
Pois é, eu avisei. E a prova está neste mesmo blog. Só pensei foi que demorasse um pouco mais a acontecer, tipo daqui a uns mesinhos ou assim, quando o assunto voltasse a ser discutido na Assembleia da República, aquando da aprovação do Projecto-Lei proposto.
Bem, pela conversa, já devem ter percebido que me estou a referir ao projecto-lei da despenalização do aborto. E eu bem avisei que ia estar atento ao desenvolvimento do assunto. Isto porque estava mesmo a prever que uma das pedras basilares de toda a campanha do Sim, que era o aconselhamento nos "centros médicos legalmente autorizados" às mulheres que iam fazer um aborto não ia ser contemplado no diploma final. Aliás, até já era do meu conhecimento aquando do referendo de tal ocorrência, ou seja, de que numa versão inicial do projecto-lei essa alínea estava presente mas que numa revisão tal havia sido liminarmente riscado do mesmo, o qual é o que será aprovado.
Tal facto não me choca apenas pelo facto de tal demonstrar uma falta enorme de princípios por parte de quem fez a campanha pelo Sim (e de quem redigiu e/ou corrigiu o projecto-lei...) nem pelo facto de tal demonstrar precisamente aquilo que os defensores do Não referiam (que se estava a referendar não a despenalização mas da liberalização), mas antes de tal ser uma descarada traição à maioria do 1/4 da população que votou Sim no referendo pois, como é de meu conhecimento, houve muita mas muita gente que foi votar sim precisamente porque "eles dizem que as mulheres vão ser aconselhadas antes de terem de fazer essa escolha (?!), algo que hoje não há!" Ora então como é que essas pessoas se vão sentir agora ao saberem que quem pretende fazer um aborto não tem que dar cavaco absolutamente nenhum a quem quer que seja? Aliás, só têm que esperar "dois ou três dias para reflectir". Que é como quem diz:
(Abortiva) - Quero fazer um aborto!
(Médico) - Quer aconselhamento?
(A.) - Não!
(M.) - Então tem dois dias para reflectir no caso.
Dali a dois dias, mesma clínica estrangeira de abortos contratada pelo estado com o dinheiro poupado no fecho de 3 maternidades no interior, mesmo médico e mesma abortiva:
(A.) - Venho fazer o aborto!
(M.) - Já reflectiu?
(A.) - Sim!
(M.) - E...?
(A.) - Quero fazer o aborto senão vou fazer a outro lado!
(M.) - Ah, nesse caso, siga-me que tratamos disso num instantinho!
Será ISTO que os que votaram Sim queriam? A total e completa desresponsabilização por parte da mãe, do Estado e da sociedade em si frente a um assassinato? Como pode dizer-se que este é o passo "responsável" a dar quando torna-se a deixar uma vida humana ao capricho da vontade de alguém que não a quer e, ainda por cima, sendo apenas aconselhada se lhe der na realíssima gana? "Se de facto o aborto é algo assim tão terrível e doloroso, a mulher já pensou o suficiente no caso, aqui o aconselhamento é inútil e só deve ocorrer se a mulher quiser". Despenalizou-se o assassínio mas não se pede qualquer bom-senso em troca... Sim senhor! Eu avisei. Só não sei é porque é que, já que parece que 1/4 da população não viu que isto ia acontecer (ou não quis ver...), só eu previ isto! Em tanta gente, devia ser rico! É que só me falta mesmo é acertar nos números do Euromelões! Se acertasse tanto nisso como nestas coisas, era mais um excêntrico por aí!
Tudo isto porque o aborto ilegal e os julgamentos de mulheres "parece mal"... Somos mesmo um país de brandos costumes... que agora mata crianças inocentes.
Que a caca esteja convosco!