sábado, 4 de abril de 2020

Breve História das Epidemias em Portugal

Tem-se falado muito de «coisa nunca vista», «inédito», jamais se conheceu», etc., mas a verdade é que esta situação que vivemos com o COVID-19 não é inédita. Sempre existiram doenças e provàvelmente sempre hão-de haver. Mesmo epidemias também se verificaram muitas. Vejamos aqui uma brevíssima súmula delas em Portugal.

As informações para épocas mais recuadas da História são escassas mas, ainda assim, restam indícios de tragédias ao longo da Idade Média e da Idade Moderna.

1348 - Peste Negra - Chegou durante o Outono, trazida por mercadores vindos da Península Itálica. Matou entre um terço e metade da população nacional e deixou o país mergulhado no caos. A cada geração apareciam novos surtos, o que se prolongou até ao final do século XVII. De entre estes, alguns tomaram dimensão de epidemia. Porém, este primeiro foi o pior caso.

1569 - Grande Peste de Lisboa - Nova epidemia de peste negra, a qual foi particularmente preocupante em Lisboa, onde chegaram a morrer cerca de 600 pessoas por dia, num total estimado de 60.000 vítimas mortais.

1650 - Última epidemia de peste negra em Portugal.

Do século XIX em diante há mais informações. No entanto, não é só pelo conhecimento mas pela ocorrência que se pode concluir que este século e as primeiras décadas do seguinte foram o período mais crítico no que respeita a epidemias.

1833 - A cólera-morbo chega ao Porto durante o cerco aquando da Guerra dos Dois Irmãos, trazida por soldados provenientes da Bélgica para reforçar as hostes de Dom Pedro IV. Desconhece-se o número de vítimas mas terão sido mais que a causada pelo conflito que opunha liberais a absolutistas.

1855 - Inicia-se em Maio outro surto de cólera-morbo que alastrou a todo o país. Durou até 1857 e são conhecidos pelo menos 22.700 mortos.

1895 - Novamente a peste negra em Macau, grassando aí até ao fim do século. Talvez a partir daí, chegou ao Porto em Junho 1899, onde se prolongou até Janeiro de 1900. Apesar de tudo, dos 326 casos conhecidos nesta cidade, há a lamentar 111 mortos.

1917 - Tifo exantemático - novo tipo de febre tifóide. A epidemia prolongou-se desde Dezembro deste ano até Agosto de 1919, cifrando-se em 1481 mortos de 9035 infectados conhecidos.

1918 - Simultâneamente ao tifo, espalharam-se outras duas doenças, ambas de Junho a Dezembro. Uma foi a varíola, cujo número de infectados e mortos é desconhecido, em muito por causa da agressividade da outra doença, que abafou esta. A gripe pneumónica, conhecida por gripe espanhola, terá matado, de acordo com as estimativas da época, cerca de 59.000 pessoas. Porém, estudos mais recentes apontam para 135.257, de acordo com o estudo de Maria Antónia Pires de Almeida para o ISCTE.

Se formos a ver as medidas adoptadas durante estas epidemias e outros surtos que entretanto se verificaram  nos séculos XIX e XX, verificamos que são idênticas às estabelecidas hoje em dia: encerramento dos estabelecimentos de ensino e da generalidade dos serviços públicos, bem como muitos dos estabelecimentos comerciais e de hotelaria e restauração; cancelamento de eventos desportivos e culturais, missas, procissões, romarias, feiras e mercados; montagem de cercas sanitárias e hospitais de campanha; limitações às deslocações e acessos a lugares; quarentenas obrigatórias; indicação para as populações ficarem em casa; recomendações de higiene; tratamentos, dentro do possível em cada época; entre muitas outras, só para citar algumas.

«Em equipa vencedora não se mexe», certo?

O que há a reter nisto tudo é que este caso não é novo e soubemos aprender, de tal forma que os surtos têm sido menos graves do que foram em épocas recuadas. Em geral, as epidemias tiveram facilidade em grassar devido à falta de higiene, fome, miséria e instabilidade causada por guerras e convulsões sociais. Com cautelas, higiene, boa alimentação, paz e tratamentos, tudo se passará sem tragédias ou problemas de maior e cá estaremos para perdurar e fazer dos tempos que hão-de vir épocas melhores. Sobreviveremos, como outros antes de nós.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Soltar presos? Humm...

Foi renovado, e bem, o estado de emergência. Porém, de entre as novas medidas apresentadas, uma há que tem levantado uma série de questões. O Governo pretende libertar presos como forma de evitar a propagação da pneumonia viral nas cadeias. Porém, quanto a mim, e acredito que para muitas outras pessoas, esta é uma péssima ideia. Isto pelas seguintes quatro razões.

1 - Segurança dos próprios prisioneiros -  Parece-me lógico que manter os reclusos nas prisões é uma forma de os manter afastados do novo coronavírus. Há quem diga que a sobrelotação das prisões pode levar a que, havendo um contágio, a doença depressa alastre entre presos, guardas e outros funcionários. É verdade. Por isso, seria sensato fazer era exactamente o contrário, cancelando e mesmo proibindo as saídas precárias e que tais, bem como cancelar provisòriamente as visitas, tomar medidas sanitárias básicas, fazer desinfecções frequentes, usar meios de protecção e fazer controlos mínimos à entrada e saída dos estabelecimentos prisionais. A médio prazo seria indispensável contratar mais pessoal e construir novas prisões, algo de que há muito se fala. É que os prisioneiros não são muitos, o que não falta é gente que devia estar presa, as prisões é que são poucas.

2 - Penitência - Quem comete um crime, deve cumprir a pena a que foi condenado. Em Portugal desabituámo-nos a isso mas é assim é que é justo e tem de ser.

3 - Legitimidade - Com que autoridade vai ser detido e preso qualquer desrespeitador do estado de emergência quando, ao mesmo tempo, se libertam presos? Não faz sentido, é o total descrédito do Estado. 

4 - Impunidade - Libertar prisioneiros só vai ajudar a acentuar e confirmar o clima de impunidade que tem minado o país nas últimas quatro décadas. Se já hoje se acredita que se pode fazer tudo e mais alguma coisa sem esperar qualquer consequência, que mão no país terão as autoridades se o próprio Governo der o aval a esta derradeira desresponsabilização? Lembremo-nos que a justiça sempre foi a base da manutenção de qualquer sociedade e a principal competência e dever dos soberanos desde o início da Humanidade.

Ai, ai, ai...

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Bolsonarices (só mais uma vez... de inúmeras)

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, parece tentar rivalizar com Trump no que respeita a dizer e fazer asneiras. Desvalorizando a presente pandemia, tem dito toda a espécie de disparates e não só recusa medidas de contenção e combate à doença como pretende ver é toda a gente na rua, a trabalhar, de preferência. Ele próprio tem aparecido rodeado de pessoas.

Recentemente disse que «todos temos de morrer um dia».

É verdade, concordo plenamente. Talvez ele devesse continuar a dar mais uns abraços e beijinhos e dar o exemplo de morrer que é para nós vermos se terá sido mesmo boa ideia.

Posso adiantar uma resposta a esta dúvida? Acho desnecessária, certo?

Vá lá, pessoal, toca de ter juizinho e protegermo-nos a nós e aos outros e que a caca, não o novo coronavírus, esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

terça-feira, 24 de março de 2020

O mistério do papel higiénico

Há uma coisa que me tem feito confusão e constato que também a muita gente e já assisti a isto pessoalmente. Não sei porquê, ainda mal se começavam a verificar casos de infectados com o COVID-19 em Portugal e tampouco se falava em estado de emergência e já haviam pessoas aos magotes a comprar montes de pacotes.

Pacotes de quê? Bolachas? Manteiga? Sal? Açúcar? Haxixe? Batatas fritas? Não, papel higiénico. E fica-se com a pulga atrás da orelha a interrogarmo-nos quanto ao porquê de determinada acção. Pus-me aqui a pensar e ocorrem-me algumas hipóteses para o fenómeno. Acredito que algumas delas possam verificar-se ao mesmo tempo.

1 - Toda a gente acordou de manhã, foi aos seus respectivos gabinetes dos azulejos começar o dia a pôr a escrita em ordem e então não é que muitos repararam que tinham o papel acabado ou quase a chegar ao fim? Então, ter-se-á dado uma afluência simultânea de proporções épicas, com todos ao mesmo tempo a raparem das prateleiras de mercearias e supermercados a fofa banda celulósica. Ninguém quer que o Trump ou a Merkel, entre outros, deixem de receber os nossos faxes, pois não?

2 - A malta amedrontou-se com a chegada do novo coronavírus e pensou que era melhor aviar-se de tudo um pouco para permanecer em casa tanto quanto possível e evitar sair à rua, tal como foi recomendado. Ora há que arrecadar material, papel incluído.

Há sítios piores que Portugal Na Austrália, a escassez era tanta que uma família decidiu encomendar 48 rolos de papel higiénico. Porém, enganou-se ao fazer a encomenda e vieram 48 caixas, o suficiente para 12 anos! Esta sim é a «Senhora dos Papéis»! «You shall not craaaap!»

3 - Depois há outra: mais gente em casa para mandar barro. Pois, é que eu fico em casa e tu também. Muitos não vão trabalhar fora, escola não há e agora é ficar sossegadinho entre quatro paredes mais um arraial de gente. É o que eu digo, há que arrecadar reservas, como os esquilos arrecadam bolotas. Agora imagine-se se a malta tivesse filhos como há uns 40 anos. Aí é que era preciso um orçamento rectificativo.

4 - Para além disso, é preciso ter agora certos cuidados para não contrair esta pneumonia viral marada. Como as luvas e máscaras estão esgotadas há perto de um mês, qual a hipótese mais prática? Uma pessoa vai a marcar um código numa caixa ou terminal de multibanco ou carregar num botão para entrar no prédio onde fica o seu apartamento ou para falar por um intercomunicador ou qualquer coisa que implique pôr o dedo onde metade da freguesia põe (sim, seus badalhocos irresponsáveis, e isso inclui as zonas passíveis de uso de parquímetro da moçoila de cabeleira postiça e meias chungas de renda à beira da estrada, se é que me faço entender) e sempre pode recorrer a uma ou duas folhinhas do seu precioso rolo, as quais podem ser descartadas logo a seguir, não vá elas ficarem impregnadas de mais que sebo e unhaca, também com COVID-19. De igual modo e pelas mesmas razões, uma pessoa tosse, espirra ou assoa-se e tem sempre ali à mão o papel. Sempre sai mais barato e dá para mais tempo um rolo de papel higiénico que 20 ou 30 pacotes de lenços.

5 - Estado de emergência! Está a malasanha por aí disseminada e nós temos de ficar em casa para evitar contactos e assim prevenir contágios. Ao fim de uma semana ou mais de confinamento, há sempre quem se comece a queixar de que não tem nada para fazer e está aborrecido. Os pirralhos também não ajudam e passam o tempo a chagar  juízo e fazer belharetas. Felizmente, preveniu-se amplamente com uma generosa reserva de papel higiénico. Dá para imensas coisas, desde serpentinas gigantes, como faziam nos estádios há uns anos, simulações de fitas nas metas de maratonas imaginárias ou interpretações alternativas d'«O Regresso da Múmia» como nem o Brandon Frasier e a Rachel Weiss alguma vez ousaram levar à grandiosa tela da sétima arte.

Será algum destes o teu motivo? Serão vários? Haverá outro? Já se sabe, a necessidade e a imaginação fazem prodígios, principalmente a escorrer tinta e dar motivos de conversa.

Boas mumificações celulósicas! E já agora, não sejas parvo: se puderes, fica em casa!

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

segunda-feira, 23 de março de 2020

Pandemia e sua gravidade

Fala-se hoje muito no quanto grave é este novo coronavírus. Porém, já tivemos pragas bem piores. Portanto, digo-vos, como tenho dito a muita gente nos últimos meses, pelo menos até me enclausurar em casa:

Mais grave do que esta doença é o quanto a Humanidade se tem mostrado vulnerável ao rápido alastramento de uma enfermidade.

Vamos todos ser prudentes e seguir as indicações das entidades. Veremos que em poucos meses tudo se resolverá.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Lógica democrática... não sei é onde...

O partido Chega apresentou uma proposta para a aplicação de castração química em casos de violação e pedofilia. Desta vez, até Bloco de Esquerda e Iniciativa Liberal se mostravam abertos a esse debate. Curiosamente, e ao contrário do que seria de esperar, Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República e socialista, negou a discussão da proposta alegando que esta era inconstitucional. E eu a pensar que aborto e eutanásia também o eram... E porque não perguntar também às vítimas se houve ou não inconstitucionalidades nos crimes que sofreram?

Interrogo-me acerca de como seria se a proposta tivesse sido apresentada por outro partido. Teria também sido negada sequer a sua entrada a apreciação? Não me cheira. E isto não é falta de olfacto, é grave falta de sensibilidade democrática.

Parece que, 46 anos depois, há políticos de topo que ainda não aprenderam as regras do jogo democrático.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Coronados

Não, não tenho estado com esta nova pneumonia viral, é só indisponibilidade do computador. No entanto, já que se fala nisso, como é agora quase exclusivo, devo dizer que a malta aqui em Portugal pode ser apreciadora, ao contrário de mim, de Sagres, Cristal ou Super Bock mas, apesar disso, há por aí hoje em dia muita Corona...

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Refinada Selecção: Dr. Camisinha

Vê-se cada coisa na Internet. Umas são parvas. Outras são interessantes. Outras são violentas. Algumas têm o engenho de misturar o interessante ao caricato como forma de cativar a atenção. Este é um desses casos: o do Dr. Camisinha. 

Rodrigo Martins decidiu criar um canal no Youtube acerca de educação e saúde sexual, visando principalmente a promoção de comportamentos preventivos de gravidezes indesejadas e a transmissão de doenças. Nada de mais, não falta propaganda nesse sentido. Acontece que esta destacou-se pelo médico em causa aparecer nos seus vídeos dissertando de bata e... chapéu-máscara em forma de preservativo.

A estratégia não é nova. De facto, muitos candidatos em eleições no Brasil, país de onde provém este doutor, recorrem a esta técnica como forma de chamarem a atenção. E resulta, não resulta? Há é um efeito secundário. Qualquer espectador chegará à mesma conclusão que eu: que, por muito interessante que os vídeos sejam e os seus conteúdos acertados e cientìficamente correctos, o mais certo é tudo degenerar numa barrigada de riso. Ainda assim, gargalhadas com erudição.

O pretendido está alcançado. Muito bem mesmo, parabéns!

Que a caca esteja convosco!!!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Cinema Purgatório: «Guerra das Estrelas, Episódio IX: A Ascensão de Skywalker»

Faz agora por esta altura dois meses que fui ao Cine-Teatro João de Deus (alguém se lembra de ter falado dele há uns anos, fechado e abandonado?) ver o derradeiro capítulo da «Guerra das Estrelas».

Antes de prosseguir, advirto apenas para quem não viu ainda o filme, e friso o «ainda», porque vê-lo-á decerto, que as linhas que se seguem contêm alguns detalhes sobre a acção. Portante, se é esse o teu caso, NÃO LEIAS MAIS, VAI ANTES VER O FILME!!!

Este é o episódio em que fica definitivamente explicado o porquê daqueles bacanos imperialistas dos episódios VII e VIII serem a Primeira Ordem. É que há uma Última Ordem, que são os manos que vêm a seguir para acabar o trabalho dos primeiros. Em suma, tudo gira em torno desta malta e da continuação da aprendizagem da Rey, bem como da verdade sobre a sua origem e a sua demanda por trazer o equilíbrio à longínqua galáxia....

(Espero que os fãs tenham percebido esta.)

Vi e, claro, adorei! Passado este tempo, ainda o filme não me conseguiu sair da cabeça, o que é, aliás, compreensível para um fã. O enredo manhoso e complexo, os efeitos especiais alucinantes, as batalhas e duelos de cortar a respiração, o regresso  do Palpatine... aaaaaaaaaaahhhh! Porém, há uma coisa ou outra que fica em suspenso na nossa mente. Uma é a agonia e morte da Princesa/General/ex-Senadora/o que quer que seja Leia, que me deve ter escapado entre as pipocas e ido parar goela abaixo. A outra é: se este filme é «A Ascensão de Skywalker» mas os Skywalkers morrem todos. Que raio de ascensão é esta? Só se a ascensão aos céus. Não quereriam antes chamar-lhe «A Extinção de Skywalker»?

É certo que ainda deverão pingar mais umas histórias paralelas para fazer render o peixe mas as salas de cinema nunca mais serão as mesmas com o enrolar da fita na última exibição desta brilhante produção.

Mais um filme épico a juntar aos clássicos imortais da História do Cinema. Espectacular, alucinante, brutal, imperdível!

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Portugal a caminho da eutanásia

Pois é, eu sabia. As cinco propostas para a legalização da eutanásia foram todas aprovadas, por incrível que pareça, o que ajuda bem a ilustrar os políticos que nós temos. Claro que ainda falta chegar à produção e aprovação de um diploma mas, mesmo que o Presidente Marcelo e o Tribunal Constitucional o chumbem, as regras do jogo garantem sempre a passagem e entrada em vigor da nova legislação, ainda que constitua uma aberração ética, moral e legal. Enfim, é mais um passo no retrocesso civilizacional. A esperança que reservo ainda, porque é a última coisa a morrer e não está sujeita à eutanásia, é que depois de tempos, tempos vêm. Pode ser que, um dia, ainda venha a haver quem saiba e consiga para grandes males dar grandes remédios e endireitar este país neste e noutros muitos aspectos. Caso contrário, tudo indica que, por este andar, apenas se aguarde um único e derradeiro destino a Portugal: a eutanásia. Alguém duvida? Então é comparar com outros inúmeros exemplos na História e esperar para ver.

Da minha parte, toda a gente que me conhece sabe que, dê por onde der, apenas pretendo para mim a morte com dignidade, que é a da coragem para enfrentar as adversidades e de pé, como uma árvore, a resistir ao fogo que a consome. Assim é o guerreiro, assim é a honra, assim é a dignidade.

Longa vida a Portugal!

Que a caca esteja convosco!


PS.(nada a ver com o partido e seus outros parceiros de morte assistida): NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Eutanásia: descivilizacionização ou a questionável dignidade da morte

Vai dia 20 a votação na Assembleia da República um conjunto de propostas que visam a despenalização e legalização da eutanásia, a possibilidade de alguém, face a uma situação de doença grave e incurável, determinar a sua própria morte. Apesar da polémica que envolve um tema tão sensível, pouco se tem falado do assunto. Interrogo-me quanto a se não se deverá ao generalizado desinteresse da população pela política, causado pelo descrédito geral da classe e, muito em particular da sobredita instituição.

Eu sei. Estou já habituado a abraçar causas perdidas e antevejo já que esta será mais uma. Porém, pode toda a gente que vier chamar-me antiquado ou o que quer que seja que eu sou contra a eutanásia. De facto, sou tão contra que nunca a apliquei a nenhum animal meu, e já tive muitos, nem o hei-de aplicar, seja por que razão for. Nós, humanos, ainda temos abstracção de raciocínio suficiente para pensarmos além do nosso instinto de sobrevivência. Eles não, pois, em geral, neles impera a sua necessidade de auto-preservação. Portanto, duvido que algum cão ou gato ou vaca ou ovelha ou galinha ou ser que tal decidisse suicidar-se ou pedir que o matassem, pelo que nunca poderia tomar por eles uma decisão dessas.

Vamos ser absolutamente objectivos. Pondo de parte todas as questões religiosas, que dariam pano para mangas de discussão sem que se chegasse a grande conclusão, apresento seis razões para a minha total aversão à eutanásia.

1 - A LEI - Este deveria ser o ponto onde a problemática se deteria. O Artigo 24º da Constituição diz que «a vida humana é inviolável». Posto isto, uma proposta que visasse permitir a eutanásia nunca poderia sequer ser apresentada por violar a lei fundamental do país. No entanto, toda a gente sabe que a Constituição é letra morta. Ninguém a respeita nem faz dela caso. Neste aspecto, a despenalização do aborto já deixou isso bem patente.

2 - MÉDICOS  E ENFERMEIROS TRATAM - O pessoal que tão devotamente labuta nos hospitais e centros de saúde têm o dever de tratar os seus pacientes. Lembremos o Juramento de Hipócrates, proferido pelos recém-formados em Medicina, em que se professa a defesa absoluta pela vida humana. Ora matar é, por natureza, contrário ao seu ofício, pelo que jamais uma situação dessas seria possível. Médicos e enfermeiros tratam, não matam. Por outro lado, como se sentiria alguém ao ser tratado por quem deliberadamente e no exercício do seu ofício matou outrem?

3 - SUICÍDIO POR INTERPOSTA PESSOA, ISTO É, HOMICÍDIO - No fundo, a eutanásia é suicídio, só que por interposta pessoa porque, não podendo o próprio cometê-lo, deixa determinado que alguém o faça. Portanto, suicídio é alguém acabar com a sua própria vida. Então e acabar com a vida de outrem não é homicídio? Ou será que temos aqui uma dualidade de critérios? Como pode um estado proibir a morte de pessoas alegando a inviolabilidade da vida humana e castigar quem o faz e, ao mesmo tempo, não punir quem o leva a cabo só por ter sido a pedido de quem morre? Parece que, nestas circunstâncias, a proibição não é absoluta e a Lei, afinal, não é igual para todos.

4 - OPORTUNISMO CRIMINAL - E já agora, não dará esta despenalização azo a que haja ocasião de se levarem a cabo assassinatos disfarçados de eutanásias? É que, por muito bem feita, bem intencionada, restrita e cautelosa que qualquer lei seja, há sempre quem encontre formas de a contornar para fins ilícitos. Alguns dirão que assim não valeria a pena haverem leis. É verdade, há sempre o risco de ilicitude, até mesmo usando a lei a seu favor. Porém, se não se fizer uma porta, não se poderá por ela entrar, certo? Uma vez que uma lei que despenalize a eutanásia não só não é necessária como não é lícita nem se enquadra nos padrões culturais da civilização portuguesa, não faz sentido criá-la. Mantê-la proibida forçará qualquer homicídio a ser tratado como tal. Legislar em seu favor pode permitir a ocorrência de graves crimes dissimulados e/ou desculpados como eutanásia. Alguém duvida? Pois lembremo-nos, por exemplo, do encobrimento de alguns assassinatos por via, por exemplo, do cada vez maior recurso aos crematórios. Acho que é escusado enumerar casos.

5 - ABERTURA DE PRECEDENTE - Em Portugal, país em franca decadência, dirá desta época a História em séculos vindouros, há a mania, principalmente da classe política, de, não se querendo ou podendo resolver um problema, deixa-se de o considerar como tal e ignora-se-o. Nas últimas décadas, temos vindo a assistir a uma espécie de «holandização» do nosso país. Com a despenalização do aborto, a situação chegou a um patamar de maior gravidade, posto que já nem os bebés estariam legalmente a salvo. Uma eventual legalização da eutanásia abriria um precedente para algo de consequências difíceis de equacionar mas que podem ser imaginadas por algumas mentes mais catastrofistas, se tivermos em conta que a população se está a tornar envelhecida e, por consequência, de difícil sustento para os actuais moldes da Segurança Social e custo orçamental elevado para o Serviço Nacional de Saúde, como o tratamento de algumas doenças não necessàriamente relacionadas com a idade avançada também o é. Não sei se me estou a fazer entender. A Caixa de Pandora está aberta. Resta saber quando é que alguém a conseguirá ou sequer a quererá fechar.

6 - ESPERANÇA - Imaginemos que se legaliza a eutanásia. Uma pessoa tem uma doença terminal e decide pôr termo à sua vida. No dia seguinte à sua morte, é descoberto um tratamento inovador que lhe minoraria o sofrimento, melhoraria a qualidade de vida ou até permitiria a cura da sua enfermidade. E agora? Como é que é?

Para além disto, há ainda a discussão em torno daquele frequente argumento da parte dos eutanasistas segundo o qual a eutanásia permite a quem o desejar uma morte com dignidade. Expressão curiosa, «morrer com dignidade», decerto inventada e proferida amiúde e maioritàriamente por quem goza de plena saúde e tampouco faz ideia do que é ser digno. Partindo do princípio que a eutanásia é um suicídio por interposta pessoa, isto é, um suicídio para quem morre, depressa se põe em causa a alegada dignidade. O suicídio é apenas uma forma rápida de contornar um problema. Ainda por cima, uma forma cobarde pois contorna-o porque não o consegue ou sequer pretende enfrentar. Pior que isso, empurra a culpa e a responsabilidade do acto para cima de outrem, o que faz da eutanásia uma acção egoísta... e daquele a quem se recorre um homicida, como já vimos.

Muitos dirão que eu não sei do que falo mas eu digo que tenho a perfeita noção do sofrimento inqualificável que faz qualquer herói desejar o termo da sua tormenta pela via do finado. E é aí que se revela a verdadeira dignidade. A morte com dignidade é a morte do guerreiro, é resistir e lutar pela vida até ao último instante, haja ou não esperança; é resistir à tentação dos doces facilitismos; é encarar com a possível coragem o sofrimento e com humilde resignação, de espada e cabeça erguidas, o abismo do derradeiro destino. Morrer de pé, como as árvores, isso sim, é fazê-lo com dignidade e ser-se dado como exemplo e merecedor da admiração geral.

Contra mim falo pois só Deus sabe se não virei a padecer as mais cruéis tormentas de que aqui falo.

Caros leitores. Não desçamos ainda mais nesta escadaria da degeneração civilizacional que tanto tem afectado a pátria lusa em particular e o dito «mundo ocidental» em geral. A solução reside sempre na vida e na prestação de cuidados em prol dela, nunca nos facilitismos da morte.

NÃO À EUTANÁSIA!!!

Que a caca esteja convosco!



P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

Insanidade trumpiana (só mais uma)

Vamos rir um pouco? Ao ataque!

Donald Trump disse:

«Jamais deixaremos o socialismo destruir o sistema de saúde americano.»

E eu pergunto: que sistema?

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O Regresso da P(h)oda Camarária

Caros pombos amigos

Começamos a década com um tema clássico, de há uns 13 anos atrás, o qual motivou uma chamada de atenção ao município da minha área de residência por ver que, ano após ano, a situação se repete.

Creio ser a vontade de todos usufruírem de uma aprazível caminhada pelas ruas, seja em trabalho ou por simples lazer, e ainda, principalmente por parte das autarquias tê-las apresentáveis para que os numerosos visitantes o possam igualmente fazer com todo o agrado. Porém, é complicado levar a cabo tais intentos com o estado em que o arvoredo dos espaços públicos fica depois dos frequentes ataques de que padece.

Nos dias que se seguiram ao Natal, seguia eu pela estrada quando vejo uma equipa a levar a cabo podas às árvores. A questão aqui é se se pode chamar de «poda» a cortar as árvores de modo a deixar-lhes pouco mais que o tronco. No meu fraco entendimento, não.
(Na fotografia, exemplo há anos, em Olhão.)

Um serviço destes é uma infelicidade a todos os níveis. Em primeiro lugar para as próprias árvores, que não fizeram mal nenhum para serem tratadas daquela maneira. Em segundo para quem o vê, porque só a alguém insensível não desagradaria este cenário grotesco. Em terceiro para as próprias autarquias, que ficam sempre mal vistas com estas acções, como ilustra o muito difundido termo «poda camarária» e a sua conotação negativa, e a perderem com prejuízos, pois por muito vigorosas que as plantas possam ser, muitas não sobrevivem a uma derreia destas, o que se traduz numa perda de propriedade e do investimento que com ela foi feito, ou seja, é deitar dinheiro fora. Não nos esquêçamos que o dinheiro das autarquias é público, ou seja, de todos. Pessoalmente, eu não gostaria de ver o meu dinheiro ser empregue em algo que é para estragar. Por outro lado, quando uma árvore sobrevive a uma situação destas, tende a responder com vigor, dando origem a muitos rebentos, o que lhe confere o aspecto dum manjerico. Isso obriga a que, na temporada seguinte, ou se tenha trabalho mais que dobrado se se pretende um acabamento de qualidade ou se repita o mesmo e errado procedimento.

Em suma, se quem faz trabalhos destes ano após ano ou só que fosse uma única vez fosse meu funcionário ou, não o sendo, eu soubesse que teria feito algo a outro assim ou com os meios de outrem, o mais provável é que eu o despedisse de imediato, o que decerto evitaria futuros prejuízos à entidade empregadora. Porém, entendendo que toda a gente merece uma segunda oportunidade, deixo aqui a sugestão quanto a que se não seria uma boa ideia fazer uma acção de formação a quem for fazer este trabalho, a qual poderia ser complementada com a supervisão no terreno de alguém entendido.

Fica aqui a minha chamada de atenção e consequente sugestão para que pequenos pormenores contribuam para um Portugal entre os maiores, com votos de um excelente 2020 para todos.

Boas podas! E bom ano novo!

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Mensagem de Boas Festas do Pombocaca

Caros pombos amigos

Chegámos mais uma vez àquela que muitos consideram a mais mágica, ternurenta e característica época do ano, o Natal. Eis a soma dos dias em que parece que tudo pode acontecer e acreditamos que é possível alcançar, como num sonho  da ingenuidade infantil, os mais prodigiosos e, contudo, as mais das vezes, mais simples desígnios. E é aqui que me interrogo quanto ao seguinte: se há nesta ocasião festiva um tão grande apelo à paz, à união, à fraternidade e alegria, porque não levar a cabo com igual intensidade estas intenções durante o resto do ano? Será que os nossos corações são como pilhas que se gastam ao fim do Dia de Reis e demoram quase um ano a recarregar? Não me parece.

Todo o ano, todos os anos, cada dia das nossas vidas constitui um desafio. Este faz-se, acima de tudo, a nós próprios. Se nós não nos tentamos superar, como será de esperar que toda a Humanidade evolua? A superação de um entrelaçada e cooperante com a superação de outro e destes com outros, isso sim contribui para o bem geral.

Vivemos uma época de transição muito estranha para algo que ainda é fortemente indefinido, em que a modernidade nos providencia uma qualidade de vida num padrão como nunca houve outrora e, ao mesmo tempo, parece prometer aniquilar-nos numa espiral de auto-destruição por via da degeneração ética, moral e intelectual, de uma existência de aparências onde a abundância e facilidade de acesso aos meios de comunicação social nos tem conduzido não à esperada proximidade mas a um paradoxal e progressivo afastamento, de esgotamento e desmoronamento ambiental e de avanço tecnológico que vai muito além ao das mentalidades de forma imprudente e perigosa. Está tudo preparado para correr muito mal. Porém, também estão os ingredientes juntos para que deste caldo de aspecto suspeito saia a melhor das iguarias.

Já que por algum lado é necessário começar, porque não dar o sinal de partida com pequenos gestos? Porque não deixar este computador da mão, como eu vou fazer a seguir, e seguir para junto da companhia de alguém? Porque não olhar para esse alguém, escutá-lo e falar-lhe? Acarinhar essa pessoa ou o(s) nosso(s) animal/animais de estimação ou até um outro que não tem quem vele por ele e necessite de uma mão amiga? Uma plantinha num vaso ou uma árvore? Se não podemos estender os braços a todo o Mundo, que tal fazê-lo a uma pequena parte em nosso redor? Se é o nosso desejo salvá-lo,  então se cada um salvar e guardar uma parte, todos juntos e com facilidade levaremos adiante a nossa vontade e com a suprema felicidade para todos.

Numa época em que se valoriza e fomenta tanto o individualismo e todos se debatem com ferocidade contra todos, não seria melhor trocar esta receita falhada e ruinosa da competitividade  pela bem mais proveitosa da cooperação. Da primeira já se sabe que nada de proveitoso pode vir mas da segunda só se podem esperar produtos virtuosos.  Numa época em que valores económicos inundam as preocupações e desejos das pessoas, tornando-as escravas do capital, até os próprios comerciantes e industriais disso estão bem cientes, de tal forma que é inútil às autoridades tentar lutar contra a «cartelização», pois sempre foi característica muito de nós, os Portugueses, senão de todos os humanos, agir em concertação, em modos associados, como forma de se protegerem e prosperarem, o que ao longo dos tempos só tem sido possível com união e diálogo, nunca com o fraccionamento da competição

Poderia ter aquela pequena criança recém-nascida ter sobrevivido há mais de 2000 anos e tornado mais tarde um exemplo para a Humanidade se os seus pais, os animais de curral, os anjos e os camponeses da região e até os reis magos do Oriente não se tivessem juntado em seu redor e partilhado com ele e uns com os outros o seu calor e amor fraterno? Não sei, talvez. Porém, decerto não teriam criado ali, naquele instante, algo tão exemplar, poderoso e possível de irradiar para todos os cantos deste nosso minúsculo berlinde sideral. Sigamos portanto esse exemplo e, garantidamente, ou não fossemos todos nós filhos de Deus, independentemente das nossas crenças, todos nós seremos messias e salvadores não só da Humanidade mas da vida em si e da maravilha que ela simboliza.

Boas Festas, com um muito feliz Natal e um ano novo de 2020 mais que promissor, concretizador.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

DiCaprio sofre... com o Jair Totonaro

Jair Bolsonaro afirmou que o culpado dos incêndios na Amazónia é...


... o actor, filantropo e ambientalista Leonardo DiCaprio!

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!

Já todos sabemos que o Bolsonaro farta-se de dizer e fazer alarvidades mas não fazia ideia que ele era assim tão grande comediante. Melhor, enorme, pois só diz enormidades!

DiCaprio... AHAHAHAHAHAHAHAHUUUUUUUHUHUHUHUHUHUHOHOHOHOHOHOHOAOAOAOAOAOAOAOAOAOAOAOA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ai, ai... que a caca... pffAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!!!!!!!!
Que a caca esteja convosco!

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!!!

P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO... E AO DICAPRIO A INCENDIAR A AMAZÓNIA, AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!!!!!!!!!!

P.P.S.: Ó Bolsonaro... GANHA JUÍZO!!!

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Descentralização da areia nos olhos

O Governo anunciou que três das suas cinquenta secretarias de estado vão passar a estar sediadas fora de Lisboa, embora aí vão mantendo gabinetes, como forma de descentralização estatal. Citando o jornal «Público», «a Secretaria de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, ocupada por João Catarino, ficará em Castelo Branco. O governante já estava nesta capital de distrito, onde tutelava a Valorização do Interior. Agora, esta pasta muda de mãos e passa a ser gerida a partir de Bragança. Aliás, Isabel Ferreira, secretária de Estado da Valorização do Interior, já está desde segunda-feira instalada em Bragança (onde vive). Finalmente, a Secretaria de Estado da Acção Social, de que é titular Rita da Cunha Mendes, terá sede na Guarda, a partir de 9 de Dezembro.»

Como é que eu hei-de dizer isto?

É curioso haver quem acuse outros de populismo e vá fazer a mesma coisa, só que de forma encapotada. Tal medida não é mais do que atirar areia para os olhos porque nada fica descentralizado. A descentralização pode e deve sim passar pela devolução e atribuição de competências às autarquias, as quais têm sido usurpadas por sucessivos governos ao longo das décadas, para não dizer mais, e não apenas de despesas acrescidas, como tem sido sempre o costume. Não há só descentralização dos encargos financeiros, mas também e acima de tudo da acção governativa.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

«Fim dos Chumbos» ou o «Romance da Raposa Rosa»

Começa mal o segundo mandato do executivo chefeado por António Costa.

O Governo apresentou no seu programa, à abertura da legislatura, a intenção de acabar com os chumbos dos alunos até ao 9º ano de escolaridade. Para isso, alega que a medida permitirá uma poupança de 250 milhões de euros (para os saudosos, 50.120.500.000$00, o que é uma soma considerável) por ano.

Tendo em conta que já conheci pessoalmente gente no ensino superior que mal sabia ler, gaguejando ao fazê-lo em voz alta, e escrever, o que é mesmo muito comum e mais ainda nem saber falar num português que se perceba, fico a pensar se uma decisão deste género não só não baixará consideràvelmente o nível de exigência e qualidade quer dos alunos quer dos estabelecimentos e do sistema de instrução em geral como não sei até que ponto os custos, diga-se, graves prejuízos, a médio e longo prazo não serão maiores que esta imediata e idiota poupança.

É certo que as contas públicas chegaram a um equilíbrio, ainda que muito precário, mas não será isto já um exagero com défice garantido?

Na minha muito ignorante maneira de ver, não se pode pensar só em questões orçamentais. O dinheiro não é tudo! Aliás, na governação, é até uma parte menor. Quem pensa o contrário, jamais terá aptidão para administrar. Os chumbos não só não deviam ser abolidos como deviam de ser reincrementados. Na instrução como em tudo, tem de haver critério, rigor, disciplina e exigência. Só assim se alcança a qualidade. Porém, hoje em dia assistimos a uma generalizada despenalização e desresponsabilização em todas as áreas. Toda a gente e logo desde cedo deve estar ciente de que a cada comportamento corresponde uma consequência. Ora se os alunos, que já de si em geral gostam de não ter aulas e nem por isso olham para a escola com grande respeito e menos receio (e eu sei bem o que digo, que já lá andei outrora), como podem eles agora estar motivados ou impelidos ao estudo ou a sequer pôr os pés numa sala de aulas se sabem que, aconteça o que acontecer, nunca chumbarão? Mais vale a pena nem lá irem, não é?

Ai se o P.A.N. me ouve, estou lixado, mas a verdade é que apanhar uma raposa com justiça nunca fez mal a nenhum aluno.

Quer-me cá parecer que os nossos governantes estão a comportar-se como uma Salta-Pocinhas «raposeta, matreira, fagueira, lambisqueira» que pensa que pode enganar os outros e encher a barriga com facilitismos e preguiças. Esquecem-se é que esta espécie de reedição do clássico de Aquilino Ribeiro só pode acabar por se parecer menos com o imaginário fabuloso infanto-juvenil da obra e mais com o percurso político e criminal do autor.

Cuidadinho, meus caros, guardai as vossas galinhas que a raposa Salta-Pocinhas anda por aí.

Que a caca esteja convosco!


P.S. (não o das raposas): NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Chega de extremos

Tem-se falado muito nos últimos tempos na chegada da extrema direita à Assembleia da República, da mesma maneira que os sociais-democratas e centristas gostavam muito de alcunhar os do Bloco de Esquerda de «esquerda radical» ou «extrema-esquerda» há quatro anos atrás, aquando das últimas eleições. Desta vez, o rótulo de «extrema-direita» visa um dos novos partidos com assento parlamentar, o Chega. Ora quanto a isto, há que ter dois factores em consideração.

1 - Não existe nem esquerda nem direita em Portugal. A noção de esquerda e direita parlamentares advém de duas origens. Uma, de, no Parlamento Inglês, já de longa data, os partidários de cada um dos principais partidos, o Trabalhista e o Conservador, se sentarem à esquerda e à direita do Presidente da Câmara dos Comuns. Outra, mais condicente com o que se verificou daí em diante, de aquando da constituição da Assembleia Nacional, em França. Os ânimos estavam muito exaltados durante a Revolução Francesa, o que levou a que os deputados ficassem dispostos desde os mais revolucionários, na ponta esquerda, progressivamente até aos mais conservadores, na ponta direita, como forma de evitar confrontos, o que era comum. Em Portugal, essa questão não se pode colocar. Já todos nós vimos partidos ditos de esquerda a levar a cabo o que se esperava de direita e vice-versa, pelo que a diferença, neste aspecto, não é notória e, logo, não faz sentido fazer esta distinção.

2 - Eu não sou militante nem simpatizante de nenhum partido em particular, pelo que me acho com legitimidade para afirmar o que se segue. Agora quem lê isto diz «isso dizes tu» e é verdade, eu não o posso provar. Apenas posso dizer que quem me conhece pode comprová-lo. Não tive ocasião de ver nem ouvir qualquer tempo de antena nem ver o que quer que fosse de campanha. Obrigações laborais. Foi isto uma pena porque eu gosto de estar sempre bem esclarecido para melhor fundamentar a minha decisão. Portanto, considerei que o trabalho efectuado pelo socialista António Costa e o seu Governo da Geringonça, com todas as suas vicissitudes, erros e atribulações em muitas vezes evitáveis, tem tido um saldo positivo para o país, como se pode ver na acalmia social e no primeiro excedente orçamental desde o Estado Novo! Porém, depois de terem saído os resultados das eleições, verifiquei a entrada de três novos partidos na Assembleia e, mais ainda e com surpresa, as fortes hostilidades, em boa parte vindas de uma alegadamente isenta e apartidária comunicação social, para com um dos novatos, o recém-formado Chega, a toda a hora apelidado de «extrema-esquerda», perigoso, racista, machista, xenófobo e muito mais. Todas as bancadas parlamentares tiveram ocasião de discursar no dia da abertura da nova legislatura menos o Chega. Então que espécie de democracia vem a ser esta... e que partido vem a ser este? Curioso quanto aos novos ocupantes do Hemiciclo, pus-me a ler as declarações de princípios, manifestos e programas destes três partidos, bem como do P.A.N., em torno do qual muito se fala, com ou sem substância. Ao fim de muita leitura, cheguei à conclusão que o proposto e defendido pelo Chega é mais credível, verosímil, sensato, lógico, exequível e proveitoso ao país que os do Livre, que é um Bloco de Esquerda com outro nome, ou não resultasse de dissidentes deste,  ou do Iniciativa Liberal, uma espécie de Bloco de Esquerda com tiques americanos. Não lhes vi qualquer indício que fosse contrário aos mais elementares princípios democráticos. Em suma, ou muito me engano ou a haver aqui algum radical, ele seria mais depressa identificado entre as fileiras do Bloco de Esquerda, P.A.N., Iniciativa Liberal, Livre ou mesmo P.C.P. do que entre os apoiantes do Chega. Muito surpreendido fiquei pelos ideais destes últimos terem cativado mais o povo miúdo do interior, Alentejo em particular, que as altas esferas dos eruditos.

Portanto, das duas uma: ou o Chega professa uma coisa e pretende levar a cabo outra ou, por detrás daquela agressividade aparente do André Ventura, há boas intenções. O tempo esclarecerá tudo e mais vos digo: se se verificar a segunda hipótese, os outros partidos que se ponham a pau pois depressa o Chega despertará os sensatos e subirá nas intenções de voto.

Em caso de dúvida, é só ler os programas, manifestos e declarações de princípios, como eu fiz.

Que a caca esteja convosco!


P.S. (não o reeleito): NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

«Fim da Inocência» - Versão Taralhouca em dois actos

Vai daí e pomo-nos a pensar como é que se poderia melhorar esta fantochada de má qualidade. A solução natural é pormo-nos na pele do mestre Quentin Tarantino, pelo menos naquele dos primeiros tempos pois parece que desde há alguns anos para cá a mestria esgotou-se e deu lugar a uma gratuitidade da violência.

Apresento agora uma versão taralhouca para o fim daquela estupidez literário-televisiva em dois actos.
Elenco

- Carlos Heleno, o Supervisor da Terra: Samuel L. Jackson.
- Ajudante deste (ninguém me pergunte por nomes que eu não quero ocupar neurónios com algo tão foleiro como aquilo a não ser para fazer troça dele): John Travolta.
- Supraconsciência: Bridget Fonda.
- Povo extraterrestre: figurantes.

Acto I
Cena Única

(Os dois extraterrestres acabam de chegar com a sua nave ao Sistema Solar e apreciam a vista sobre a Terra a partir da cabine de comando.)

Carlos Heleno - Ah, então é este o planeta?

Ajudante - Sim, é giro, não é?

Carlos Heleno - É pois!

Ajudante - Os tais seres que vamos eliminar chamam-lhe «Terra».

Carlos Heleno - «Terra»? (Faz uma carentonha.) Mas aquilo tem mais água que terra!

Ajudante - É, eu sei. (Fecha os olhos e franze a testa em sinal de resignação.) Eles são tão estúpidos. Dão-lhe um nome ao contrário do que é, adoram-no e desejam-no mas destroem-no... São umas cabeças de pirilau...

Carlos Heleno - A sério? Bandalhos! Vamos mas é limpá-los logo.

Ajudante - Calma, tem de ser como manda o protocolo. E ademais, tu até gostarias deles, os «humanos». Eu já fui ali umas quantas vezes, durante uma coisa que eles fazem a que chamam «Carnaval», onde uns andam despidos e outros com umas fatiotas bizarras, a fingir serem o que não são.

Carlos Heleno - Criaturas peculiares...

Ajudante - Deveras, meu caro. Mas apesar das maldades que fazem, mesmo uns aos outros, por vezes revelam bondade, em especial nas coisas pequenas.

Carlos Heleno - Ai é? Como assim? Dá lá aí um exemplo.

Ajudante - Olha, eles gostam de ter outros animais, plantas e seres em geral aos seus cuidados. Na maior parte das vezes, até tratam bem deles. Imagina tu que dão-lhes nomes. Dão até a objectos. Alguns nomes são engraçados, outros são parvos. Melhor, eles têm de ingerir coisas a que chamam de «comida» para se manterem vivos e até à comida dão nomes. Mas a coisa mais estranha é que eles falam, só que não de igual modo em todo o lado.

Carlos Heleno - Ai não? São mesmo estranhos...

Ajudante - É, são pois. Olha, ali naquele lado (aponta para o planeta), é um lugar chamado Estados Unidos da América. Os humanos de lá chamam a uma comida «quarto de libra com queijo». A mesma comida do outro lado do mar, naquele sítio chamado França, já tem um nome diferente.

Carlos Heleno - Ai eles lá não lhe chamam «quarto de libra com queijo»?

Ajudante - Não, pá. Eles lá têm o Sistema Métrico.

Carlos Heleno - Que é isso?

Ajudante - Não sei, é lá qualquer religião deles ou jogo ou o camandro.

Carlos Heleno - Então como é que lhe chamam?

Ajudante - Chamam-lhe «royale com queijo».

Carlos Heleno - «Royale com queijo»...

Ajudante - Ouve lá. Então tu és o Supervisor da Terra e não sabes nada sobre ela?

Carlos Heleno - Não, eu fui recentemente recolocado. Eu estava em Alderan mas um indivíduo dum gang rival, o Império Galáctico, rebentou com aquilo. Como o gajo daqui andava a fazer bosta, a Supraconsciência «despachou-o» e mandou-me para cá a semana passada.

Ajudante - «Despachou-o»?

Carlos Heleno - Sim, ela despediu-o.

Ajudante - Chiça! Rameira intragável e sarnenta! Então e agora como é que ele vai orientar a mulher e os filhos?

Carlos Heleno - Acho que o cunhado lhe arranjou lugar numa fundição. Sempre é melhor que isto.

Ajudante - É, podes crer...

(Fez-se silêncio por alguns instantes.)

Ajudante (hesitante) - Ó Carlos Heleno...

Carlos Heleno - Sim?

Ajudante - Eu às vezes ponho-me a pensar...

Carlos Heleno - Sim? Tu fazes isso?

Ajudante - Sim... É que... Tu já viste o que nós fazemos? Andamos por aí, dum lado para o outro, e somos pagos, mal pagos, para enganar e matar viventes e destruir planetas... só porque a Supraconsciência manda. No fim, nós somos uns meros lacaios. Fazemos-lhe a papinha toda e ela é que fica cada dia mais poderosa.

Carlos Heleno - Sabes que mais? Tens razão! A gaja é bera e anda a usar-nos.

Ajudante - É! E depois nós é que ficamos como os maus da fita. Ela anda a parasitar-nos e a xaringar-nos o juízo e a reputação!

Carlos Heleno - Nunca tinha pensado nisso! Espera lá que ela já vai ver a quem é que anda a puxar o rabo.

(A nave fez inversão de marcha e entrou no hiper-espaço de volta à proveniência.)

Fim do primeiro acto.

Acto II

Cena I

(De regresso ao seu planeta de origem, Carlos Heleno e o seu ajudante pediram uma audiência com a sua patroa, a Supraconsciência. Chegaram junto dela, num amplo espaço de intensa luz branca.)

Carlos Heleno - Ó patroa! Podemos entrar?

Supraconsciência - Já entraste, tu e o teu ajudante.

Carlos Heleno - Excelente!

Ajudante (fecha a porta atrás de si) - Chefe, nós pedimos a audiência e estamos aqui porque temos uma coisinha a dizer.

Supraconsciência - Eu sei.

Carlos Heleno - Ai sim?

Supraconsciência - Sim.

Ajudante - A sério?

Supraconsciência - A sério. Eu sou a Supraconsciência. Eu sei tudo, pois claro! Se vos vejo aqui, é porque há algo para me ser dito.

(Os dois extraterrestres  fazem esgares de constatação da lógica da batata.)

Ajudante - Ah, bom...

Carlos Heleno - É que nós estamos fartos de sermos os moços de recados sujos. Andamos a fazer todo o trabalho de vilões para que tu, chefe, fiques mais poderosa.

Supraconsciência - Sim, e daí? Não é preciso ser Supraconsciência para saber isso.

Carlos Heleno - E daí que estamos fartos de sermos parasitados por ti, sua pêga chica-esperta armada em divindade. Agora é hora de cancelar o nosso contrato. (Saca de uma arma de raios laser super-concentrados e aponta-a à Supraconsciência.)

Supraconsciência - E é com isso que vais «cancelar o contrato»?  Tu? Mais ninguém? Só com esse pingalheto?
Ajudante (saca igualmente da sua arma) - Não, comigo também, mais esta menina. E com estes nossos amigos.

Cena II

(A porta abre-se e entra no compartimento toda a população do planeta, vermelhinha e chifruda, furiosa e de armas em riste.)

Supraconsciência (surpreendida e zangada) - Que rio de chibança vem a ser esta, seus cornudos dum cabresto? Porventura foi esquecido que essa bodega é uma violação à Lei? À minha lei?

Ajudante - Nem por isso. É que nós estamos a borrifar-nos para ti mais para a tua lei. Nós somos sacanas sem lei.

Carlos Heleno - Pois é, gaja! E agora, como é que é? Já pias fininho. Pois para que não fiques sem palavras, vou dar-te algumas dum texto que eu li. «Exequiel 25:17...» Ai como é que era o resto? Esqueci...

(Soa um tiro e logo depois, por impulso instintivo, todos desataram a esmifrar a Supraconsciência com tiros, a qual ficou feita passador por entre gritos até jazer cadavérica no chão, mais rilada que um saco de plástico num ninho de ratos.)

Ajudante - Calma, pessoal, alto! (Esbracejava e gritava e só algum tempo depois é que os tiros pararam.) 

Carlos Heleno (igualmente satisfeito mesmo sem se lembrar do texto que leu) - Huum... bem... também serve. Vamos a umas «jolas»?

Ajudante - «Bora»!

Alguém da multidão (grita) - Rodada de borla para todos!

( A populaça exultou de alegria e deixou o salão aos poucos.)

FIM

É mau, não é? Pois o original é pior ainda.

Que a caca esteja convosco!!!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

«Fim da Inocência - A Idade da Palermice»

Continuando a análise a audiovisuais, tive a possibilidade de ver a mini-série em três episódios «Childhood's End - A Idade de Ouro», inspirada no romance de Sir Arthur Charles Clarke, «Fim da Inocência». A série prometia ser espectacular. Contudo, foi uma completa desilusão.

Episódio 1 - «Uau, isto vai ser do caraças!»

Episódio 2 - «Então? Isto não anda?»

Episódio 3 - «Quê!? Isto?!»

Sim, é verdade. Vi há anos atrás o «2001 - Odisseia no Espaço» e detestei o filme. Fiquei a pensar que decerto o livro que o originou deveria ser muito mais interessante. Agora que vi o «Fim da Infância», começo a ficar preocupado. É que ou as adaptações dos livros do Arthur C. Clarke são todas más ou as únicas coisas de eito que o homem fez foram as suas invenções e o «Mundo Misterioso» e sucedâneos.

ATENÇÃO: CONTÉM TODO O DESENROLAR DA HISTÓRIA ( QUE, ALIÁS, É MÁ).
Resumindo, a história trata dum dia normal em que, de repente, aparecem montes de enormes naves extraterrestres e só falta o Will Smith para termos uma reedição do «Dia da Independência». Assumindo a forma de entes queridos falecidos, o Supervisor da Terra, Karelen ou coisa parecida, manda mensagens tranquilizadoras a toda a gente. Depois, rapta um agricultor, que faz seu intermediário com os líderes mundiais de modo a, como quem não quer a coisa, fazer valer as suas vontades. O crime, as doenças e o sofrimento em geral acabam e a Humanidade entra na sua Idade de Ouro. Anos depois, uns 19, se bem me lembro, o Mundo é muito diferente. Não há poluição nem fome, nem sequer religiões, cultura ou investigação científica, e todos os países abdicaram das suas independências em favor de uma Federação Mundial. Então, o Supervisor decide mostrar a sua verdadeira forma, que é tal e qual ao estereótipo de demónio. Nem por isso a malta se importou. Só num único lugar, a Nova Atenas, permaneceu a vontade de continuar a viver como antes. Entretanto, há um cientista muito desconfiado com a marosca que insiste em continuar a pesquisar. Paralelamente, há uma mulher que tem um filho estranho e dá à luz uma filha, a Jennifer, ainda mais bizarra e dotada dum imenso poder oculto. Esta miúda revela-se uma espécie de agente infiltrada para lixar o Mundo. De repente, os extraterrestres fazem um rapto colectivo de todas as crianças do planeta e os humanos deixam de poder ter filhos. Em desespero, o Presidente da Câmara Municipal de Nova Atenas rebenta com a última cidade livre com a sua bomba atómica caseira. Estúpido. Entretanto, o cientista infiltra-se num cargueiro que vai até ao planeta dos mafarricos, um verdadeiro inferno, e estes explicam-lhe que eles estão a fazer aquilo à Terra, tal como fizeram a muitos planetas antes, porque uma tal de Supraconsciência, uma coisa lá do sítio que tem a mania que é Deus, assim lhes manda. No fim, ele deseja voltar à Terra. A Jennifer acaba de sugar toda a força vital do planeta e este explode. Era uma vez o Mundo, ponto final.

E nós ficamos a pensar: «isto é tudo tão estúpido...»

Eu não li o livro, pelo que é difícil extrair ilações de uma mini-série que, com certeza, o resume muito. Tudo deve ser melhor explicado no livro e, se não o for, temos o caldo entornado. É que muitas coisas não fazem sentido.

1 - Vêm os extraterrestres e quase todos nós, de repente, deixamos de acreditar no divino e em todas as religiões.  Ainda por cima quando os visitantes cósmicos são... como é que eu hei-de dizer, a fotocópia dos demónios, se é que não o são. Está bem que um acontecimento desta natureza põe em cheque as nossas crenças e leva-nos a questionar bastante mas não é de prever que, dum dia para o outro, tudo quanto é templo ficasse abandonado. Para isso só um jogo do Benfica ou da selecção. Os homenzinhos do outro mundo que não subestimem o poder do futebol.

2 - Vêm os extraterrestres e a cultura, de repente, desaparece. Tal como a religião, não faz sentido. Porquê? «Ai, há umas naves espaciais no céu com seres doutro planeta. Como tal, vou deixar de ir ao cinema, fazer desporto, dançar o fandango, ouvir uns faduchos, caiar a casa, comer bacalhau à Brás, ler livros da J. K. Rowling e ter qualquer manifestação de índole cultural.» É absurdo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. É absurdo.

3 - Vêm os extraterrestres, com toda a sua tecnologia e conhecimento, aliás nunca demonstrado, e, de repente, toda a gente acha que não vale a pena pesquisar mais e todas as investigações científicas cessam. Mas está tudo doido? Só o simples facto de se mostrar haver vida noutro ponto do Universo bastaria para acicatar ainda mais a curiosidade, agudizada pela constante aura de mistério que envolve os chifrudos vermelhos. Logo, a pesquisa não acabaria, antes se intensificaria. E depois haveriam sempre matérias sem resposta quer eles tivessem vindo quer não.

4 - Vêm os extraterrestres e, de repente, os países abdicam todos das suas independências em favor de uma Federação Mundial fantoche controlada pelos «Soberanos», isto é, os extraterrestres. Meus caros, mal Flamengos e Valões se dão uns com os outros e se mantém com dificuldade uma Bélgica unida, ou uma Espanha, quanto mais todos os povos do Mundo. A variedade de culturas, opiniões e maneiras de viver e encarar o todo é demasiada para haver uma sujeição a uma única autoridade central. Na Península Ibérica foi um desastre, a nível europeu não funciona, em todo o Mundo é tão possível quanto chá sem água.

5 - Vêm os extraterrestres e, de repente, vamos aceitar tudo o que eles mandam, nem que sejam a cara chapada do Diabo. Está-se mesmo a ver. Podem ser imensamente poderosos mas isso não queria dizer que baixássemos os braços, muito menos que nos tornássemos que nos tornássemos em pouco mais que gado estúpido em estado vegetativo. Por acaso o Santo Condestável desistiu em Aljubarrota perante o poder de Leão e Castela? Terá Xanana Gusmão fugido à vista da imensidão e força brutal da Indonésia? Viriato e depois Sertório renderam-se apesar da impossibilidade estatística de poderem vir a derrotar o Império Romano? Não, nunca, quer no caso daqueles, vencedores, quer no caso destes, derrotados. E depois aparece-nos Lúcifer em pessoa ou um sósia dele e jogamos foguetes ao ar? Não me parece. Será caso que não ocorreria a mais ninguém senão àquela jeitosa que afincou uma cartuxada no Karelen que, se os demónios são representados  como aqueles alienígenas eram, por alguma razão seria?

6 - Então e os palermas dos sobreditos extraterrestres? Destroem mundos inteiros porque a ressabiada egocêntrica da «Supraconsciência», uuuuiiiii, a «Supraconsciência...», lhes diz para o fazerem? E porque o fazem? Aaam... porque sim. A verdade é que nunca tinham pensado muito no assunto. É que até estes diabretes são umas cabeças de vento estúpidas até à quinta casa.

7 - Já agora, o que é que fazia o Presidente da Câmara de Nova Atenas com uma bomba atómica caseira? Isto é como aqueles que não se querem casar com medo que a coisa dê para o torto mais dia menos dia e depois tenham de se divorciar. Se aquele gajo tinha a bomba é porque já contava com vir a usá-la. Se, de facto, acreditasse no seu projecto, não a tinha. O mesmo é com os outros, que se casariam ou nem sequer se relacionariam.

8 - Então deixamos todos de trabalhar, certo? Pois se nada se produz, como é que vamos ter comida, roupas casas, carros, arranjos e outros bens e serviços importantes? Já sei, vamos aprender com o Luís de Matos a fazê-los aparecer do nada. Deve ser isso.

Ao menos numa coisa estamos de acordo. Se viesse a haver uma tipa demoníaca que viesse destruir o Mundo, ela só se poderia chamar Jennifer. Porquê? Ora vejamos alguns exemplos.

Jennifer Love-Hewitt


Jennifer Ellison
Jennifer Lawrence
Jennifer Connelly

É que, bem apreciado o caso, por muito que nós as achemos divinais, a única coisa que nos vai sair da boca é que elas são dos diabos!

Quanto à série, é decepcionante. Passamos o tempo todo à espera que a história evolua e se mexa mas não só não passa da pasmaceira como descamba num apocalipse de estupidez. Tal como no «2001 - Odisseia no Espaço», falta-lhe ritmo e emotividade. Não há reacção, só um incompreensível conformismo, resignação pateta e ingenuidade ao extremo da cegueira. Inverosímil, inconsequente e absurdo. Em suma, é algo a NÃO VER pois resultaré na na perda irrecuperável de preciosas horas de vida que poderíamos ter empregue em coisas sem dificuldade mais produtivas, nem que fosse a dormir ou a jogar ao berlinde.

Lamento, Arthur, mas parece-me que não davas uma para a caixa, fora dos documentários.

Vou ver pornografia, sempre tem um argumento melhor ao deste lixo televisivo e talvez literário.

Que a caca esteja convosco!


P.S.: NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!!

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A CACA DE POMBO É CORROSIVA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!