquanto tivermos possibilidade de usufruir do direito à felicidade.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

P.P.S.: Lamento, isto é uma coisa séria. Pode não parecer mas não votei nele.

Juízo do Ano do Pombocaca para 2026

Caros pombos amigos.


Como já tenho referido desde há uns anos para cá, o «Juízo do Ano» do «Borda d'Água» tem tido uma falha recorrente no que diz respeito ao planeta regente. Não atina, que é que se há-de fazer? Desta vez diz que é Mercúrio, que o foi o ano passado, não neste. Consequentemente, o resto da prognosticação também não é correctamente apresentado. Por isso, volto este ano a fazer o Juízo do Ano do Pombocaca.

Cômputo do ano de 2026

Planeta Regente: Júpiter

Número do Ciclo Solar: 19

Áureo Número: 13

Letra Epactal: B

Número da Epacta: 11

Letra Dominical: D

Prognosticação

Apesar de toda a loucura que atravessa o clima nos tempos presentes, a prognosticação do ano passa do até coincidiu com o que era de prever para um ano mercurial. No que diz respeito às condições meteorológicas, este ano seria, teòricamente, de Inverno temperado, Primavera ventosa, Verão aprazível e Outono chuvoso. Por consequência, haveria abundância de trigo (no que eu guardo reservas, tendo em conta as chuvas que impediram muitas sementeiras e agora têm alagado os campos) e vinho. Os animais domésticos terão assim alimento com fartura e os cursos de água caudal abundante, pelo que será de prever abundância de carne e peixe fresco, isto se os recursos forem usados com sensatez por nós, humanos. Porém, como se não bastassem as pragas e os químicos, estas boas características meteorológicas ainda assim não constituirão benesse suficiente para as abelhas, prevendo-se fraca produção de mel. Contudo, mais uma vez advirto. Como hoje em dia o clima está muito alterado face ao que era a norma, o mais provável é que, embora os princípios básicos se continuem a verificar de forma mais ou menos marcada, principalmente menos, já ninguém saiba dizer com segurança o que é que se há-de esperar das condições atmosféricas. Portanto, há-de fazer Sol quando for de dia e não houverem nuvens e chover quando cair água destas. O vento há-de soprar dum lado para o outro. Trovejará quando soarem trovões.

A fazer fé nos antigos lunários e com base no que se há-de esperar dum ano jovial, hão-de estabelecer-se alguns acordos de paz e concórdias. De resto, já se sabe. Os artistas continuarão a fazer arte ou coisa a que isso chamam, os cientistas, médicos, oficiais de justiça e muitos mais a contorcer-se com falta de meios, os traficantes  a traficar, os professores e os empregados a aturar pirralhada e seus pais e encarregados de educação mal comportados, os políticos a atirar-nos areia para os olhos e fazer coisas parvas as mais das vezes e por aí a fora. Enfim, hão-de acontecer acontecimentos, como é costume.

De uma forma geral, as pessoas nascidas neste ano terão cabeça, tronco e membros. Os membros serão quatro, sendo que dois serão braços com uma mão cada e cinco dedos em cada e duas pernas com um pé em cada uma, cada qual dotado igualmente de cinco dedos cada. No tronco, por entre a organada toda, há-de bater um coração em cada vivo, embora em certos Putines, Nethaniahus e outros que tais não pareça. Cada cabeça deverá contar também com dois olhos, duas orelhas e seus ouvidos, um nariz com duas narinas, uma boca com língua e dentes, em muitas delas há-de haver cabeça e talvez barba e, parecendo que não com preocupante frequência, é de prever que haja um encéfalo a trabalhar dentro da caixa craniana. Sobre algumas deveria haver também um par pontiagudo de pesos, que bem o mereciam.

Apesar de tudo, vão continuar a haver guerras. O Javier Milei e o Donald Trump, só para nomear alguns, continuarão a dizer e fazer disparates, se não os calarem. Se não estiverem, é porque estarão a pensar em disparates. Pessoas vão continuar a nascer, a ter doenças e a morrer e quase podia apostar que os outros viventes também. A Amazónia e as outras florestas vão continuar a ser destruídas. A ganância, a estupidez e a ambição continuarão a prosperar num mundo regido pelo dinheiro e dele dependente. Assim, os pobres e oprimidos continuarão a ser mais e a sê-lo mais e a Natureza a degradar-se. Os impostos continuarão a ser cobrados e os preços de tudo continuarão a subir. Como dizia uma criadora de vacas da minha terra, «só o leite do cacete é que não aumenta!»

Acho que não vale a pena continuar. Como se vê e é de prever, 2026 será um ano de mais do mesmo, só que sempre cada vez pior. Claro que há sempre uma esperança e é a essa que nos devemos agarrar. Mas agarrar não significa que fiquemos à espera que tudo nos caia no colo. Significa sim que temos de nos fixar à ideia e pôr mãos à obra para a tornar numa realidade. Só assim se quebrará este ciclo vicioso e se o substituirá por um outro ciclo, mas virtuoso.

Que a caca esteja convosco!



P.S.(nada a ver com o partido do próximo Presidente da República): NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

 

domingo, 11 de janeiro de 2026

Poitas da estrada

 Queria só deixar aqui um breve apontamento, uma tentativa de obtenção de esclarecimento a uma dúvida que eu tenho, embora algo me diga que vou ficar na mesma. Não sei como é que tem sido nas vossas áreas de residência mas, no percurso que eu costumo fazer habitualmente, este ano passado começaram a proliferar uma espécie de lombas que em vários casos vieram substituir as pré-existentes. Descobri recentemente, hoje mesmo, para ser franco, que se designam por «lombas berlinenses» mas eu sempre lhes chamei de «poitas da estrada». As lombas habituais costumavam ser, pelo menos por aqui, tiras de alcatrão ou pedra que se elevavam do pavimento ou de borracha que eram aparafusadas ao pavimento. Em qualquer dos casos, iam dum lado ao outro da faixa de rodagem. Entretanto, surgiram as poitas, elevações quadradas de borracha que se aparafusam ao pavimento. Se são berlinenses, então não sei onde é que aquela gente tinha a cabeça. É que os Alemães são espertos, até costumam fazer coisas muito boas, mas aquilo é uma porcaria. É que, como não vai de um lado ao outro da estrada, é prática comum entre a generalidade dos condutores, na qual eu me recuso incluir, contornar esta poita e seguir em frente. O problema é que, para isso, é preciso ou sair para a berma, se a houver, ou entrar em sentido contrário. Deste chico-espertismo resultam uns quantos sustos ou umas marradas à carneiro entre viaturas. De que é que serviu esta bodega? De nada. Nem os veículos abrandaram nem se mantiveram na sua mão. Eu suma, as poitas não cumprem o propósito para que foram criadas e não servem senão para promover o desrespeito às regras de trânsito e causar situações de perigo. As poitas são isso mesmo: poitas, uma bosta.

Por favor, alguém que mande retirar esta porcaria e substituí-la por lombas a sério antes que haja um acidente grave.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

A farsa dos aumentos de ordenados e afins

 Eu creio que já falei deste assunto mas não resisto a voltar a ele para deixar claras algumas ideias que a mim me parecem básicas mas que dá a impressão que talvez não o sejam a muita gente, de entre a qual se incluem os nossos sucessivos governantes, já para não falar em talvez a classe política em geral, a avaliar pela amostragem que temos tido década após década.

Sempre que chega o Ano Novo, é notícia habitual o aumento do custo de vida. Sobe o preço dos alimentos, dos combustíveis, da electricidade, dos transportes, enfim, como dizia a Ti Maria de Vilares, que era criadora de vacas, «tudo aumenta menos o leite do cacete». Consequentemente, ora por iniciativa governamental ora por insistência dos sindicatos, sobem-se os ordenados, as pensões e os subsídios. Este ano, por exemplo, o salário mínimo, que é daquelas coisas que só existem para quem trabalha por conta de outrem e nem sempre, passa para 920 euros, que, na nossa saudosa antiga moeda, são 184.443$44 (para quem não sabe ou não se lembra, cento e oitenta e quatro mil e quatrocentos e quarenta e três escudos e quarenta e quatro centavos). Parece estar a questão resolvida. Porém, estes aumentos não serviram para nada. Não é preciso ser um génio para chegar a essa conclusão.

O aumento de um ordenado, pensão, subsídio ou qualquer outra prestação implica sempre uma despesa extra. Muitas empresas não têm possibilidade de suportar este aumento de gastos e deparam-se com dois caminhos, que são ou a adaptação a esta nova realidade ou o encerrar das portas. Só há três formas possíveis de cobrir ou evitar este aumento de despesa: aumentando os preços dos produtos ou serviços, aumentando a produção e diminuindo os custos. Aumentar a produção consiste em fazer mais produtos ou prestar mais serviços. Para reduzir os custos pode-se diminuir a qualidade dos produtos ou serviços prestados, aumentar a laboração dos empregados ou despedir pessoal. Pode ser empregue uma destas medidas, várias ou todas ao mesmo tempo. Como as matérias-primas e produtos em geral se tornaram mais caros, é difícil aumentar a produção sem que os produtos ou serviços venham a perder qualidade. Aumentar a carga laboral dos trabalhadores e/ou despedir alguns deles é comum mas pode dar azo a chatices com os sindicatos e autoridades. Portanto, o recurso mais comum é o de aumentar os preços dos produtos e serviços. O problema é que, se se aumentam os preços, o custo de produção em particular e o de vida em geral vão também aumentar. Que fazer agora? O mesmo que os governos do meio século que nos antecede têm feito: aumentar salários, pensões, subsídios e tudo o mais por aí a fora. 

Atentemos aos seguintes valores de referência, os do salário mínimo desde 2014.

2014: 445 euros

2015: 505 euros

2016: 530 euros

2017: 557 euros

2018: 580 euros

2019: 600 euros

2020: 635 euros

2021: 665 euros

2022:705 euros

2023:760 euros

2024: 820 euros

2025: 870 euros

2026: 920 euros

Se prestarmos um mínimo de atenção, o salário mínimo tem tido constantes aumentos na medida em que o custo de vida também tem aumentado. O valor estabelecido para este ano é quase o dobro do que havia para 2014. E se deste mês em diante, até ordem ao contrário, o valor em escudos é de 184.443$44, no ano 2000, antes do euro, tinha sido estipulado em 63.800$00, ou seja, hoje é quase o triplo. Quem então ganhava 100 contos por mês, gozava de um ordenado muito bom mesmo ou então tinha-se quase literalmente matado a trabalhar para o conseguir. Em 1990, eram 35.000$00, pouco mais de uma quinta parte do que é agora. Cem contos num mês era impensável para quase todos os trabalhadores do país. Em 1980, eram 9000$00, 20 vezes e meia menos que o indicado para este ano. Quando o salário mínimo foi criado, em 1974, a lei indicava a obrigatoriedade de pelo menos 3300$00, menos do que hoje se recebe por meio dia de trabalho  e perto de um de 66 avos daquilo que passa a ser este ano o valor de referência.

Perante estes dados, uma pergunta vem-nos logo à cabeça. As pessoas deviam ser mesmo muito miseráveis. Se agora os ordenados são muito mais altos, então as pessoas devem ter um poder de compra muito superior, certo? Errado. Na maior parte dos anos desde a estipulação de um valor para o salário mínimo, o dinheiro, embora fosse menos, permitia comprar mais, pelo menos no que respeita aos bens essenciais, do que nos dias que correm. O problema é que a moeda foi sempre desvalorizando, fosse escudo ou euro, e os preços subiram sempre e acima do crescimento dos ordenados e prestações sociais. A inflação galopante obrigou até a um acerto do ordenado mínimo duas vezes em 1989: de 27.200$00 para 30.000$00 no primeiro trimestre e 31.500$00 no segundo.

Em suma, os aumentos destes pagamentos sem medidas acessórias obrigou sempre ao aumento dos custos de produção e consequente aumento dos preços dos produtos e dos serviços, alimentando a inflação que pretendia combater. É uma pescadinha de rabo na boca. Um rabo muito inflacionado.

Que podemos concluir daqui? Que aumentar ordenados, pensões e subsídios é absolutamente inútil como forma de combater o aumento do custo de vida se não estiver acompanhado de medidas de combate à inflação. Porém, como é mais fácil e cativa mais o eleitorado, um após outro, é o que os governos têm feito. Pão e circo, meus caros! É-nos dado sempre mais dinheiro por um lado para ser-nos retirado por outro.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Mensagem de Boas Festas do Pombocaca (atrasadas ou adiantadas, conforme o ponto de vista)

 Caros pombos amigos

2025 foi um ano complicado. Todos os anos têm tido a sua dose de atribulação. Contudo, olhando para o panorama quer nacional quer global, ficamos com a sensação de que a situação em geral se tem tornado progressivamente mais complexa e difícil, que tudo se agrava e parece encaminhar-se para situações que não parecem ser os destinos mais desejáveis. A Humanidade permanece em crescente individualismo e egoísmo, anestesiada, alheia a tudo, em progressiva estupidificação e com diferendos e até ódios cada vez mais vincados. Conflitos grassam por todo o Mundo de forma inexplicável e que foge a qualquer linha de raciocínio lógico. Focos de doenças despertam aqui e ali entre humanos e outros animais. Até o clima parece estar a enlouquecer.

Mas nem tudo são más notícias. Há mais de 2000 anos, lá nos lados do Médio Oriente, bem como noutras partes do globo, a situação também não era nada animadora e as condições de vida eram bem mais precárias do que hoje em dia. No entanto, houve sempre quem voltasse as costas a todas as más inclinações, enveredasse pela virtude e tivesse esperança num futuro mais risonho. Essa esperança veio, nascida num pobre estábulo de Belém, e vingou graças à união de todos, desde o gado à família do recém-nascido e a toda a gente que afluiu ao local. A esperança fez acreditar em Jesus, fê-lo tornar-se homem e espalhar a sua mensagem de paz e harmonia. Nem sempre a mensagem foi bem interpretada e transmitida, é inegável, mas não foi perdida e se conseguiu trazer o bem a pelo menos uma pessoa ou um lugar, então já terá servido para alguma coisa, nem que seja para criar mais esperanças de que, se resultou naquela ocasião, porque não há-de resultar noutras? 

Neste ano que passou, muito se falou de inteligência artificial. Vou deixar aqui uma sugestão. E que tal se deixássemos de sermos preguiçosos mentais e usássemos a inteligência natural que já temos de origem? Sem dúvida, garanto com todo o grau de certeza que todos nós ficaríamos surpreendidos com o que o Tico e o Teco a faiscar um com o outro são capazes de produzir. Os sistemas de inteligência artificial só produzem aquilo para o qual foram programados mas nós temos pensamento abstracto, em certos casos sob a forma de imaginação, e podemos ir muito além com a inteligência natural. Portanto, usemos os nossos neurónios como criaturas dotadas de esperteza que somos, deixemos de lado as nossas mesquinhices, egoísmos e chico-espertices e pensemos de forma sensata e racional. Será que aniquilar os nossos vizinhos e tudo o que era deles nos trás felicidade? Será que enganar ou roubar outra pessoa vai trazer-nos algum verdadeiro benefício sem nenhuma consequência atrás? Apoderarmo-nos de mais uma Venezuela ou Gronelândia é algum motivo de alegria? Vandalizar, poluir ou maltratar será vantajoso para alguma coisa? Pois se os tortuosos caminhos do mal nunca nos podem levar a nada de bom, porque é que insistimos sempre em seguir por aí? Imaginemos que temos uma horta e precisamos da sua produção para sobrevivermos. Não se desenvolverá uma hortaliça com água e não com gasolina? Então se queremos manter-nos vivos, vamos regá-la com água, que assim sabemos que vamos ter comida para nos mantermos vivos. Com o resto é igual. Como eu disse, usemos a nossa inteligência natural. Arrepiemos caminho ou dêmos as mãos para sair desta estrada. Se a receita de há dois milénios deu resultado, não poderá resultar noutras ocasiões? Quem sabe senão hoje mesmo? Imaginemos sim mas também apliquemos na prática este projecto da nossa mente. Garanto que só dará bons resultados.

Eu sei que já passaram as grandes festas da quadra natalícia e passagem de ano mas pensemos na alegria de todas as pessoas que as puderam celebrar e imaginemos no quão bom seria se toda aquela felicidade pudesse ser replicada em cada dia do novo ano e, quem sabe, da eternidade. Pois se ainda há-de haver muito para celebrar até ao fim dos tempos, então nunca é tarde demais para desejar umas boas festas a todos.

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

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A CACA DE POMBO É CORROSIVA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!